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O seu negócio estará preparado para o áudio shopping?

Por a 12 de Janeiro de 2018 as 15:47
José Figueiredo_comparaja

José Figueiredo, diretor-geral da plataforma de simulação de crédito e telecomunicações ComparaJá.pt

Já ouviu falar no Amazon Echo ou no Google Home? Já todos conhecem o termo “Windows shopping”, mas o “áudio shopping” pode ser uma novidade para muitos. Mas não devia. Cada vez mais se adaptam tecnologias que adaptarão o som como instrumento primordial no ato da compra.

Nos Estados Unidos, com o Google Home e o Amazon Echo – embora com algumas limitações – esta realidade já começa a surgir. O utilizador pode, através destes gadgets, dar “ordens” e fazer compras. Tudo com a voz. A Siri está a chegar ao retalho.

Claro está, ainda tudo está numa fase muito preliminar. Mesmo o Amazon Echo, que é aquele que é mais utilizado nos Estados Unidos (com 14,1 milhões de utilizadores), tem limitações. Por exemplo, só está disponível em língua inglesa o que apresenta logo uma série de problemas com negócios noutras línguas. Depois, em termos de utilização, as compras ainda exigem a intervenção manual do utilizador, que tem que dar a ordem manualmente para concluir.

No entanto, é sempre importante ir percebendo as inovações e novas portas que o mercado vai abrindo. E esta, sem dúvida, é uma delas. Então como pode uma marca ou empresa ir preparando terreno?

Antes de mais, para conquistar o mercado da compra pela audição, importa estar sempre com os ouvidos atentos às novas funcionalidades que estes gadgets permitem. O Amazon Echo, o Google Home e outros semelhantes estão sempre a atualizar os seus produtos e a corrigir as falhas que encontram.

Vá pensando em ir criando “apps” para todos estes produtos, à medida que surgem no mercado. As famosas palavras de Bob Marley têm algum eco aqui: “Nunca se sabe quão forte se é, até que ser forte é a única opção que existe”. Se não se preparar antecipadamente, as exigências do mercado poderão obrigá-lo a adaptar-se em condições menos favoráveis ou, pior, poderá enfrentar o problema demasiado tarde e colocar em causa a sustentabilidade do seu negócio.

Embora possa parecer algo futurista, imaginemos só o que isto significará para um consumidor: por exemplo, aquando da preparação de um jantar para amigos, notamos que temos todos os ingredientes menos o essencial: a carne. Bastar-nos-á dizer para o “smart speaker” algo como “Comprar dois quilos de carne de vaca. Entrega na localização atual daqui a uma hora”. Passado pouco tempo, um parceiro da Amazon ou da Google terá a encomenda à nossa porta.

Ora, isto não é coisa pouca e a comodidade inerente à experiência em si promete ser um “game-changer” no mercado.

Ainda recentemente a Bloomberg partilhou previsões que indicam que, até 2022, se espera que 70 milhões de lares norte-americanos possuam “smart speakers”. Não há, assim, dúvidas que será uma oportunidade única de negócio.

Por alguma razão, o Google Home já começa a explorar parcerias com gigantes como a Wal-Mart Stores Inc e a Target Corp. Além disto, cerca de 40% dos proprietários deste tipo de “in-home assistants” já consideram utilizá-los para as compras da quadra festiva. No ano passado, só 17% o haviam feito. Não é de surpreender, à medida que a Google e a Amazon se apercebem do potencial lucrativo destes seus gadgets e como podem potenciar o comércio eletrónico destas marcas e suas associadas.

Em suma, deparamo-nos aqui perante um cenário que se afigura atualmente agridoce: por um lado, há uma nova faceta do mercado que urge ser explorada. Por outro, parece ainda ser demasiado cedo para atacar o mercado através desta vertente.

Resta esperar por ver quem serão os retalhistas a perceber o timing ideal para apostar nesta nova realidade, inovando na forma como os portugueses consomem.

 

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