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Produção nacional não chega para crescimento do mercado biológico

O mercado da agricultura biológica está a crescer em Portugal. Prova disso é o aumento dos produtos biológicos nas cadeias de distribuição. A Sonae está apostar em pontos de venda especializados. A Agrobio lançou recentemente em Lisboa um mercado biológico. E também já há plataformas na Internet para incentivar a produção e o comércio biológico. Mas muitos dos produtos comercializados ainda são importados

Filipe Pacheco
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Produção nacional não chega para crescimento do mercado biológico

O mercado da agricultura biológica está a crescer em Portugal. Prova disso é o aumento dos produtos biológicos nas cadeias de distribuição. A Sonae está apostar em pontos de venda especializados. A Agrobio lançou recentemente em Lisboa um mercado biológico. E também já há plataformas na Internet para incentivar a produção e o comércio biológico. Mas muitos dos produtos comercializados ainda são importados

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O mercado da agricultura biológica está a crescer em Portugal. Prova disso é o aumento dos produtos biológicos nas cadeias de distribuição. A Sonae está apostar em pontos de venda especializados. A Agrobio lançou recentemente em Lisboa um mercado biológico. E também já há plataformas na Internet para incentivar a produção e o comércio biológico. Mas muitos dos produtos comercializados ainda são importados

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Os pontos de venda de produtos biológicos aumentam. A associação Agrobio tem doze mercados de rua ao fim-de-semana. No mercado do Lumiar, inaugurado a sete de julho, há agora uma zona especializada em alimentos biológicos, fruto de uma parceria entre a associação, a Junta de Freguesia do Lumiar e a Câmara Municipal de Lisboa. As cadeias da grande distribuição aumentam a quantidade de oferta de produtos biológicos nos seus lineares. A Sonae, que conta neste momento com dez supermercados especializados em produtos biológicos, abriu um restaurante de rua com a marca Go Natural. A empresa adquiriu ainda, no segundo trimestre do ano, a Amor Bio, uma empresa detentora de dois supermercados biológicos em Lisboa.

O reforço do número de pontos de venda especializados em produtos biológicos é um sinal claro de que existe mercado para estes produtos, mais ainda do que a produção nacional. Um dos papéis da Agrobio é fomentar a produção nacional de produtos biológicos. A entidade quer reverter uma situação em que ainda muitos dos produtos são importados. “O potencial de crescimento da agricultura biológica e dos produtos biológicos é enorme, porque temos muitas pessoas interessadas em consumir produtos biológicos. As pessoas consumem devido à saúde, pelo meio ambiente e pelos estilos de vida. Querem este tipo de produtos e, por isso, o mercado, está a crescer muito mais do que a produção. Logo aqui há uma grande indicação para a produção a dizer que é necessário produzir mais”, afirma Jaime Ferreira, presidente da Agrobio.

Embora não existam números de produção e de consumo de produtos biológicos em Portugal, o que se está a passar na Europa é revelador do crescimento do mercado. “Os números que temos na Europa são de 15% de crescimento de média ao ano do mercado, enquanto a produção cresce 5%. Há aqui um potencial enorme, haverá poucas atividades com este potencial de crescimento”, assegura o presidente da Agrobio.

Os números que existem em Portugal dizem respeito à área ocupada de superfície útil. São 245 mil hectares para produtos biológicos, que correspondem a 6,5% da superfície agrícola. A maior concentação de terrenos está no Alentejo, na Beira Interior, em Trás-os-Montes e no litoral. No mercado do Lumiar, as produções hortícolas e frutícolas são originárias de Rio Maior, Estremadura e Loures. “Uma das vantagens destes mercados é atrair produtores de proximidade para aqui. É possível. Há áreas para isso. É preciso haver estímulos, é preciso haver apoios melhorados, apoios diferenciados, é preciso mais sensibilização. Um dos trabalhos da associação é sensibilizar os novos e antigos agricultores a fazer a mudança para a agricultura biológica”, diz Jaime Ferreira.

A produção aumenta mas há constrangimentos no apoio aos agricultores

O aumento da produção poderá ser visível num espaço de quatro anos, acredita o responsável: “Sentimos e sabemos que, provavelmente dentro de dois, três, quatro anos, temos novos agricultores que estão agora a se instalar, mas as suas produções só vão chegar ao mercado dentro de dois três, quatro anos e nessa altura teremos obviamente muito mais produção”. “É preciso continuar a investir nisso. É preciso continuar a cativar novos agricultores. Os novos agricultores, sobretudo os jovens, estão muito interessados nesta agricultura. Foram pessoas que cresceram numa ideia absolutamente diferente do passado. Uma ideia da agricultura mais moderna, uma agricultura próxima das pessoas, uma agricultura ligada à saúde e ao ambiente”, acrescenta.

Jaime Ferreira alerta, porém, para os constrangimentos existentes ao fomento da produção. “Um deles é a falta de conhecimento técnico, mais do lado do trabalho da assistência técnica aos agricultores. É difícil, para um agricultor que se quer instalar na agricultura biológica, encontrar assistência técnica. Até nos custos da assistência técnica, que no passsado foram apoiados, mas agora os agricultores têm de pagar completamente do bolso deles”, refere. O próprio Ministério da Agricultura, embora mais sensibilizado para as questões relacionadas com a agricultura biológica, sente dificuldades técnicas na análise dos projetos. “Não há muitas pessoas nos serviços do Ministério da Agricultura capazes de analisar projetos de agricultura biológica. Os projetos de agricultura biológica são diferentes dos projetos de agricultura tradicional. Fazemos aqui projetos de investimento para os nossos associados e, por vezes, deparamo-nos com respostas absurdas de quem não sabe o que está a analisar”, aponta o presidente da Agrobio.

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A maioria dos produtos vem do exterior

Da parte da Sonae, esta assume o compromisso de apoiar os agricultores portugueses, dando prevalência aos produtos nacionais. “Na Sonae MC pretende-se que cada loja se integre na malha urbana da região em que se instala.  Há, por isso, uma forte aposta ao nível dos produtos locais e na primazia à produção nacional nas nossas prateleiras. Este compromisso, em dar preferência a artigos portugueses, aplica-se também à área de produtos biológicos e saudáveis”, garante Frederico Paiva, head of healthy nutrition da Sonae MC.

Há, no entanto, produtos que têm primazia nas escolhas dos consumidores. As frutas e legumes são os mais consumidos pelos portugueses. “Os novos agricultores estão a chegar e isso vai trazer com certeza maior produção para a agricultura biológica, sendo que do nosso ponto de vista o que é mais necessário é o que as pessoas pretendem, que são sobretudo frutas e legumes”, diz Jaime Ferreira. Mas há ainda escassez de lactícinios. “Há que substituir as importações, como os laticínios, porque há potencial. Gostava que fosse aqui também no Continente, mas nos Açores já há dois projetos para a agricultura biológica e para o leite biológico. Futuramente vai haver leite biológico, mas se calhar já não é suficiente”, refere Jaime Ferreira.

