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Criatividade seleccionada como o factor crucial para um futuro de sucesso

Por a 4 de Junho de 2010 as 11:48
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De acordo com um estudo da IBM que questionou mais de 1.500 CEO de 60 países e 33 indústrias em todo o mundo, os CEO acreditam que – mais do que rigor, disciplina de gestão, integridade ou mesmo visão – navegar com sucesso num mundo crescentemente complexo irá requerer criatividade.

Conduzido por especialistas do Institute for Business Value da IBM, as conclusões das entrevistas pessoais apontaram para o facto de menos de metade dos CEO acreditarem que as suas empresas estejam “adequadamente preparadas para gerir um ambiente de negócios complexo e altamente volátil”.

O estudo avança que os CEO são hoje confrontados com “mudanças massivas – novas regulações de governo, mudanças nos centros de poder económico, transformações aceleradas na indústria, aumento de volumes de informação, evolução rápida das preferências dos clientes – e isso pode ser ultrapassado com a ‘criatividade’ na organização”.

Mais de 60% dos CEO acreditam que a transformação da indústria é o factor que mais contribui para a incerteza, e os resultados apontam para a necessidade de descobrir formas inovadoras de gerir a estrutura da organização, as finanças, as pessoas e a estratégia.

O estudo revela ainda as preocupações e as prioridades estratégicas, por sinal divergentes, entre os CEO da Ásia, Japão, Europa ou América do Norte. Esta foi a primeira vez que se notaram variações regionais com tanta evidência.

“Saídos da pior reviravolta económica das nossas vidas profissionais – e a enfrentar agora uma nova normalidade que é radicalmente diferente – é de assinalar que os CEO identificam a criatividade como o número um nas competências de liderança enquanto sucesso da empresa do futuro”, afirmou Frank Kern, vice-presidente senior da IBM Global Business Services. “Mas voltando atrás e pensando melhor, isto é inteiramente consistente com as outras conclusões chave do estudo – que o maior desafio que as empresas enfrentam daqui para o futuro será a aceleração da complexidade e a velocidade de um mundo que está a operar num sistema massivamente interconectado”, concluiu.

Os CEO entrevistados afirmaram à IBM que o actual ambiente de negócios é volátil, incerto e crescentemente complexo. Oito em cada dez CEO esperam que o seu ambiente cresça em complexidade, mas apenas 49% acredita que as suas organizações estejam preparadas para lidar com isso de forma bem sucedida – o maior desafio de liderança identificado em oito anos de pesquisa.

Os CEO afirmaram que “a complexidade de um mundo interconectado é agravada por um número de factores”. Por exemplo, os CEO esperam receitas de novas fontes para as duplicaram nos próximos cinco anos; e 76% dos CEO prevê a mudança de poder económico para os mercados emergentes.

Nos últimos quatro estudos, o impacto esperado da tecnologia nas organizações tem vindo a subir do sexto para o segundo lugar em termos de importância, o que revela como os CEO compreendem que a tecnologia e a interconexão das infra-estruturas do mundo contribui para a complexidade que enfrentam. Além disso, revela também que necessitam de respostas mais baseadas em tecnologia para terem sucesso num mundo que está massivamente interconectado.

O estudo destaca os atributos das organizações com melhores níveis de desempenho, baseando-se nas receitas e nos lucros dos últimos cinco anos, incluindo a a crise económica.

– As organizações com melhores desempenhos têm mais apetência para tomar decisões rápidas. Os CEO indicaram que estão a aprender a responder rapidamente com novas ideias para endereçarem as mudanças profundas que afectam a sua organização;

– 95% das organizações com melhores desempenhos identificaram que a aproximação aos clientes é a sua estratégia mais importante para os próximos 5 anos, utilizando para isso a Internet e outros canais interactivos e redes sociais para repensarem como chegar melhor aos consumidores e cidadãos. Os CEO viram que a explosão histórica da informação e a informação global representam mais oportunidades que ameaças.

– As organizações que têm construído maior destreza operacional esperam aumentar 20% mais nas suas receitas, comparativamente aos seus pares tradicionais.

A vasta complexidade é intensificada pelas diferenças regionais, notando o estudo que que as perspectivas variaram em função da geografia – diferenças de opinião acerca das mudanças a fazer, que novas competências serão necessárias e como ser bem sucedido no novo ambiente económico. Estas variações regionais compõem também as complexidades com as quais os CEO têm de lidar.

A China provou ser muito mais resiliente que os países desenvolvidos durante a crise económica. Por isso, os CEO da China estão menos preocupados com a volatilidade que os CEO de outras regiões. De facto, estão a tornar-se incrivelmente confiantes do seu lugar no palco mundial.

“Mas se a China está preparada para preencher as suas aspirações globais, necessitará de uma nova geração de líderes com criatividade, visão e experiência de gestão internacional”, salienta o estudo. Muitos dos CEO reconheceram isto mesmo; 61% acredita que o “pensamento global” é uma qualidade top de liderança.

A maioria das empresas precisará também de novos modelos de indústria e competências. Não poderão simplesmente replicar modelos que têm sido utilizados no mercado doméstico, que tem um custo de estrutura completamente diferente. Os CEO na China estão também a dedicar mais energia a adquirir novas capacidades e competências que os seus pares do Ocidente.

Na América do Norte, que enfrentou uma crise financeira que conduziu os governos a serem stakeholders principais nas empresas privadas, os CEO estão mais cautelosos com o “grande governo” do que os CEO dos outros países. Cerca de 87% anteciparam uma maior intervenção do estado e regulação nos próximos cinco anos, compondo o seu nível de incerteza.

No Japão, 74% dos CEO esperam a mudança no poder económico, no sentido de os mercados emergentes terem maior impacto do que os maduros nas suas organizações. Por contraste, a União Europeia está menos preocupada com esta mudança, na medida em que apenas 43% dos CEO europeus espera ser impactado.

“Estas e outras diferenças relevantes por região são crescentemente importantes, à medida que as economias e as sociedades estão cada vez mais ligadas. As organizações deparam-se com estas diferenças uma vez que operam cada vez mais além fronteiras e em diferentes regiões”, conclui o estudo realizado pela IBM.

Um comentário

  1. João Alberto Catalão

    7 de Junho de 2010 at 9:35

    Excelente artigo!

    Parece óbvio! Se tudo mudou, algo tem que mudar…

    O problema é que mudar causa desconforto. Veja-se o nosso exemplo e da maior parte das empresas: Os mesmos Gestores permanecem no poder(na Banca é inacreditável como isso acontece. Quem contribuiu para a “Crise”, não é decerto a pessoa indicada para pensar e agir diferente. Empresas com as mesmas Políticas, as mesmas estratégias comerciais, tambám não vão dar o salto criativo. Claro que indo pelos mesmos caminhos, vão dar aos mesmos sítios, e isso é mau!
    Fala-se muito em criatividade, em pensar e agir “out of the box”, mas a zona de conforto é AINDA muito cómoda.

    Adaptando uma frase de Charles Darwin: “não serão os mais fortes, os mais inteligentes que sobreviverão, mas sim aqueles que demonstrarem maior capacidade de adaptação”

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