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Opinião. Portugal está na moda. O seu escritório está preparado?

Por a 4 de Maio de 2018 as 16:36
José Figueiredo_comparaja

José Figueiredo, diretor geral da plataforma de comparação de produtos de crédito e de telecomunicações ComparaJá.pt

Antes de mais é preciso respirar fundo. O título deste artigo pode parecer alarmista (e, se não se preparar, é caso para sê-lo), mas a verdade é que o facto de Portugal estar na moda tem mais vantagens que desvantagens. Traz consumidores e notoriedade para as empresas nacionais. Ajuda-as a escalar os seus negócios para o mundo, a transcenderem o mercado nacional. E isso, a prazo, torna as empresas em organizações mais produtivas e competitivas, prontas para, na senda da nossa rica tradição histórica, desbravar novos horizontes.

Portugal e as suas cidades são referidas no New York Times e na BBC. Ganham prémios como o World Travel Awards e a European Best Destination. O “The State Department” considera Portugal um dos países mais seguros do mundo. Tudo isto leva a que sejam cada vez mais os estrangeiros a escolher Portugal como o país por excelência para visitar e… viver. Segundo uma análise recente da Confidencial Imobiliário, os estrangeiros investiram 415 milhões de euros em Portugal. São responsáveis por cerca de 25% da aquisição de casas em Lisboa.

E não é só a título particular. Eventos como a WebSummit colocaram Portugal na rota tecnológica. Lisboa ficou em 4º lugar no StartUp City Index que mede qual a melhor cidade para se formar uma empresa. E isso mede-se com o número de empresas internacionais a procurarem deslocalizar alguns dos seus serviços para Portugal. É o caso da Google que vai abrir um centro de serviços em Oeiras, da Amazon que abrirá uma sucursal no Porto ou do CompareEuropeGroup que possui as operações de marketing e IT de quatro países europeus centralizadas em Portugal.

Que desafios é que isso traz para as empresas nacionais? Os desafios são vários (por exemplo, aumenta o “custo” da mão de obra dado que estas empresas concorrem por ela), mas aqui vamos focar-nos só num: a diminuição da disponibilidade de espaços de escritórios – e não só – e o consequente aumento de preço dos mesmos. A verdade é que a pressão imobiliária não afeta apenas os particulares, sendo que se espera que os espaços empresariais também sejam afetados.

A questão agora é: como solucionar ou contornar este problema? Aqui tudo depende do tamanho da empresa, dos seus objetivos e se é (ou não) uma startup. Foquemo-nos primeiro nestas últimas. Para as startup, que normalmente são empresas mais pequenas e “flexíveis”, há várias soluções. Primeiro explorar os espaços de coworking que permitem diluir os custos com o espaço.

Em Lisboa existe, por exemplo, o Village Underground para empresas mais criativas ou Coworklisboa, entre outros. No Porto há o Porto I/O ou o CRU Cowork. Outra alternativa para estes empreendedores acederem a espaços bem localizados e com menos custos são as chamadas incubadoras. É o caso da Startup Lisboa ou da Startup Braga.

Estas são as soluções para empresas que se estão a iniciar e/ou têm menos trabalhadores. Mas e para empresas com bastantes trabalhadores e que não sejam startups? Aqui o caso é mais “bicudo”, pois terão sempre que recorrer às soluções de mercado “mainstream” e, como tal, mais concorridas. Envolve, pois, uma grande prospeção de mercado. Plataformas como o Idealista, Casa Sapo e Imovirtual têm sempre ofertas para arrendamento de escritórios e, para quem está atento ao mercado, ainda será possível encontrarem-se bons negócios.

Depois importa sempre analisar diferentes opções de financiar o espaço: faz sentido comprar ao invés de considerar o arrendamento? Valerá a pena considerar o leasing imobiliário? Porque não procurar empresas parceiras para partilhar a renda, dividindo um escritório maior?

Por fim, uma solução que é um pouco de “food for thought”. Há já muitas empresas que, estando num setor em que é fácil fazê-lo (por exemplo, IT ou design), já dão facilidades aos colaboradores para trabalharem remotamente, juntando de forma alternada cada uma das diferentes equipas para reuniões regulares de status.

Recentemente, um artigo do jornal britânico The Telegrapah elencava as vantagens de deixar que os trabalhadores fizessem as suas tarefas a partir de casa. Entre estas conta-se a diminuição de tempo perdido em deslocações, uma maior retenção de talentos e menos dias de baixa colocados pelos trabalhadores.

Em suma, para se ultrapassarem os desafios dos novos tempos, é preciso sempre uma pitada de criatividade. É assim que as melhores empresas perduram.

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