Um dos indicadores desse potencial é a oferta destes produtos nas cadeias da grande distribuição. “Um dos consumos que vimos cada vez maior, e veja-se superfícies que também têm produtos biológicos, como o Aldi ou mesmo o Lidl, que têm produtos na gama dos latícinios que são dos mais consumidos”, observa o presidente da Agrobio. Os cereais e as leguminosas são outras categorias com muita falta de produtos nacionais. “Nos cereais também é tudo importado. Aquilo que as pessoas gostam mais são os cereais para o pequeno-almoço e outro tipo de alimentos e, na verdade, não há. É tudo importado. As próprias leguminosas, que há um interesse crescente no consumo, também são muito importadas”, acrescenta.

Faturação da Sonae cresce a dois dígitos

A avaliar pelo ritmo de crescimento de faturação da área de produtos biológicos na Sonae, é de deduzir que a agricultura biológica tem uma grande margem de crescimento. E isso é visível não só nos espaços especializados da Sonae, mas também nas lojas do Continente. Embora não sejam adiantados números sobre o quanto estes produtos valem na faturação, o seu ritmo de crescimento faz a Sonae querer continuar a sua política de investimento nesta área. “Esta área está presente na Sonae MC pelas lojas Go Natural, mas também na oferta já disponível na área Bio e Saudável nas mais de 270 lojas Continente, que também tem vindo a crescer em número de produtos no interior das lojas. É, seguramente, um dos setores de maior aposta da Sonae MC e atualmente regista já um crescimento de dois dígitos. Acreditamos que a área Bio e Saudável vai continuar a surpreender, sempre pela positiva”, revela Frederico Paiva.

A Sonae adquiriu, em 2016, uma posição maioritária na empresa Go Natural. No ano seguinte adquiriu a Brio, empresa que detinha seis supermercados especializados em biológicos. Mais recentemente foi a vez da Amor Bio, empresa com duas lojas especializadas em Lisboa. No caso da Amor Bio, Frederico Paiva diz que a Sonae está a estudar várias possibilidades quanto à denominação da marca. O mesmo sucede em relação ao sortido dessas lojas. “Acreditamos que o mais importante é apresentar uma ampla oferta nas lojas, que se distinga pela qualidade dos produtos, colocando assim ao serviço dos nossos clientes a melhor proposta de valor”, avança.

A cadeia de distribuição admite que, no futuro, possa prosseguir a expansão da rede de lojas em produtos biológicos. Mas não avança detalhes quanto aos planos da empresa. “Estamos atentos ao mercado e, sempre que surgirem oportunidades, pretendemos prosseguir com este caminho de expansão, com perspetivas ambiciosas de futuro”, refere Frederico Paiva. E explica porquê: “Atualmente há uma predisposição evidente para a temática e vemos os portugueses cada vez mais interessados nos produtos biológicos e saudáveis, o que se traduz numa excelente oportunidade para nós”. Frederico Paiva adianta ainda que a empresa está focada “em alargar o acesso dos consumidores a estes produtos sempre a preços atrativos”. É nosso objetivo democratizar o acesso a estas soluções que são cada vez mais prioritárias e não apenas uma alternativa”, acrescenta.

Da parte da Agrobio, a ideia da associação é também que o aumento da produção traga uma democratização do consumo de produtos biológicos. “Há muito trabalho a fazer e é possível produzir de forma mais acessível. Não é o preço ficar igual ao nível do convencional. A ideia é uma diferença de preço de 20 a 30 por cento. Acho que o consumidor está disposto a fazer essa diferença”, menciona Jaime Ferreira.

Para a Sonae, a democratização do consumo não é um mero chavão. Trata-se de ir ao encontro da mudança dos hábitos de alimentação dos consumidores portugueses. “Os hábitos de consumo estão a alterar-se substancialmente. Os consumidores de hoje são mais informados, mais atentos, mais exigentes. Procuram, de forma transversal, alternativas mais saudáveis como produtos com 0% de açúcares ou gorduras adicionadas, produtos provenientes de agricultura biológica ou free from”, refere.  Além da expansão das lojas especializadas, a Sonae está a aumentar o número de gamas e de referências de produtos biológicos e saudáveis. O lançamento da marca Continente Bio, com referências como ovos, bebidas vegetais, é um dos exemplos. “Representam a vontade de ir ao encontro das necessidades dos clientes”, explica Frederico Paiva.

A Sonae pretende ainda aproximar mais os clientes dos produtos biológicos. Daí o lançamento, em Lisboa, do primeiro restaurante de rua com a marca Go Natural. E a estratégia é para prosseguir. “Queremos que a Go Natural esteja junto dos clientes, num formato de proximidade. Acreditamos que o mercado de proximidade no retalho ainda tem espaço para ser explorado. Por isso é que inaugurámos um conceito fora dos centros comerciais. A loja de rua garante conveniência aos nossos clientes, vocacionado para as compras do dia-a-dia”, explica Frederico Paiva.

Para Jaime Ferreira, a estratégia da Sonae é elucidativa do potencial de crescimento do mercado de produtos biológicos, mesmo admitindo que todas as cadeias de retalho estejam a reforçar o leque de oferta de produtos biológicos nos super e hipermercados. “A Sonae percebeu, por exemplo, que, embora os produtos biológicos dentro dos espaços do Continente, em termos gerais são ainda poucos, mas a verdade é que esses produtos tinham uma taxa de venda de 60% face aos outros. Perceberam que havia aqui uma oportunidade enorme e que havia um desejo enorme de ter produtos biológicos”, observa. “Os outros também seguiram este caminho. Mas, para nós, na agricultura biológica e na comercialização, há claramente vários caminhos. “Há a grande distribuição, há os mercados de proximidade e estes locais, porque as pessoas têm interesse em consumir aqui”, finaliza.

*Artigo originalmente publicado na edição de agosto do Jornal Hipersuper

 

 

Sobre o autorFilipe Pacheco

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“O setor do vinho é muito desafiante e ao mesmo tempo muito resiliente”

“Defendemos uma PAC virada para o mercado, porque os decisores políticos têm que perceber que está tudo no mercado. Não adianta estarmos a criar medidas para a produção se depois não conseguimos vender”, alerta Ana Isabel Alves, diretora executiva da ACIBEV, em entrevista.

A Associação de Vinhos e Espirituosas de Portugal (ACIBEV) reúne cerca de 100 associados que representam em torno de 800 milhões de euros de volume de negócios para o país. Nesta entrevista ao Hipersuper, a diretora executiva desta associação empresarial, criada em 1975, fala sobre os desafios e oportunidades do setor dos vinhos, a política de aumento de impostos para diminuir o consumo problemático, as novas tendências de consumo, entre outras questões. “Defendemos uma PAC virada para o mercado, porque os decisores políticos têm que perceber que está tudo no mercado. Não adianta estarmos a criar medidas para a produção se depois não conseguimos vender”, alerta Ana Isabel Alves.

Fotografias Frame It

O estudo inédito ‘Setor do Vinho – Avaliação de Impacto Socioeconómico em Portugal’, realizado pela Nova SBE para a ACIBEV, revelou que o setor gera 168 mil empregos diretos, indiretos e induzidos em Portugal e contribui com 1.510 milhões de euros para as receitas fiscais do país.

