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Transparência e colaboração: uma antevisão da supply chain do futuro, por João Castro Guimarães (GS1)

Por a 19 de Dezembro de 2016 as 10:55
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Por João de Castro Guimarães, Diretor-Executivo da GS1 Portugal

Transparência (informação), envolvimento (fidelização), rastreabilidade (percurso e origem) e a “última milha” (modelo de loja do futuro e logística). Nos próximos anos, são estas as prioridades para o setor da codificação, que refletem a nova cadeia de valor “colaborativa” e, acima de tudo, a nova e holística realidade omnicanal (ou Marketing 3.0), interativa, difusa e em tempo real, entre as marcas dos Bens de Consumo (FMCG) e os consumidores. Em simultâneo, convém sublinhá-lo, há uma variável com um protagonismo crescente neste novo ambiente cujo epicentro é um fortalecido (empowered) consumidor: a qualidade dos dados. A tal ponto, que a criação de um Chief Data Officer passou a estar no horizonte das empresas.

Transparência, envolvimento e rastreabilidade. Hoje, na hora de decidir, o consumidor exige das suas marcas o acesso a toda a informação relevante e de qualidade sobre o produto a consumir, desde as suas características específicas (nutrientes, validades ou condições de uso) até à origem ou condições em que foi produzido/processado (por exemplo, cumprindo as boas práticas internacionais laborais e/ou ecológicas). No fundo, exige do seu interlocutor mais direto um compromisso de verdade, transparência e fiabilidade. Ora, o compromisso de um agente a jusante na cadeia de valor, torna-se, automaticamente, no compromisso de todos os outros agentes a montante… do prado ao prato.

A Última Milha. Sem dúvida, os novos modelos de loja e de circuito logístico estão a ser pensados e influenciados por este clima geral de visibilidade, eficiência, partilha e interoperabilidade na supply chain. Além de ser uma variável crítica de sucesso, os standards globais assumem aqui um papel decisivo na identificação, captura e partilha de dados de produto em toda a cadeia de abastecimento. Ou seja, mais do que falarmos em ferramentas ou soluções específicas, importa saber se os múltiplos players continuam a perseguir práticas de negócio compatíveis com transações ao segundo e à escala planetária.

Big Data. Os consumidores têm hoje ao seu dispor um volume massivo de dados sobre os diversos bens e serviços que consomem, quer no linear de um hipermercado quer em catálogos eletrónicos. Atualmente, a nossa missão passa por aqui: disponibilizar ao mercado soluções de negócio que ajudam as marcas a manter a reputação e a confiança junto dos consumidores. A esse nível, aproveito para destacar três projetos, todos eles essenciais à concretização das experiências omnicanal: (i) o Portal Sync PT, inovadora solução de sincronização de dados-mestre, desenvolvida para fazer face às exigências de informação ao consumidor previstas no Regulamento 1169/11/UE, (ii) o SmartScan, aplicação que, via scan ao código de barras, permite aceder a informação de produto, gerir e aceder a promoções, e (iii) o 560 Validata, um serviço ao serviço da qualidade dos dados dos produtos.

Passado e futuro dos standards globais… porque são standards e porque são globais

“Como seria gerir à mão e diariamente as 30, 40, 50 mil referências de um hipermercado… sem códigos de barras e um sistema automatizado, normalizado e global?”. Esta é uma questão frequentemente abordada nas nossas ações de formação, que ajuda a explicar, de forma simples e intuitiva, o que fazemos há mais de 30 anos em Portugal – e há mais de 40 no mundo – no Setor de Bens de Consumo (FMCG)… e em tantos outros.

Para compreendermos a importância efetiva dos standards globais para a qualidade dos dados, tomemos como exemplo os mesmos 30, 40 ou 50 mil artigos no linear de um hipermercado. Os Standards GS1, por serem standards (dados e sistemas de dados normalizados) e globais (reconhecidos em todo o mundo), permitem criar um cartão de identificação para os produtos (tal como nós temos o nosso “cartão de cidadão”), para que sejam identificados e entendidos por todos os atores na cadeia de valor da mesma forma, em qualquer parte do mundo. O Sistema de Standards GS1 é isto mesmo: uma forma simplificada, normalizada e inequívoca de identificar, capturar e partilhar os dados de produto, de todos os produtos e de todas as cadeias de valor. Sabemos que é uma disrupção do passado, mas temos a certeza que continuará a fazer a diferença no futuro.

 

 

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