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A responsabilidade dos retalhistas enquanto facilitadores de crédito, por José Figueiredo (ComparaJá.pt)

Por a 2 de Março de 2017 as 11:33
José Figueiredo_comparaJa

Por José Figueiredo, diretor geral da plataforma gratuita de comparação de produtos financeiros ComparaJá.pt

Não foi há muito tempo que os retalhistas, funcionando como intermediários das instituições financeiras, começaram a conceder crédito aos consumidores de forma a que estes tivessem acesso a um sistema de pagamento fracionado dos seus produtos. Desde então, é possível entrar numa loja, fazer um pedido de crédito e comprar um produto às prestações, tudo no mesmo sítio e em menos de uma hora.

Se a comodidade e facilidade deste processo são vantagens indiscutíveis, importa entender se os consumidores estão realmente a fazer uma escolha consciente, percebendo as implicações e obrigações a que estão sujeitos. Beneficiar das devidas informações relativamente ao incumprimento de um contrato de crédito ou a uma eventual sobrecarga da taxa de esforço serão fundamentais para que não haja desequilíbrios no orçamental familiar mensal.

Apesar de alguns sinais de recuperação económica, existem ainda no nosso País muitas famílias sobreendividadas, muitas delas devido a compras irrefletidas para as quais obtiveram facilidade de financiamento.

Para os retalhistas, ter a possibilidade de providenciar (ou antes mediar) crédito ao consumo aos clientes direcionado para a compra de produtos nas próprias lojas é algo que vai exponenciar o aumento das vendas, uma vez que muitos potenciais clientes, caso não tivessem essa ferramenta ao dispor, não conseguiriam comprar esses produtos. Nesse sentido, o crédito mediado pelas lojas comprova ser uma grande mais-valia para as marcas.

Mas estas soluções de financiamento também podem ser positivas para o consumidor. É que estes créditos têm, em muitos casos, a vantagem de poderem ser pagos com modalidades sem juros ou com juros muito competitivos. Isto é algo que beneficia o consumidor pois caso procurasse obter o financiamento diretamente junto da instituição de crédito certamente não desfrutaria de condições tão atrativas.

O que questiono é o nível de aconselhamento que é dado ao consumidor (como, por exemplo, a comparação de diferentes ofertas existentes no mercado) e as políticas de apelo ao consumo responsável por parte dos retalhistas para com os seus clientes. É que as empresas, devendo procurar o aumento dos seus lucros, também têm uma responsabilidade perante a sociedade que não pode ser descurada.

Nesse sentido, gostaria de lançar um desafio às grandes empresas do setor: apostarem e investirem no aumento da literacia financeira dos portugueses. Atendendo a que Portugal surge sempre mal classificado nos estudos internacionais neste âmbito – recordo-me, por exemplo, de o nosso País ficar colocado na 111.ª posição de um ranking da Standard & Poors a nível mundial – seria interessante vermos os retalhistas a serem protagonistas de iniciativas que visassem ajudar os consumidores a fazer melhores escolhas no que às suas finanças pessoais diz respeito.

Com uma economia mais eficiente, sem famílias sobreendividadas e bancos livres de crédito malparado, todos os setores da sociedade saem beneficiados. Se o crédito é um importante impulsionador do crescimento e desenvolvimento económico de um país, caso seja mal aplicado poderá também ter o efeito contrário. Resta que todos os intervenientes no mercado, sendo os retalhistas agentes de grande relevo neste contexto, criem mecanismos que permitam um consumo mais consciente de forma a garantir maior prosperidade económica no nosso País.

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