Como avalia o impacto económico do setor do vinho em Portugal? Em valor acrescentado de produto, em emprego gerado.
É muito bom que comece por essa pergunta, porque me permite falar sobre um estudo inédito e inovador que a ACIBEV encomendou à Nova SBE, em 2022, precisamente sobre o impacto socioeconómico do setor vitivinícola em Portugal.
Ao nível do país havia uma noção desse impacto, mas não havia dados concretos. Portanto, desde 2022 temos dados concretos elaborados por uma entidade isenta, como é a Nova SBE, sobre o impacto do setor em Portugal. Fizemos uma brochura, que vamos agora entregar ao novo governo e aos stakeholders com quem vamos interagir, com um resumo daquilo que o setor do vinho representa em Portugal.
O que salta mais à vista é o número de postos de trabalho que nós criamos. Entre diretos, indiretos e induzidos, a Nova SBE chegou à conclusão de que eram 168 mil. E aqui há uma questão muitíssimo importante, que é o impacto do emprego no interior do país. Há muitos setores que criam muito emprego em Portugal, mas que normalmente estão na faixa litoral e nós temos uma série de concelhos identificados no nosso estudo, onde o emprego privado representa mais de 50% do emprego da região. E se formos verificar o ‘top ten’ do peso do emprego, estão Santa Marta de Penaguião, São João da Pesqueira, na zona do Douro, e também Redondo, na zona do Alentejo. Depois temos Vila Nova de Foz Coa, Alijó, Freixo de Espada à Cinta, Vidigueira, Pinhel, Borba e Reguengos de Monsaraz. Portanto, essencialmente no interior e nestas duas regiões, Douro e Alentejo.
Depois, temos também quantificadas todas as outras questões. Por exemplo, contribuímos com 1.510 milhões de euros para as receitas fiscais, para 2,7% do PIB, 92% dos fornecimentos do setor são produzidos em Portugal. Quase tudo é feito em Portugal, desde as garrafas, à rolha de cortiça, aos rótulos, os produtos enológicos…

O setor movimenta várias áreas da economia…
Exatamente. Em todos os concelhos onde se produz vinho, por um lado, o setor movimenta uma série de outras áreas – a enologia, enoturismo, que é muito importante, o marketing… Depois há os tais empregos induzidos em outras atividades em sítios onde há esta vertente vitivinícola, que acabam por viver à volta, pelo facto de existir uma comunidade, ou um produtor, ou vários produtores de vinho naquela região.
Outra conclusão muito importante é que mais de 95% das nossas empresas são micro e pequenas empresas. Portanto, não estamos a falar de um setor que seja de grandes empresas, é um setor muito atomizado, essencialmente de pequenas e microempresas.
Depois temos o enoturismo, onde há dados que referem que 10% daqueles que visitaram Portugal nos últimos anos vinham exclusivamente com motivos associados ao vinho. Isto é muito importante, porque muda também a sazonabilidade do turismo, as pessoas não vêm só pela praia e pelo sol, já vêm durante todo o ano e deslocam-se inclusivamente para o interior do país, para irem visitar o nosso enoturismo, para fazerem provas de vinhos, para conhecerem os nossos vinhos. Nós somos um país extremamente rico, temos uma lista enorme de castas e uma variedade muito grande de vinhos. Somos um país pequeno, mas temos um portfólio de vinhos enorme e isso que torna-nos um país muito rico em termos de vinhos e vinícolas.

Quanto ao universo de associados da ACIBEV, é possível quantificar o valor do negócio que representam a nível nacional e na exportação?
Nós temos cerca de 100 associados e estimamos que eles representem cerca de 800 milhões de euros, de volume de negócios. Destes 800 milhões de euros, cerca de 50% a 60% será referente à exportação, porque nós reunimos as maiores empresas exportadoras portuguesas e quando refiro as maiores empresas estou a falar quer em termos de tamanho, quer em empresas, que embora sendo pequenas, exportam vinho caro, digamos assim.
Portanto, de grande valor, grandes marcas! São essencialmente empresas que criam marcas e que valorizam a ‘marca’ Portugal. Por força da legislação comunitária, somos obrigados a ter no rótulo a palavra Portugal. Portanto, somos uns embaixadores do país.

Referiu o contributo do setor para as receitas ficais e para o PIB. Como é que pode e poderá este contributo ser dinamizado, digamos assim, para reforçar a importância do setor junto dos decisores políticos, dos governantes?
Eu acho que a maior parte dos decisores políticos têm noção do peso económico que nós representamos para o país. O que é muito importante, é passar a ideia, e tomarem consciência, da importância cultural que o vinho tem para a nossa população. Porque há países onde o vinho também representa uma parte importante das receitas do país, mas onde não há esta ligação social e cultural com o produto, como nós temos.
O vinho faz parte da nossa cultura desde sempre. O português tem um hábito que é muito saudável e que é reconhecido pela própria Organização Mundial de Saúde, que é beber vinho às refeições. Ao contrário de outros povos, nós temos o hábito de beber vinho integrado na dieta mediterrânea. E muitas vezes Portugal é referenciado a nível mundial, porque é considerado o maior consumidor per capita de vinho do mundo. Mas quando se vai verificar o tipo de consumo que temos, chega-se à conclusão de que Portugal tem um consumo de baixo risco. Ao contrário de outros países, como os do norte da Europa, que têm consumos per capita mais baixos que os nossos, mas depois têm padrões de consumo mais problemáticos.
O que é que isto significa? Por exemplo, nós temos 52, 53, 55 litros per capita de consumo de vinho. Mas depois vai-se ver o padrão de consumo e de um a cinco, é um. Significa que não é problemático. Porque nós, normalmente, acompanhamos o vinho com a refeição e, normalmente, um copo de vinho ao almoço, outro ao jantar.
Eu não estou a dizer que não haja problemas de alcoolismo em Portugal. Claro que há, e o setor do vinho é muito consciente. Há 15 anos que tem um programa de responsabilidade social precisamente para educar as pessoas para consumirem moderadamente, porque nós queremos que as pessoas apreciem o nosso vinho e bebam com moderação.
É um programa internacional, chama-se precisamente ‘Wine in Moderation’. Em português chama-se ‘Vinho com Moderação’ e nós queremos que as pessoas, dentro da nossa cultura, aprendam a beber com moderação, aprendam a apreciar o nosso vinho, aprendam a degustar, a saber como devem beber, com que tipo de comida determinado tipo de vinho fica melhor, que devem acompanhar, por exemplo, sempre o vinho com um copo de água, que não devem beber mais do que o determinado.
Daí que seja muito importante esta mensagem, e era isso que nós gostaríamos que os nossos políticos reconhecessem: esta ligação cultural do vinho ao nosso povo e a importância económica que ele tem para o país, e que não cedessem à tentação de importar cá para o país medidas e políticas que eventualmente não façam sentido para a nossa realidade.

