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ESPECIAL Logística. Operações ‘just-in-time’ substituem gestão clássica em armazém

Por a 6 de Junho de 2016 as 13:14
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Especial Logística: Armazenamento e Transporte

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A transformação digital dos negócios está em curso e o setor do grande consumo não é exceção à regra. As cadeias de abastecimento estão a ajustar-se às novas e mais prementes exigências de quem compra.

“No grande consumo, a omnicanalidade tomou conta das preocupações dos retalhistas. Os puros online estão a aventurar-se na abertura de lojas físicas e o retalho tradicional procura conquistar posição e aumentar a resiliência do seu negócio, através do e-commerce e de estratégias de comunicação globais, muito assentes nas redes sociais e na exploração das possibilidades que a internet atualmente oferece. Com o esgotamento do conceito de hipermercado, e mesmo de supermercado, os retalhistas exploram formatos de proximidade e de ecommerce, como forma de responder a consumidores cada vez mais exigentes e sofisticados nos seus comportamentos de consumo”. O retrato é feito por Pedro Gordo, Supply Chain business development do Grupo Generix, especialista no desenvolvimento de software para a cadeia de abastecimento.

O que está, então, a mudar, na gestão dos armazéns? “O ajustamento consiste em gerir stock de forma global e integrada em todos os pontos da cadeia. Surgem armazéns especializados em ecommerce, por vezes com o apoio de lojas físicas próximas. O stock de fornecedores e fabricantes são considerados no stock disponível para os consumidores”, sublinha o colaborador da empresa que lançou em Portugal a primeira aplicação de realidade aumentada para a gestão do armazém.

Isabel Viçoso, administradora da prestadora de outsourcing logístico Logic, sublinha, por sua vez, que o armazenamento evolui no sentido da especialização “em tecnologia, segurança, especificidade de produtos e modelos de negócio” das empresas, com foco na “dispersão geográfica e capilaridade”.

armazem automatico verticalPara otimizar os espaços logísticos e de armazenamento existentes, os operadores tem vindo a apostar em soluções verticais, como os armazéns automáticos, transelevadores, ‘sorters’, plataformas e ‘mezzanines’, entre outros. “Por exemplo, os armazéns verticais permitem esgotar totalmente a capacidade atual do espaço antes de partir para a procura de uma nova infraestrutura”, explica em entrevista ao HIPERSUPER Leandro Fernandes, key account da VRC, fornecedor de armazéns automáticos.

Pedro Gordo, por sua vez, dá um exemplo de poupança de espaço. “Um armazém automático numa superfície de 2.000 metros quadrados (m2) pode aumentar para mais do dobro a capacidade de armazenamento de paletes, evitando a deslocalização do produto ou a aquisição de um espaço adicional”.

Otimizar ou alugar novos espaços?

O armazenamento vertical revela-se uma “boa opção” para aumentar a capacidade dos espaços, mas a administradora da Logic ressalva que se trata de uma “economia que exige uma estrutura rigorosa em termos de segurança e processos. E perante as circunstâncias conjunturais há menos necessidade de grandes stocks. Hoje em dia, cada vez se produz menos stock armazenado”.

Como está, então, a evoluir a procura de espaços logísticos e armazéns em Portugal? “Há muitos espaços disponíveis, a preços acessíveis e com boa cobertura geográfica. É um bom momento para aumentar a capacidade de armazenagem através de aquisição ou aluguer de armazéns”, revela, por sua vez, o colaborador da Generix.

Jungheinrich EFG S30sA procura em Portugal está atualmente muito relacionada com espaços próximos de grandes cidades, armazéns especializados e instalações dedicadas ao comércio online, além de espaços logísticos de suporte às operações industriais.

A crise económica, o decréscimo do consumo interno e o aumento das exportações influenciaram os custos de armazenamento em Portugal, explica Pedro Gordo. “O custo tem vindo a decrescer ao longo dos últimos anos, estando atualmente em níveis baixos. É previsível que este custo acompanhe o comportamento da economia, que esperamos venha a crescer”.

Subcontratar ou gestão própria?

