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A história da marca que quer democratizar o conceito industrial HPP

Por a 10 de Maio de 2022 as 15:57

SonaturalA GL relançou a marca de sumos naturais So Natural, com a assinatura “under pressure”. “Queremos agitar a categoria e explicar aos consumidores que os nossos produtos são 100% naturais graças à conservação em alta pressão”, afirma Joana Santos, diretora de marketing da GL

A marca de sumos naturais So Natural, da empresa portuguesa GL, produz uma gama de sumos naturais com recurso à tecnologia industrial HPP (High Pressure Processing). Esta tecnologia permite replicar um sumo natural tal e qual como o fazemos em casa. As frutas e os legumes frescos são espremidos, seguem para uma misturadora e, logo de seguida, são embalados. O passo seguinte é a conservação através desta tecnologia de alta pressão a frio.

“A pressão a frio, através do método ‘cold pressed’, permite extrair o melhor da fruta e legumes frescos, mantendo todas as suas propriedades, aroma e sabor. A tecnologia HPP recorre a altas pressões para eliminar os micro-organismos indesejados, prolongando a vida dos alimentos até 80 dias, sem usar corantes nem conservantes artificiais”, explicou Joana Santos, diretora de marketing da GL, numa visita guiada à fábrica localizada na Azambuja. “Este processo garante produtos 100% naturais sem qualquer adição de açúcares, conservantes ou produtos geneticamente modificados”, acrescenta.

A marca com 15 anos de vida decidiu investir cerca de 200 mil euros para lançar uma nova imagem e uma nova campanha de comunicação que tem como grande objetivo democratizar o conceito industrial HPP. Porquê? “Imaginem um ringue de boxe. A imagem lustra bem como está atualmente a categoria dos sumos naturais. Se, no início, todas as marcas sabiam qual era o seu lugar, a comunicação era muito transparente e não havia grandes manobras de marketing, e, hoje, as coisas não se passam assim. É um pouco o vale tudo e o cada um por si”, afirma Joana Santos.

Douglas Gilman, administrador da empresa, explica com mais clareza. “Há muita comunicação a fazer-se passar por sumos naturais. Mas não são. Porque são pasteurizados (conservados a quente, o que coze a fruta, carameliza o açúcar natural e adultera o sabor) ou não usam fruta fresca, utilizam concentrados ou polpas já pasteurizados”.

Para se diferenciar dos concorrentes, a marca lançou um plano de comunicação que pretende familiarizar o consumidor com a sigla industrial HPP. “Não é um tema sexy, é certo, mas é isto que nos diferencia, associado ao facto de só trabalharmos com matéria-prima fresca”, acrescenta a diretora de marketing.

O relançamento da marca é apoiado numa nova assinatura “under pressure”. “Com isto, queremos agitar a categoria, queremos explicar às pessoas que é preciso agitar a garrafa, que os nossos produtos são 100% naturais graças à pressão. Que a pressão é algo bom na dose certa”. Também a nova embalagem “provocadora, colorida e de pernas para o ar” materializa o novo conceito.

“Fizemos agora uma rutura boa com a nossa imagem do passado, porque consideramos que a categoria evoluiu e o consumidor evoluiu de uma maneira que exige um posicionamento diferente”, resume a responsável de marketing.


Maior produtor de wraps da Península Ibérica

A unidade industrial da Azambuja, com uma área total coberta de seis mil metros quadrados, divide-se em duas fábricas que empregam 160 pessoas. Na época alta, chegam a ser 250 trabalhadores. Numa delas, a GL produz sandes, wraps e saladas embaladas para distribuição na Península Ibérica, para companhias de aviação, estações de serviço, cafetarias, entre outros. Estes produtos são comercializados sob a marca Snock. “Somos o maior produtor de wraps da Península Ibérica, com uma produção de 1.800 wraps por hora”, conta Douglas Gilman, que também produz marca própria para algumas cadeias de distribuição com operação em Portugal. “Este negócio passou a ser zero com a Covid-19 e agora já enche um pouco o coração ver algumas linhas a trabalhar”, confidencia Douglas Gilman.

Rita Salgado, administradora da Sonatural, lembra que a empresa faturava no período pré-pandemia cerca de 34 milhões de euros e que este ano deverá alcançar cerca de 80% deste valor.

A outra unidade industrial produz sumos, shots funcionais e alimentos, como húmus, saladas e smoothies à colher, entre outros, todos conservados com tecnologia HPP. No caso dos sumos, depois de embalados, estes seguem para outra sala onde as garrafas são colocadas em cilindros que as transportam para uma câmara de alta pressão com água, que vai aumentando a pressão até atingir seis mil bars, o equivalente a 600 quilómetros debaixo de água. “Matamos os patogénicos com a pressão. As garrafas mantém-se algum tempo nesta pressão e, a seguir, passamos de seis mil bars para zero em quatro segundos. Se os patogénicos não morreram com a alta pressão morrem na descompressão”, descreve o administrador. No total, este processo leva cerca de seis minutos.

 

A fibra das frutas segue para o final desta linha de produção para ser depois reaproveitada. “Antes, dávamos a fibra das frutas para alimentar suínos e pagávamos cerca de oito mil euros por mês para fazerem a recolha. Entretanto, começámos a usar esta fibra para desenvolver um novo produto, integrado na categoria de snacking, na marca So Natural, que estamos a lançar: as bolas energéticas”. Trata-se de um produto natural que resulta da economia circular, e permite reaproveitar todas as partes da fruta que utilizamos para fazer os produtos. As energy balls tem corantes, conservantes nem açúcares adicionados, garante.

As embalagens das garrafas da So Natural contêm 50% de Pet Reciclado (rPET) e as outras, como a do húmus, têm 100% de rPET. “Não podemos utilizar embalagens de vidro pela questão da alta pressão, além de que o consumo e a reciclagem de plástico têm uma pegada de carbono inferior ao vidro quando bem reciclado”, salienta Joana Santos.

Das fábricas portuguesas saem produtos para dez mercados europeus: Croácia, Espanha, Finlândia, França, Inglaterra, Islândia, Portugal, República Checa, Suíça e Ucrânia.

Globalmente, 80% da matéria-prima utilizada nas fábricas é adquirida a fornecedores portugueses.

Além das unidades fabris em Portugal, a GL ergueu em 2019 uma fábrica nos EUA onde produz também sumos naturais conservados com tecnologia HPP. “Começámos a vender a partir de Portugal para os EUA e o passo seguinte foi investir na produção própria lá, porque a logística, os processos alfandegários e a distribuição de produtos frescos da Europa para os EUA acabava por não ser tão linear”, lembra Rita Salgado.

“Passámos dificuldades no início, porque os norte-americanos não falam a mesma língua que os europeus. Como todas as empresas portuguesas que se aventuraram na produção neste mercado, passaram pelo mesmo processo de adaptação e por esta curva de aprendizagem e isso dá-nos algum conforto. Agora, o projeto está a começar a arrancar bem. É que nós começamos a produzir em julho de 2019 e levámos com a Covid em cima seis meses depois”, acrescenta Rita Salgado. Nos EUA e Canadá, a GL comercializa os sumos sob a marca So Fresco.

*Artigo publicado na Edição número 401

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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