Mas há um movimento que defende o aumento dos impostos sobre o álcool como forma de desincentivar o consumo. Qual é a posição da ACIBEV, e dos seus associados, em relação a esta questão?
A ACIBEV é contra todas as chamadas políticas de preço. E nas políticas de preço, nós incluímos tudo: o aumento dos impostos, o ‘Minimum Unit Pricing’… E porquê? Em primeiro lugar, porque o nosso objetivo não deverá ser diminuir o consumo, mas sim, diminuir o consumo problemático. Ou diminuir os problemas ligados ao consumo nocivo.
O consumo em si não é mau, o que é mau é o abuso de bebidas alcoólicas. Portanto, o país deve adotar políticas que tenham como objetivo diminuir ou acabar com o consumo abusivo e o consumo problemático de bebidas alcoólicas. E isso não se faz com medidas universais, como as políticas de preço.
As políticas de preço vão essencialmente abarcar as pessoas que consomem moderadamente. Vão ficar prejudicadas com esse aumento de preço, e o que vai fazer é que diminuam o consumo. Porque quem tem problemas com o álcool, irá sempre comprar: se o vinho estiver mais caro, ele vai comprar mais barato. Se o vinho estiver tão caro que ele não possa comprar, no limite, vai destilar em casa, vai fazer em casa outro tipo de álcool.
As políticas de preço não resolvem o objetivo específico e concreto da diminuição do consumo problemático. Por isso, nós estamos contra. Até porque, num setor como o vinho, essencialmente composto por pequenas e microempresas, o que vai acontecer é que poderá diminuir o consumo e vai impactar nas nossas empresas. Porque vai fazer com que também tenham menos dinheiro disponível para investir em inovação, em promoção na exportação, naquilo que lhes traz mais valias. E isto é uma reação em cadeia: se as empresas não conseguem vender ou não vendem bem, por sua vez não podem pagar bem aos viticultores e depois são os viticultores, no fim da cadeia, os mais prejudicados, porque acabam ou por abandonar as vinhas, ou por se desinteressar.
Nós sabemos que em Portugal ainda há uma série de viticultores e de áreas de vinha muito pequenas, nomeadamente no Douro, por exemplo, muito pequeno e muito repartido. E se não forem bem remunerados, obviamente os produtores abandonam. As pessoas estão cada vez mais velhas, os mais novos vêm para a cidade, não têm atração pelo campo, e se criarmos um ambiente em que se as empresas não conseguem vender melhor, não têm capacidade de pagar melhor aos viticultores, o que vai acontecer é que acaba por haver abandono da vinha, o que é mau para todo o mundo. É mau em termos sociais, é mau em termos económicos…

Pode dizer-se que há um ‘cerco’ ao consumo de álcool que atinge o setor dos vinhos? Na Irlanda, por exemplo, uma nova lei prevê, já em 2026, a inclusão de informações nos rótulos semelhantes às dos maços de tabaco…
Sim, e nós temos contestado sempre essas tentativas, nomeadamente de divulgação e de inclusão na rotulagem, por exemplo, de informações relativas ao cancro, e que dizem, por exemplo, como na Irlanda, que o vinho ou as bebidas alcoólicas causam cancro. Felizmente Portugal também tem contestado, porque nós consideramos que é uma informação errada: as bebidas alcoólicas em excesso podem causar o cancro, como tudo em excesso, pode causar o cancro.
Nós não percebemos porque é que as bebidas alcoólicas hão de estar a ser penalizadas com uma informação que não é 100% correta, porque não está cientificamente provado que consumir vinho com moderação, acompanhado de exercício físico, não seja compatível com o estilo de vida saudável. Nós temos que ter mensagens, como fazemos no ‘Wine in Moderation’, de consumo moderado: avisar as pessoas que não devem beber excessivamente, porque o nosso produto não é um produto inócuo, tem álcool; devem beber com moderação, as grávidas não devem beber, os menores não devem beber, se as pessoas beberam não devem conduzir. Portanto, há toda uma série de regras que fazem parte do nosso programa ‘Wine in Moderation’, que estamos sempre a reiterar. Agora, não podemos aceitar que nos obriguem a colocar no rótulo, como na Irlanda, que o vinho causa cancro.

A ACIBEV lançou um plano estratégico para o período de 2024-2026. Um dos objetivos estabelecido é o de melhorar a competitividade do setor e a sua sustentabilidade económica. O que é necessário para que isso aconteça, por um lado, e por outro lado, quais são os fatores impeditivos?
A nossa associação europeia, o CEEV (Comité Européen des Entreprises Vin), fez um manifesto, a propósito das eleições europeias, que temos vindo a distribuir pelos decisores políticos e faremos também chegar aos eurodeputados. Este manifesto identifica os desafios do setor vitivinícola neste momento e as prioridades.
Em termos de desafios do setor, temos alguns que são muito importantes. Por um lado, a tendência, que se tem vindo a ver na União Europeia, de declínio do consumo do vinho. Por outro lado, a mudança nas tendências de consumo. Antigamente, vinho era tinto. Neste momento está-se a verificar uma tendência de consumo de branco e rosé espumantes. Isto está a ser desafiante para as regiões, por exemplo, que essencialmente eram regiões de vinho tinto. As que são conhecidas por terem brancos muito bons, estão a ter imenso sucesso, isto também é outra mudança de paradigma.
O setor do vinho é muito desafiante e ao mesmo tempo muito resiliente. E é um setor que está sempre a inovar e sempre atento ao consumidor. E aquelas empresas que não olham para o consumidor e não estão atentas a estas novas tendências acabam por morrer.
Por outro lado, há um problema gravíssimo: a incerteza no comércio mundial. Nós fomos muito impactados também com a guerra na Ucrânia, a guerra em Israel e na Palestina, a disrupção com o Covid. Nem foi tanto o Covid em si, porque continuámos a exportar. O nosso problema com o Covid foi mesmo a logística e a disrupção das cadeias de logística durante a pandemia.
Depois, o desafio de tudo quanto tem a ver com o álcool e saúde, aquilo de que estávamos a falar há pouco. Nós chamamos-lhe a ‘demonização do vinho’: os rótulos do cancro, os impostos altíssimos, a separação estrutural. Portanto, nós temos que mostrar, nomeadamente em Portugal e também nos outros países para onde exportamos, que o vinho faz parte da nossa cultura e que, devido a uma moderação, é compatível com o estilo de vida saudável.
Há as alterações climáticas, um grande desafio para o setor do vinho porque, cada vez mais, há fenómenos climáticos extremos, ora não chove e temos a queima total das vinhas, ora estamos em inundações, ora temos granizo que estraga as uvas.
Depois, em certas alturas há também um grande desfasamento entre a oferta e a procura. Por exemplo, regiões que neste momento façam essencialmente vinho tinto têm um desfasamento entre a oferta e a procura, porque têm excesso de estoques de vinho tinto e as pessoas essencialmente querem beber vinho branco; as regiões que só fazem vinho branco, se calhar, andam aflitas porque têm falta de vinho branco.
E depois, há toda a questão do aumento dos custos de produção. No ano passado, por exemplo, subiram brutalmente os custos do vidro. 2023, com a inflação, foi muito desafiante para o setor, também por causa de todo o aumento dos custos de produção.

