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É entrar, pegar e sair. Continente abre loja laboratório sem caixas

Por a 25 de Maio de 2021 as 21:42

Continente LabsO Continente inaugura amanhã (quarta-feira), em Lisboa, uma loja sem caixas e sem necessidade do cliente registar os produtos, sendo a primeira insígnia europeia a adotar este conceito, semelhante ao da Amazon Go.

“Vai ser uma loja laboratório. Um laboratório vivo onde vamos testar várias soluções, sejam de tecnologia, de experiência, de soluções de equipamentos, até de produto, no limite, com os nossos clientes. O que se vai destacar é o facto de ser uma loja efetivamente sem caixas”, refere Frederico Santos, diretor de inovação e transformação digital da Sonae MC.

 

O processo de compra não necessita de caixas. Basta descarregar a aplicação Continente Labs, denominação da loja, que apresenta ao cliente um QR Code utilizado para passar os gates de entrada. Configurado o Continente Pay, com um cartão de débito e de crédito associado e com fatura eletrónica ativada, o cliente necessita apenas de retirar os produtos da prateleira e sair da loja.

 

O carrinho virtual de compras vai sendo construído à medida que o cliente vai retirando os produtos da prateleira, com recurso a tecnologia machine vision, desenvolvida pela startup portuguesa Sensei. Se voltar a ser colocado na prateleira, o produto é subtraído ao carrinho de compras. A loja está equipada com 230 câmaras e 400 sensores, com o sistema de imagens recolhidas e de prateleiras com o peso dos produtos a fazer a deteção dos artigos recolhidos ou colocados, de novo, nas prateleiras.

“A partir do momento em que pessoa entra na loja, passa a estar identificada e é acompanhada pelas câmaras espalhadas pela loja. Quando se dirige a uma prateleira e retira um artigo há vários tipos de mecanismos em ação. Há mecanismos de deteção visual através das câmaras e há mecanismos de deteção de peso com as balanças”, explica Frederico Santos.

A loja conta com 1200 referências de produtos, tendo a Sonae investido 1 milhão de euros na tecnologia, na obra, na montagem e nos equipamentos. A loja, com 150 metros quadrados, fica localizada em Lisboa, na Rua D. Filipa de Vilhena, na zona do Arco do Cego.

“O principal critério de localização é haver população suficientemente diversa para percebermos qual vai ser a reação dos diferentes clientes à interação com a tecnologia”, diz Frederico Santos.

Neste momento, o principal objetivo da Sonae não está relacionado com a rentabilidade da loja, mas com a forma como a tecnologia poderá ser adotada na operação de retalho do Continente. “Gostávamos de evoluir na forma como a tecnologia funciona para a tornar mais compatível com uma operação de retalho mais tradicional”, adianta o responsável.

Um dos objetivos mais imediatos de Frederico Santos é montar uma operação que dê a escolher aos clientes a experiência de compra que pretendem ter em loja. “Temos como ambição retirar estes gates de entrada, meter num canto vazio uma caixa, para que o cliente possa decidir se quer passar pelo processo. Se quiser fazer a compra por esta via, faz o scanning, entra, pega nos artigos e sai. Se não quiser usar a solução, pega nos artigos, dirige-se à caixa, paga, e depois sai”, explica.

“Tornar esta tecnologia compatível com as soluções mais tradicionais e com as lojas que temos hoje tem de ser o foco maior nesta fase, em vez de se estar a pensar se faz sentido abrir quatro ou cinco destas lojas. Nesta fase o nosso objetivo é trabalhar com a Sensei para continuar a evoluir na experiência e na tecnologia, analisar como os clientes reagem e ir vendo, em cada momento no tempo, se faz, ou não, sentido, e em moldes, alargar a tecnologia, esclarece,

De momento, acrescenta, a abertura de novas lojas deste tipo não faria sentido, pois o modelo ainda não é rentável. “Para a operação ser rentável teríamos de vender por metro quadrado o dobro do que numa loja normal, o que não é provável”, conclui.

Um comentário

  1. José Pedro Coelho

    26 de Maio de 2021 at 22:06

    Quanto mais se investe em capital constante e menos em capital variavel mais a taxa de lucro cai em direcção a zero.
    A tecnologia tem um potencial enorme, podendo libertar recursos quer materiais quer humanos, ajudando a criar uma sociedade mais racional e harmoniosa.
    Mas nunca sob capitalismo pois essa tecnologia é propriedade privada de uma minoria de burgueses parasitas. Os trabalhadores ajudaram ao lucro mas na hora da verdade esse mesmo lucro é usado para despedir trabalhadores.
    O capitalismo está cada vez mais pronto a ruir. A burguesia cava a sua propria sepultura.

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