Para reduzir o risco associado a uma operação logística gerida internamente, muitas empresas subcontratam os serviços de armazenamento e transporte. “A subcontratação de serviços está relacionada sobretudo com o desempenho e o custo que o serviço representa para as empresas. A contratação de armazéns a terceiros apresenta benefícios em cenários onde é possível traduzir esse modelo numa efetiva redução de custos operacionais e financeiros, concretamente, uma simplificação e agilização dos processos. Não raras vezes os benefícios capitalizados pelo facto de se abdicar de um armazém próprio têm uma expressão tão significativa que permite às organizações canalizarem os investimentos para outras áreas de negócio”, defende a administradora da Logic.

pickingNuno Queirós, Product Manager da Primavera BSS, especialista em software de gestão, sublinha, por sua vez, que, como em qualquer negócio, também neste, uma das formas mais universais de conseguir justificar a operação com recursos próprios consiste na capacidade de atingir uma escala que torne o serviço rentável. Quanto maior for a especialização e o custo das condições de armazenagem, maior será a escala necessária para a sua competitividade”.

Por outro lado, Pedro Gordo defende as vantagens de uma solução mista. “Frequentemente, a melhor estratégia logística passa por uma solução mista, com armazenagem contratada a terceiros em complemento da capacidade instalada. É uma forma de fazer face a picos de atividade. Tecnicamente, a melhor solução é a que garante o custo total logístico mais baixo, o que não fácil de calcular, atendendo à diversidade das variáveis envolvidas, com destaque para a incerteza do mercado”.

A era do ‘crossdocking’

Entre as atividades logísticas em armazém, as empresas portuguesas privilegiam sobretudo o ‘crossdocking’. Uma solução que remete para “a tendencial inexistência de armazenagem, ou seja, para práticas ‘just-in-time’, nas quais pretende-se maximizar a capacidade de servir os clientes com a menor acumulação possível de materiais em stock. Efetivamente, é esta última que, sempre que possível e com técnicas pouco evoluídas, tem sido perseguida pela maioria das organizações em Portugal. Isto estará necessariamente relacionado com a situação económica que o País atravessou nos últimos anos, mas provavelmente poderá encontrar uma justificação mais plausível no aumento da granularidade e disparidade dos produtos que servem de base às transações atuais, tornando impossível uma gestão clássica de stock em armazém”, ressalva Nuno Queirós.reposição

As empresas privilegiam todos os processos que permitam baixar os custos logísticos. Além do crossdocking no armazém, também a implementação de, por exemplo, “fluxos tensos e de PBL (Pick-By-Line) permitem reduzir o nível de inventário de forma substancial sem prejuízo dos níveis de serviço ao cliente final”, garante o colaborador da Generix.

Sistemas colaborativos e ‘big data’

Nos últimos anos, a evolução dos sistemas de gestão de armazém e de processos logísticos assentou sobretudo na maximização do seu produtividade e desempenho e dos processos que os sistemas ajudam a gerir. O ‘voice picking’ é um dos exemplos de inovação deste tipo, revela o product manager da Primavera. “Apesar de esta nova abordagem não estar esgotada”, o futuro será marcado pelo incremento do interesse em novas abordagens, como os sistemas colaborativos e o ‘big data’. “Os sistemas colaborativos permitem uma revisão do paradigma dos sistemas atuais com efeitos muito interessantes. Um exemplo disto é a transição para sistemas na ‘cloud’ que abrem as portas à disponibilização de serviços que ajudem a orquestrar os processos logísticos de vários intervenientes do processo. Imagine-se um cenário em que o recetor de um determinado produto consegue saber a todo o momento toda a informação de rastreabilidade das mercadorias que o operador está a transportar, nomeadamente as características da carga e a hora prevista de chegada ao cais. Com esta informação poderia otimizar o seu cais de descarga com as condições adequadas no momento adequado, garantindo uma otimização total dos seus recursos. Imagine-se agora que todo este processo é efetuado automaticamente, ou seja, que o sistema do operador está a comunicar com um serviço de coordenação na ‘cloud’ e que esse mesmo serviço está integrado com o sistema do recetor ajudando-o a ajustar as movimentações em armazém em função dos dados que vai recebendo em tempo real.

Que significado teria esta otimização para ambas as empresas? Que significado teria se fossem incluídos no mesmo processo todos os intervenientes? Seguramente que isto resultaria numa otimização significativa de todos os recursos com impacto direto nos custos”, remata Nuno Queirós.

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