Em termos de prioridades para o futuro, do que é que nós precisamos? 
Precisamos de uma PAC virada para o mercado, que é essencial. Ouvi na rádio que durante a campanha para as eleições europeias falou-se pouco de uma coisa que é verdade: mais de 50% da legislação, nomeadamente do vinho, mas muito mais de 50%, é definida na Europa, não é aqui, não é Portugal que manda, a Europa é que manda.
E aí a ACIBEV trabalha muito, muito o dossier europeu, nós temos uma grande ligação à Europa. Praticamente dois em dois meses vou a Bruxelas, e todos os dias aqui acompanhamos o dossier europeu, porque de facto é em Bruxelas que se decide tudo. Defendemos uma PAC virada para o mercado, porque os decisores políticos têm que perceber que está tudo no mercado. Não adianta estarmos a criar medidas para a produção se depois não conseguimos vender. Primeiro, temos que vender bem, temos que exportar bem e ganhar valor. Portanto, temos que apostar no mercado, apostar, por exemplo, ao nível europeu, nos acordos de comércio internacional. Há anos que se anda a falar num acordo com o Mercosul, é importantíssimo para nós. O Brasil é um dos nossos principais mercados e temos uma concorrência feroz dos países do Mercosul, que têm impostos zero, enquanto nós pagamos impostos altíssimos. Portanto, era muito bom que se pudesse dinamizar mais a parte do Mercosul.
Depois, também, tudo o que tem a ver com a inovação. Nós precisamos que a União Europeia perceba que tem que facilitar, em termos regulamentares. Eu diria que o setor vitivinícola deve ser dos setores agroalimentares mais regulamentados a nível europeu, porque é tudo regulamentado, desde o rótulo às práticas enológicas, ao tamanho da garrafa, tudo, tudo é regulamentado.
E a União Europeia tem que começar a perceber que tem que ser mais flexível, porque nós temos que nos adaptar às tendências do consumidor. Vou-lhe dar o exemplo do vinho sem álcool: já está no mercado e só agora é que a União Europeia o está a regulamentar. Nós aqui, em Portugal, já temos vinho sem álcool há 14 anos. Felizmente Portugal aceitou a regulamentação e aceitou que ele estivesse no mercado, mas só agora é que em termos da União Europeia, isto está a começar a ser regulamentado.
Nós não podemos esperar 14 anos, porque há um potencial de crescimento, por exemplo, nos países muçulmanos, que não podem beber álcool e nós podemos exportar para lá. Há países que são muito exigentes em termos de condução, em que as pessoas querem estar a socializar e podem perfeitamente pedir um vinho sem álcool, assim como pedem uma cerveja sem álcool.
Há uma série de inovações que se podem fazer, os ready to drink, as bebidas aromatizadas, já feitas. Quer dizer, o consumidor está, e nomeadamente os mais jovens, a pedir muito esse tipo de bebidas e a União Europeia tem que ser mais aberta.
Há outra questão também muito importante: a adaptação às alterações climáticas e para a transição ecológica. Nós somos os primeiros a defender que tem que haver uma transição ecológica e nós temos que ajudar a combater as alterações climáticas. Por exemplo, em termos de água, hoje em dia temos uma viticultura também bastante desenvolvida.

A água é um grande problema?
Nós temos sítios onde a água é muito problemática. Por exemplo, à volta do Alqueva, temos sítios onde era necessário fazer uma pequena ligação e anda-se há anos à espera. Mas a vinha não gasta muita água, porque nós temos o sistema gota-a-gota. E só utilizamos água para quebrar o chamado stress hídrico da videira. Nós não regamos, nós quebramos o stress hídrico da videira.
A questão das alterações climáticas não pode ser (resolvida) de um dia para o outro. Não nos podem proibir, de um dia para o outro, utilizar certos fertilizantes, certos fitofármacos, porque não há alternativas no mercado. E não haver alternativas significa, haver podridão ou ver as culturas não vingarem.
Outra das prioridades que defendemos é a digitalização. Para nós a digitalização é muito importante, é uma área completamente inovadora na área do vinho, que tem a ver com duas coisas. A primeira, os rótulos eletrónicos.

Os e-labels?
Exatamente. Durante muitos anos estivemos isentos de colocar no rótulo os ingredientes e as calorias. E graças a uma proposta de Portugal, ficou previsto na PAC que tínhamos que expor as calorias no rótulo.
Os ingredientes podíamos expor no chamado e-label, que é um QR Code. Ao fazemos scan vai nos dirigir para uma plataforma – existem várias plataformas, mas U-Label é a que foi patrocinada pela nossa federação europeia – que vai permitir que os ingredientes e outra informação nutricional e alguma informação como a ligada ao ‘Wine and Moderation, possam ser lidas na língua da pessoa que está a ver. Esta é a grande vantagem do rótulo eletrónico. E, no futuro, até pode ser utilizado também para outro género de informações ligadas ao consumo responsável, às advertências de saúde e coisas do género.
Esta é a parte da digitalização que o vinho tem e foi absolutamente inovador no agroalimentar. Foi uma ideia que surgiu na nossa federação europeia do vinho. Passámos para o IVV, tivemos um grande apoio do IVV, depois o governo português fez a proposta em Bruxelas e Bruxelas aceitou. E, portanto, foi a partir daí que apareceu na PAC e depois foi regulamentado.
Desde o dia 8 de dezembro de 2013, que não só se tornou obrigatório os vinhos produzidos a partir dessa data terem os ingredientes, como o produtor poder optar por pôr os ingredientes no rótulo, como têm os iogurtes, ou colocar o QR Code. Como só passou a ser obrigatório para vinhos produzidos a partir do 8 de dezembro de 2023, em bom rigor, há exceções, mas eu diria que a grande maioria só se vai aplicar a vinhos da campanha de 2024.
Portanto, só a partir da vindima de 2024 é que vai ser mesmo obrigatório aparecerem em todo o lado, embora já haja muitas empresas que tenham voluntariamente colocado em muitos rótulos o QR Code. Tem um potencial enorme, porque se a Comissão Europeia deixar, nós podemos pôr lá muita outra informação. Agora, achamos é que deve ser informação útil, que os consumidores queiram.

Na sua opinião, na opinião da ACIBEV, de que apoios necessitam os viticultores aos quais ainda não tiveram acesso?
Eu costumo dizer que nós não pedimos muito. Nós só queremos que nos deixem trabalhar. Portanto, os apoios que existem atualmente, nomeadamente os apoios europeus, desde que bem implementados, são bons e funcionam bem. Nomeadamente, a medida de apoio à promoção. No nosso caso, que representamos empresas do comércio, é absolutamente fundamental para nós a medida de apoio à promoção. Era muito importante, a nível europeu e a nível nacional, que houvesse uma simplificação, porque muitas vezes a medida é muito burocrática, é muito complicada. As empresas são muitas vezes confrontadas com auditorias, já depois dos eventos se terem realizados, onde lhes são pedidos documentos que eles já não têm, porque já passaram dois, três, quatro anos. E, portanto, era preciso tornar a medida de promoção mais simples, sem perder, obviamente, a fiscalização.
Porque, como eu tenho dito desde o início, nós temos que abrir mercados, nós temos que abrir caminhos, nós temos que vender melhor. E muito do sucesso dos vinhos de Portugal, também tem passado pela promoção que se tem feito em países terceiros. Temos que continuar a vender, a vender cada vez mais, e, principalmente, a vender cada vez melhor. E vinhos mais caros. É o nosso grande desafio, vender cada vez melhor e mais caro
Para além disso, em termos de apoio do Estado, o que nós pedimos é a máxima desburocratização, a digitalização. Do Estado português e do governo português, o que é que nós pedimos muito? O grande apoio, a nível europeu, contra as políticas anti-álcool. Como expliquei inicialmente, nós somos um país onde o vinho faz parte da cultura, onde o vinho tem uma grande importância para a economia. Nós somos um importante país produtor e, portanto, nós precisamos do governo português. Nós precisamos que Portugal vá lá fora, à Europa, e se oponha a todos aqueles fundamentalismos anti álcool que põem em causa a nossa sustentabilidade.

