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Opinião. O valor da monetização da informação

Por a 21 de Dezembro de 2018 as 10:46
Cugat_Bonfill

Cugat_BonfillPor Cugat Bonfill, responsável de análise estratégica de dados na Loop New Business Models

Imagine que fabricamos um produto alimentar de consumo recorrente que possa ser tanto ingrediente como consumível.

Além disso, imagine que, como fabricante, vendemos a uma rede de canais não organizados, independentes e não estruturados ao redor de grandes corporações ou atores. Como começo, falamos de cerca de 40.000 pontos de venda em lojas tradicionais e supermercados com menos de 400 metros quadrados e cerca de 70.000 estabelecemos de restauração.

Imagine também que somos nós que realizamos a distribuição dos nossos produtos até ao ponto de venda (seja este o que vende ao consumidor final ou o que utiliza o produto como ingrediente para preparar um prato mais elaborado).

Assim, imagine que não só distribuímos os nossos produtos, mas que possuímos também uma rede suficientemente robusta para permitir a terceiros que distribuamos nós mesmos os seus produtos.

Com este esboço na nossa mente, pensemos no número de interações geradas se visitamos, por exemplo, 15% de todos esses estabelecimentos uma vez por semana durante todo o ano. Isto representa mais de 850.000 contactos. Agora, analisemos como cresce o número se, no lugar de uma vez, os visitarmos duas vezes; ou se no lugar de 15% distribuirmos para cerca de 25%. Efetivamente, o número de contactos aumenta exponencialmente.

Por último, pensemos agora nas interações geradas por toda a nossa cadeia de valor e não somente à associada ao nosso cliente. Num processo recorrente que inclui fabricar-vender-distribuir-repor-retroalimentar com o feedback do cliente, entre outros, então, serão milhões de pontos de contacto gerados.

Esses pontos de contacto representam um volume de dados gigante. E estes dados, levam-nos a ter uma informação, a grande escala, que devemos aproveitar como matéria-prima valiosíssima na hora de convertê-la em valor económico.

Este rendimento é totalmente multifacetado. Tem tantas caras como oportunidades de maximização económica. Que sirvam de exemplo as seguintes perguntas, com as quais através dessa monetização poderíamos dar resposta e obter rendimento:

  • Estamos a aproveitar todas as nossas oportunidades de venda?

Criemos uma capa de management analítico, de forma a que possamos modelar numericamente a qualidade da nossa distribuição.

  • Estamos a gerir bem os nossos processos de fabrico, armazenamento e gestão de pedidos? Criemos um sistema integrado, em tempo real, que nos permita avançar os pedidos das próximas semanas com base no histórico de vendas por cliente e o conecte tanto com a gestão de stocks como com a planificação de visitas comerciais.
  • Podemos melhorar a quantidade de devoluções do nosso produto?

Sejamos proactivos na recomendação de categorias e quantidades aos nossos clientes, em função de parâmetros bem definidos conjuntamente e alinhados com eles e que nos levem a atingir objetivos comerciais comuns. Entremos no território da cocriação e cooperação em modelos de negócio.

A lista de oportunidades que giram ao redor da monetização da informação é colossal e, como dizíamos, multifacetada, já que permite o acesso a diferentes panorâmicas, desde departamentos diferenciados dentro de uma mesma organização.

Colateralmente, os benefícios intangíveis derivados desta monetização são evidentes: o alinhamento de prioridades internas e o trabalho em prol de um benefício comum; obtenção de vantagens competitivas face aos nossos concorrentes, dada uma melhor leitura recorrente de mercados.

Não existem desculpas para continuar a desaproveitar o potencial que confere a monetização da informação. Obter rendimento económico derivado da informação/análise de dados obtida através de todos os pontos de fricção do nosso processo habitual, deve ser já considerada uma prioridade e vantagem competitiva. É a única forma de gerar uma via de negócio adicional e com elevada margem económica para as marcas/empresas.

 

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