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Retrato da dinâmica do tecido empresarial português na última década

Por a 11 de Janeiro de 2017 as 18:00
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Entre 2007 e 2016, nasceram cerca de 347 mil empresas e outras organizações em Portugal. Destas, 64% mantêm-se ativas. Das restantes, 21% encerraram, 13% estão inativas, 1% estão insolventes e 0,2% foram adquiridas. Por sua vez, 1 803 das mesmas são sucursais de empresas estrangeiras.

As conclusões são da empresa de estudos de mercados Informa D&B, que analisou as dinâmicas dos nascimentos, encerramentos e insolvências de empresas e outras organizações em Portugal de 2007 a 2016. As principais conclusões do estudo evidenciam “grandes alterações na conjuntura internacional que se refletiram na economia a nível interno, como no crescimento do desemprego, além de medidas de apoio ao empreendedorismo, maior facilidade na criação e encerramento de empresas e alterações fiscais ou o novo Código de Insolvências e Recuperação de Empresas”, explica em comunicado a empresa.

Retalho passa a liderar novos processos de insolvência

O setor do Retalho passou a liderar, no final de 2016, os novos processos de insolvência, lugar que há vários anos era ocupado pelas Indústrias Transformadoras, que recuaram 15 pontos percentuais neste indicador desde 2007. Nesse ano, as Indústrias Transformadoras e a Construção representavam mais de 50% dos novos casos de insolvência. Hoje, os novos casos estão mais distribuídos por todos os setores.

Após um pico de quase seis mil novos casos em 2012, os processos de insolvência caem desde 2013. Em 2016, as aberturas de processos de insolvência recuaram 23%. Apesar da queda, os números de insolvências ainda não recuperaram para os valores de 2007 (pouco mais de dois mil).

Em 2007, o distrito do Porto liderava em novos processos de insolvência, posição que passou a ser ocupada pelo distrito de Lisboa a partir de 2012. A década totaliza 40 309 casos de insolvência.

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Portugueses mais empreendedores

Os dois últimos anos (2015 e 2016) estão claramente acima da média anual de nascimentos de novas empresas na última década. O ano de 2016, com 37 034 novas empresas, e o de 2015, com 37 961, destacam-se nesta década onde a média anual de nascimentos de empresas é inferior às 35 mil.

A evolução dos nascimentos entre 2007 e 2016 registou variações significativas. Em 2009 iniciou-se um ciclo de descida até 2012, com exceção do ano de 2011, “ano em que ocorreu a alteração legislativa que reduziu o capital social mínimo para um euro por sócio”. Em 2013, o ciclo inverte-se, com as constituições a subir até 2015 e apenas com um ligeiro decréscimo em 2016.

Setores que mais cresceram em número de constituições

Os Serviços e o Retalho mantêm-se como setores onde se constituem mais empresas, mas o Alojamento e Restauração e as Atividades Imobiliárias, setores ligados ao turismo, deram um salto e ocupam agora os terceiros e quartos lugares, respetivamente, por troca com a Construção e os Grossistas, que caíram para quinto e sexto lugar.

Os setores da Agricultura, pecuária, pesca e caça (+9,5%), Telecomunicações (+6,9%) e Alojamento e restauração (+4,9%) são os que apresentam na última década o maior crescimento do número de novas empresas (crescimento médio anual).

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A Construção e o setor do Gás, Eletricidade e Água são os dois setores com o maior decréscimo anual de novas empresas (-5,2% e -4,6%, respetivamente).

Mais empreendedorismo individual e com menos capital

“A iniciativa individual deu um enorme salto na última década e ganhou terreno face às sociedades por quotas em número de nascimentos de empresas”, explica a empresa. Em 2016, as sociedades unipessoais representam 49% das novas empresas, valor que compara com 36% em 2007.

As sociedades por quotas representavam, em 2007, 59% das empresas que nasciam, recuando em 2016 para os 48%.  Foram criadas 11 739 sociedades unipessoais em 2007 e 16 954 em 2016; 19 478 sociedades por quotas em 2007 e 16 839 em 2016.

“O crescimento da iniciativa individual teve como consequência a menor dimensão das empresas criadas, que têm agora um capital social de abertura mais reduzido”. As empresas que são criadas com capital social inferior a cinco mil euros têm vindo a ganhar importância e em 2016 já representam mais de metade (51%) das constituições, com um capital social médio de 1 068 euros.

 Lisboa recupera liderança na criação de empresas

Em 2007, a região de Lisboa liderava os nascimentos de novas empresas com 33,8%, contra 32,6% da região Norte. A ordem inverteu-se em 2009, com o Norte a liderar todos os anos, até 2016, ano em que Lisboa recuperou a liderança (36,5% versus 32,9%). Em 2009, o Norte liderava com 10 531 novas empresas (Lisboa com 10 265); em 2016, Lisboa lidera com 13 533 (Norte com 11 182).

Perfil regional dos encerramentos mudou

Entre 2007 e 2016, encerraram cerca de 163 mil empresas, com o número de encerramentos a manter-se perto dos 16 mil por ano. O ano de 2013 atingiu um pico nos encerramentos com 19 093 casos, enquanto os anos com valores mais baixos foram os de 2010 e 2014. Em 2016, o número de encerramentos situou-se abaixo da média da década. A idade média das empresas que encerram situa-se hoje nos 11,4 anos, uma subida ligeira face a 2007 (10,2 anos).
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Empresas atrasam-se mais nos pagamentos

O comportamento de pagamento das empresas deteriorou-se na última década. A percentagem de empresas que cumpre o prazo de pagamentos acordado era de 21,7% em 2007, chegou a ser 25,3% em 2009, caiu até aos 16,5% em 2013 e, depois de recuperar para os 20,1% em 2015, voltou aos 17,4% em 2016.

 Existem hoje mais de 60 mil entidades no setor social

Existem hoje mais de 60 mil entidades ativas no setor social, crescimento que foi impulsionado pelo forte nascimento de associações (mais de 21 mil na última década). No mesmo período, e além das associações, nasceram também 615 cooperativas e 224 fundações. O nascimento destas entidades teve um comportamento semelhante aos das empresas, com um decréscimo em 2016 após três anos de crescimento.

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