Quais são as expectativas da ACIBEV para esta nova legislatura? Será essa a maior expetativa?
Eu diria que esse é o grande desafio e esperamos ter um grande apoio, nomeadamente do Sr. Ministro da Agricultura, que tem uma enorme experiência europeia, no Parlamento Europeu, e com quem nós tivemos contatos enquanto era eurodeputado. Conhece bem o setor do vinho e nós esperamos que seja um grande apoio na defesa dos interesses do vinho a nível europeu contra estas medidas anti álcool.

Esta entrevista foi publicada na edição 424

Sobre o autorAna Grácio Pinto

Ana Grácio Pinto

Não Alimentar

Nhood Portugal e a Nhood Espanha unem-se para dinamizar área de negócio

A empresa acaba de nomear Carlos Costa como diretor de asset management Iberia e Luís Arrais como diretor de property management Iberia.

Hipersuper

A Nhood Portugal e a Nhood Espanha uniram esforços para dinamizar uma das suas principais linhas de negócio: a área PAS (Property & Asset Management), que é reforçada com a nova organização de Asset Management e Property Management, “dois departamentos fundamentais para atingir os objetivos estratégicos 2024-2028”, informa a empresa.

Nesse sentido, a empresa acaba de nomear Carlos Costa como diretor de asset management Iberia e Luís Arrais como diretor de property management Iberia. Ambos serão responsáveis pela definição da estratégia dos respetivos departamentos, tendo em conta a filosofia de triplo impacto positivo da Nhood (pessoas, planeta e lucro) e o equilíbrio dos usos mistos, promovendo a regeneração e transformação dos locais.

Luis Arrais

Sofia Ferreira de Almeida, responsável pela Nhood Portugal, e Teresa Verdugo, responsável pela Nhood Espanha, afirmam que “com estas novas nomeações, a Nhood alcançará grandes êxitos e realizações, melhorando a qualidade dos ativos geridos e reforçando a confiança que os clientes depositam na empresa”.

A Nhood é uma plataforma de soluções imobiliárias para projetos mistos, detida pela Associação Familiar Mulliez, que atua na regeneração imobiliária urbana.

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Já pode ler a edição 424

O Meu Super está em destaque na edição 424 do Hipersuper. O diretor-geral João Melo partilha, em entrevista ao nosso jornal, as estratégias que têm levado ao crescimento e expansão da cadeia de supermercados, que se tornou uma referência quando falamos de proximidade.

Hipersuper
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Nesta edição pode também ler uma entrevista com a diretora executiva da ACIBEV. Ana Isabel Alves fala sobre o impacto socioeconómico do setor do vinho em Portugal, que gera 168 mil empregos e contribui significativamente para as receitas fiscais do país. A entrevista aborda ainda as políticas de preço, a importância da PAC e as novas tendências de consumo.

Estivemos na apresentação da Cofidis Portugal que revelou as conclusões do estudo europeu que analisa os hábitos de compra e pagamento dos consumidores. Carla Monteiro, responsável comercial da CofidisPay, destaca os principais resultados desse estudo fala sobre os objetivos e valores que a empresa continuará a defender.

A Missão Continente apresentou o Relatório de Impacto Social, que demonstra o compromisso da marca com a inclusão social, saúde e educação. Mais de 11 mil pessoas foram beneficiadas através de diversos projetos, mostrando a importância da transparência e do envolvimento comunitário. Fomos falar com Nádia Reis, diretora de comunicação e responsabilidade social do Continente, que sublinha: a transparência é mesmo “pedra basilar, é estrutura central naquilo que é a atuação da Missão Continente”.

Nesta edição de junho leia também a entrevista com Leonor Assunção, brand manager da marca Nacional do Grupo Cerealis, que destaca o papel significativo da marca no grupo e como tem equilibrado a sua herança com a necessidade de inovação para se manter relevante num mercado em constante mudança.

Esta edição, inclui também com um artigo sobre as bebidas de verão que combinam sabor, conveniência e responsabilidade ambiental, refletindo as mudanças nos hábitos de consumo e a crescente preocupação com a sustentabilidade. Escrevemos ainda sobre a importância das conservas no verão, enfatizando a conveniência e a praticidade desses produtos e a importância dos molhos e condimentos, especialmente em saladas e grelhados.

Também estivemos na apresentação das tendências de consumo nos setores da panificação, pastelaria e chocolate para 2024, com foco em sustentabilidade, saúde e inovação. O estudo “Taste Tomorrow” identifica as preferências dos consumidores por produtos naturais, saudáveis e sustentáveis​​.

Fomos ouvir Bruno Borges, CEO da iServices, que fala sobre a evolução da empresa, os planos de expansão e as tendências no setor de tecnologia e Gonçalo Morais Tristão, presidente do CEPAAL, que entrevistamos, na sequência do 7º Congresso Nacional do Azeite. O responsável aponta a criação de mais valor à produção nacional como um dos grandes desafios do setor e a questão da água como um grande obstáculo.

Pode ler ainda como as alterações ao estilo de consumo moldam inovação nas águas e os artigos de opinião de Emanuele Soncin, business unit director de Portugal, Espanha e França da Checkpoint Systems, Sara Monte e Freitas partner da Monte e Freitas | ERA Group, Filipe Luz head of sales strategy & team performance da CEGOC, Vitor Ribeiro Gomes, CEO da Pendular e Patrícia Martins, consultora industrial na Bosch Industry Consulting e a análise de César Valencoso Consumer Insights Director da Kantar sobre as Oito regras para uma inovação bem sucedida no Grande Consumo.

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Na iServices da KidZania os mais pequenos podem ser técnicos de reparação

A iServices acaba de abrir uma loja de reparação de smartphones na KidZania. É a única loja da marca que oferece a colocação de películas de hidrogel, pelos pequenos técnicos, aos adultos que acompanham as crianças.

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A iServices acaba de abrir uma loja de reparação de smartphones na KidZania. É a única loja da marca que oferece a colocação de películas de hidrogel, pelos pequenos técnicos, aos adultos que acompanham as crianças.

A KidZania é um parque temático para crianças até aos 15 anos, situado no UBBO Shopping. Recria uma cidade construída à escala dos mais pequenos e onde estes podem brincar às profissões num ambiente realista.

Com a presença de equipamentos recondicionados, acessórios e gadgets da marca, o espaço da iServices está pensado para consciencializar de forma interativa e divertida os mais jovens para a utilização de equipamentos recondicionados, ao promover o conceito de economia circular.

