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“A Mercadona não promete crescimento nem exige exclusividade aos seus fornecedores”

Por a 9 de Março de 2017 as 13:40
Mercadona (1)

“A Mercadona não promete crescimento nem exige exclusividade aos seus fornecedores. A empresa defende a assinatura de contrato a longo prazo porque considera ser a melhor forma de assegurar estabilidade aos fornecedores e à empresa”, disse ao HIPERSUPER fonte oficial da Mercadona em reação ao texto “Radiografia à retalhista líder em Espanha” (leia aqui) publicado na última edição impressa (342), capa de março. Em causa estão declarações de Marta Vallbé, diretora de FMCG da Loop Unique Companies, por ocasião da sessão de esclarecimento que a consultora espanhola organizou, dirigida a fornecedores, denominada Mercadona em 360º.

As informações e os números que o HIPERSUPER divulgou neste artigo baseiam-se nas declarações da responsável, patentes numa apresentação à qual o HIPERSUPER teve acesso, onde explica por pontos o conceito de interfornecedor seguido pela cadeia: “contratos vitalícios, exclusividade, política de livros e portas abertas, conhecer e controlar os custos, logística just in time, auditar os processos e a qualidade do produto todos os meses, participar nas políticas de investimento, influenciar fusões e aquisições, planos de expansão e crescimento e, inclusive em alguns casos, se devem repartir-se ou não dividendos”.

A Mercadona explica que “não promete crescimento” e que os seus interfornecedores não trabalham em exclusivo para a retalhista e dá como exemplo as empresas “Casa Tarradellas ou Cidacos, que fabricam pizzas e tomate frito para a marca Hecendado, da Mercadona, mas também produzem para a sua própria marca e vendem os produtos a outros distribuidores, em Espanha e no estrangeiro”.

Na mesma apresentação, lê-se que “quando mais de 60% das vendas de uma categoria são das suas marcas próprias, a Mercadona elimina as marcas de fabricante do linear”. Fonte oficial da cadeia garante ao HIPERSUPER que a Mercadona “não retira produtos do linear com base na percentagem de vendas dos produtos de marca própria. Os produtos das marcas de fabricante ou até das suas marcas próprias são retirados quando existem alternativas com melhor qualidade, melhor preço ou porque são as opções preferidas dos clientes”.

Marta Vallbé transparece dúvidas quanto às vantagens da relação entre a retalhista e os seus interfornecedores. “Atualmente a relação entre o crescimento da Mercadona e dos interfornecedores suscita dúvidas quanto à vantagem deste modelo”. A Mercadona contesta também esta declaração, indicando que “o crescimento da rede de fábricas tem sido uma constante nos últimos anos”. A cadeia remete para o estudo “O valor da Inovação Conjunta”, realizado pelo Institut Cerdà, que apresenta uma descrição dos interfornecedores da Mercadona “muitos destes são pequenas e médias empresas muito competitivas e que estão a crescer com o modelo da Mercadona”.

Na apresentação, a diretora de FMCG da Loop Unique Companies revela ainda que algumas das marcas próprias da Mercadona são propriedade dos fornecedores, ainda que não possam estar à venda em outros retalhistas, como a Hacendado, Bosque Verde, Deliplus e Compy. A cadeia de distribuição espanhola garante que todas estas marcas são propriedade sua.

Na apresentação da Loop pode ler-se também que das oito mil referências que compõem o sortido das lojas da Mercadona, 90% são de marca própria. No entanto, a cadeia espanhola garante que essa proporção não se verifica em nenhuma das lojas, “sendo sempre inferior. Essa proporção não está correta, trata-se de um valor que depende da localização de cada loja e da gama de produtos que lhe é atribuída consoante as necessidades da zona que serve”.

Por último, Marta Vallbé indica, “por um lado, a Mercadona ajuda os seus interfornecdores a crescer e, por outro, limita o seu potencial de negócio”. A inovação na Mercadona “centra-se sobretudo em fazer metoo’s dos produtos de êxito das primeiras marcas, que são o seu bechmark de desenvolvimento”. A retalhista faz uma “cópia de inovações”, sendo que “quando uma marca tenha uma inovação de êxito, a Mercadona fará um me-too a um preço muito inferior”.

Por seu lado, a Mercadona garante ser uma das empresas mais inovadoras de Espanha e que “não se trata de copiar produtos”. Remetendo novamente para o estudo “O valor da Inovação Conjunta, cuja análise, feito entre 2012 e 2015, a retalhista indica que “a taxa de sucesso dos novos produtos lançados pela Mercadona é de 82%, enquanto a média do setor é de 24%”. A empresa tem “13 centros de coinovação onde trabalha com os 126 interfornecedores” e nos quais realiza sessões de auscultação dos clientes. “Como resultado deste modelo circular são feitas, por ano, 145 inovações em produtos”.

*O HIPERSUPER contactou a Loop Unique Companies para obter uma reação a estas declarações da Mercadona, assim como a fonte dos valores revelados pela consultora. No entanto, até ao momento da publicação deste artigo, o jornal não recebeu uma resposta.

*Artigo atualizado às 12h26 do dia 10 de março de 2017.

*Retificação às 12h51 do dia 15 de março de 2017 – correção do nome da consultora Loop Unique Companies.

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