Localizado junto ao aeroporto da KidZania, “o novo espaço é a réplica perfeita das lojas iServices com a presença de produtos da marca e ferramentas de reparação verdadeiras, exceto as baterias pois as reais são compostas por lítio”, informa a marca. A experiência com cerca de 20 minutos é evolutiva e começa de imediato com a reparação de smartphones, substituição de baterias e as crianças a terem a oportunidade de vender acessórios e recondicionados.

“É uma forma de enaltecer e prestar homenagem a todos os nossos técnicos e uma excelente oportunidade de mostrar aos mais pequenos o que é o trabalho diário da iServices”, destaca o CEO da empresa. Bruno Borges revela ainda que os pais vão ter, diariamente, acesso a esta atividade, já que “vão poder obter uma película colocada pela iServices de forma gratuita (apenas aqui na Kidzania concedemos esta oferta) e para nós esta ação é importante, porque cada película é mais uma família que é impactada pela nossa atividade”.

Fundada em 2011, a iServices tem atualmente mais de 200 colaboradores e está presente com mais de 40 lojas em Portugal Continental, Açores, Madeira, Ilhas Canárias e Bélgica. Contabiliza mais de vinte mil reparações por mês em equipamentos multimarca, sendo ainda o representante oficial, em Portugal, da marca de drones DJI.

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Leia a edição 424

João Melo, diretor-geral do Meu Super, está em destaque na edição 424 do Hipersuper. Em entrevista ao nosso jornal partilha as estratégias que têm levado ao crescimento e expansão da […]

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João Melo, diretor-geral do Meu Super, está em destaque na edição 424 do Hipersuper. Em entrevista ao nosso jornal partilha as estratégias que têm levado ao crescimento e expansão da cadeia de supermercados Meu Super, que se tornou uma referência quando falamos de proximidade.

Nesta edição pode também ler uma entrevista com a diretora executiva da ACIBEB. Ana Isabel Alves fala sobre o impacto socioeconómico do setor do vinho em Portugal, que gera 168 mil empregos e contribui significativamente para as receitas fiscais do país. A entrevista aborda ainda as políticas de preço, a importância da PAC e as novas tendências de consumo.

Estivemos na apresentação da Cofidis Portugal que revelou as conclusões do estudo europeu que analisa os hábitos de compra e pagamento dos consumidores. Carla Monteiro, responsável comercial da CofidisPay, destaca os principais resultados desse estudo fala sobre os objetivos e valores que a empresa continuará a defender.

A Missão Continente apresentou o Relatório de Impacto Social, que demonstra o compromisso da marca com a inclusão social, saúde e educação. Mais de 11 mil pessoas foram beneficiadas através de diversos projetos, mostrando a importância da transparência e do envolvimento comunitário. Fomos falar com Nádia Reis, diretora de comunicação e responsabilidade social do Continente, que sublinha: a transparência é mesmo “pedra basilar, é estrutura central naquilo que é a atuação da Missão Continente”.

Nesta edição de junho leia também a entrevista com Leonor Assunção, brand manager da marca Nacional do Grupo Cerealis, que destaca o papel significativo da marca no grupo e como tem equilibrado a sua herança com a necessidade de inovação para se manter relevante num mercado em constante mudança.

Esta edição, inclui também com um artigo sobre as bebidas de verão que combinam sabor, conveniência e responsabilidade ambiental, refletindo as mudanças nos hábitos de consumo e a crescente preocupação com a sustentabilidade. Escrevemos ainda sobre a importância das conservas no verão, enfatizando a conveniência e a praticidade desses produtos e a importância dos molhos e condimentos, especialmente em saladas e grelhados.

Também estivemos na presentação das tendências de consumo nos setores da panificação, pastelaria e chocolate para 2024, com foco em sustentabilidade, saúde e inovação. O estudo “Taste Tomorrow” identifica as preferências dos consumidores por produtos naturais, saudáveis e sustentáveis​​.

Fomos ouvir Bruno Borges, CEO da iServices, que fala sobre a evolução da empresa, os planos de expansão e as tendências no setor de tecnologia e Gonçalo Morais Tristão, presidente do CEPAAL, que entrevistamos, na sequência do 7º Congresso Nacional do Azeite. O responsável aponta a criação de mais valor à produção nacional como um dos grandes desafios do setor e a questão da água como um grande obstáculo.

Pode ler ainda como as alterações ao estilo de consumo moldam inovação nas águas e os artigos de opinião de Emanuele Soncin, business unit director de Portugal, Espanha e França da Checkpoint Systems, Sara Monte e Freitas partner da Monte e Freitas | ERA Group, Filipe Luz head of sales strategy & team performance da CEGOC, Vitor Ribeiro Gomes, CEO da Pendular e Patrícia Martins, consultora industrial na Bosch Industry Consulting e a análise de César Valencoso Consumer Insights Director da Kantar sobre  as Oito regras para uma inovação bem sucedida no Grande Consumo.

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Retalho

Kiabi adquire plataforma francesa Beebs

A Kiabi anuncia a integração, no seu universo de marcas, da Beebs, a plataforma francesa especializada em segunda mão para crianças,

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A Kiabi anuncia a integração, no seu universo de marcas, da Beebs, a plataforma francesa especializada em segunda mão para crianças.

Com esta aquisição, a KIABI acelera o desenvolvimento dos produtos em segunda mão através de uma oferta omnicanal, que lhe permite recolher e servir os seus clientes tanto digitalmente como em loja. “Esta aliança estratégica entre as duas empresas representa um importante passo na sua missão comum de oferecer soluções cada vez mais acessíveis e sustentáveis às famílias e, por sua vez, de as acompanhar na consciencialização das suas responsabilidades”, refere a Kiabi.

A Beebs foi fundada em 2020 por Morgan Hilmi e Arsène Huot para oferecer às famílias uma aplicação móvel para comprar e revender produtos em segunda mão para crianças. A plataforma cresceu significativamente desde o seu lançamento, tendo mais de dois milhões de utilizadores na sua aplicação móvel e cinco milhões de produtos à venda.

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Alimentar

Queijos Santiago lança o primeiro queijo fresco com fruta no mercado nacional

A Queijos Santiago lança o primeiro queijo fresco com fruta no mercado nacional, uma edição limitada para este verão nas versões sabor a ananás, mirtilo e maçã com canela.

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Teresa Moniz, marketing & communications manager da Queijos Santiago, destaca a importância de saber reinventar o mercado de forma a nunca perder a sua essência tradicionalmente portuguesa, “o prazer de ser saudável não é um conceito novo para a Queijos Santiago, mas gostamos sempre de inovar e trazer sabores únicos para o mercado, mesmo que pareçam combinações improváveis. O queijo fresco é um queijo que já sabe naturalmente a verão, adicionar fruta era toque especial que faltava.”.

Rico em proteína e vitaminas, tendo um baixo teor de gordura, a Queijos Santiago lança aquele que considera ser o snack ideal para este verão.

Para o lançamento dos novos Queijos Frescos com sabor a agência criativa Happy Brands desenvolveu uma campanha multimeios, assente numa estratégia de evolução do conceito “o prazer de ser saudável”, mantendo as principais linhas de identidade da marca

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Exportação

Inscrições para a Fruit Logistica 2025 estão abertas até 31 de julho

A última edição do certame reuniu 2.700 expositores de 91 países e recebeu 66 mil visitantes de 145 países. Portugal esteve representado por 21 empresas, incluindo um stand coletivo organizado pela Portugal Fresh, com uma área total de exposição 556 m2.

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A Fruit Logistica, uma das feiras internacionais mais importante para o setor da fruta fresca, regressa a Berlim, Alemanha, de 5 a 7 de Fevereiro de 2025. As inscrições para as empresas que queiram apresentar produtos, maquinaria e soluções naquele certame, estão abertas até 31 de julho no site da Fruit Logistica.

A edição de 2024 do certame reuniu 2.700 expositores de 91 países e recebeu 66 mil visitantes de 145 países. Portugal esteve representado por 21 empresas, incluindo um stand coletivo organizado pela Portugal Fresh – Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal, com uma área total de exposição 556 m2.

A presença em feiras internacionais do setor agroalimentar é uma das ações chave da Portugal Fresh no âmbito do seu Projeto Conjunto de Internacionalização para 2023-2025.

Prevê ainda a realização de missões empresariais e ações de prospeção em quatro novos mercados – Estados Unidos, Chile, Índia e Polónia (neste último caso, em 2025) – e iniciativas de promoção para acelerar a presença internacional do setor.

Apoiado pelo Portugal 2030 – Programa Operacional Competitividade e Internacionalização, o projeto prevê um investimento global de 1.561.663€, financiado em 48,8% pelo FEDER. O objetivo da Portugal Fresh é reforçar a competitividade das empresas nos mercados internacionais e atingir os 2500 milhões de euros de exportações de frutas, legumes e flores em 2030. Espanha, França, Países Baixos, Alemanha e Reino Unido continuam a ser os principais mercados e a União Europeia absorve 81% do valor exportado.

As exportações portuguesas de frutas, legumes, flores e plantas ornamentais atingiram um novo recorde em 2023 e somaram 2300 milhões de euros. Em comparação com o ano anterior, registou-se um aumento de 11,4% em valor, revelou o INE em fevereiro deste ano. Espanha, França, Países Baixos, Alemanha e Reino Unido continuam a ser os principais mercados e a União Europeia absorve 80% do valor exportado.

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Alimentar

Ministro da Agricultura e Pescas marca presença no congresso Interpera

Organizado pela AREFLH (Assembleia das Regiões Europeias Produtoras de Frutas, Legumes e Hortaliças) e pela ANP (Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha), o Interpera vai abordar os desafios atuais de um dos produtos portugueses mais exportados.

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José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura e Pescas, vai marcar presença no encerramento do Interpera, que decorre em Óbidos a 26 e 27 de junho.

Organizado pela AREFLH (Assembleia das Regiões Europeias Produtoras de Frutas, Legumes e Hortaliças) e pela ANP (Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha), o congresso internacional vai abordar os desafios atuais do setor da pera, um dos produtos portugueses mais exportados.

O evento arranca dia 26, com visitas técnicas a pomares, centrais de distribuição e centros de investigação da região Oeste, berço da produção de Pera Rocha, onde os participantes poderão conhecer o que de melhor se faz no setor em Portugal.

No dia 27, decorre no Auditório Praça da Criatividade em Óbidos, a conferência que incluirá debates e mesas redondas com especialistas nacionais e internacionais em agricultura. O primeiro painel reunirá representantes dos principais países europeus produtores de pera para analisar a campanha passada e revelar as previsões da primeira colheita deste ano.

Um segundo painel abordará os desafios que o setor enfrenta, começando com uma perspetiva da UE e analisando as atuais políticas e regulamentos em relação às alterações climáticas. A escassez de água em algumas zonas da UE e a saúde dos solos são outros desafios em destaque.

Um terceiro painel debruçar-se-á sobre o pomar do futuro, incluindo o projeto português de investigação, BioFago, que apresentará um agente antibacteriano natural.

O programa detalhado do Interpera pode ser consultado em www.interpera.org.

Portugal destaca-se como um dos principais produtores de pera na Europa, especialmente a variedade Pera Rocha. As exportações têm gerado receitas anuais na ordem dos 85 milhões de euros, “refletindo a crescente procura internacional pela Pera Rocha”, destaca a ANP. Em 2022/2023, a Pera Rocha nacional foi exportada para 20 países, tendo os mercados da Europa (50%), Marrocos (20%) e Brasil (20%), como principais destinos.

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Bebidas

Prova vertical de Tannat assinalou 25 anos de Luís Vieira à frente da Quinta do Gradil

Os 25 anos da gestão de Luís Vieira à frente da Quinta do Gradil foram o mote para uma prova vertical do Tannat, um dos principais vinhos daquela adega e, até 2021, o único Tannat monovarietal da região vitivinícola de Lisboa.

Os 25 anos da gestão de Luís Vieira à frente da Quinta do Gradil foram o mote para uma prova vertical do Tannat, um dos principais vinhos daquela adega e, até 2021, o único Tannat monovarietal da região vitivinícola de Lisboa.

Lançado no mercado em 2009, o Quinta do Gradil Tannat é fruto do investimento e inovação feito por Luís Vieira na vitivinícola do Cadaval, que passou por um trabalho de replantação de vinhas. Entre as variedades plantadas estavam 30 hectares do que o produtor classifica como “as castas mais improváveis, que a região de Lisboa ainda não tinha, mas que eram possíveis de fazer em Lisboa”, como a Tannat.

Os vinhos Tannat da Quinta do Gradil provêm de dois hectares de vinha desta casta plantada em 2006. Em 2022 e 2023, Luís Vieira plantou mais cinco hectares desta casta francesa o que vai permitir aumentar a produção de garrafas, neste momento situada entre as seis e as oito mil por colheita, como revelou Ana Penha, enóloga da Quinta do Gradil.

A prova vertical destacou quatro colheitas do Tannat – 2019, que acompanhou um tártaro de atum, 2018, que harmonizou com um carpaccio de vitela, 2015, a acompanhar um magret de pato e a primeira colheita, 2009, a acompanhar um bolo de chocolate de São Tomé.

Antes da prova vertical, foi revelado o ‘semiacabado’ Quinta do Gradil Tannat 2022, engarrafado há cerca de oito meses e que deverá chegar aos consumidores em novembro deste ano. No mercado está atualmente a colheita de 2021, vinho que foi dado a provar a seguir à prova vertical.

“Esta é uma casta com comportamentos completamente distintos em função do terroir onde está plantada”, explicou o enólogo António Ventura, consultor do Grupo Parras, ao qual pertence a Quinta do Gradil, acrescentando que o Tannat gosta de poda curta, de calor e de anos quentes. “É a casta ícone da Quinta do Gradil e uma das que mais acarinhamos”, sublinhou.

Implantada no Cadaval, entre a Serra de Montejunto e o mar, a Quinta do Gradil é uma propriedade que remonta a 1492, data dos seus mais antigos documentos. Ocupa uma área de 200 hectares dos quais 120 plantados com vinha, que dá origem uma gama com 19 referências, entre tintos, brancos, rosés, monocastas, e ainda reservas, um espumante, uma colheita tardia e uma aguardente.

Fotos: Quinta do Gradil

Sobre o autorAna Grácio Pinto

Ana Grácio Pinto

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