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Revivalismo: fazer da saudade lusitana uma oportunidade de negócio

Por a 28 de Junho de 2016 as 15:24
Sergio pereira compara ja

Por Sérgio Pereira, fundador do Comparajá.pt

Nos últimos anos, temos vindo a assistir a um revivalismo no nosso País relativamente ao tipicamente português. Ser “do bairro” voltou a ser cool – e a atrair muita clientela -, dando a decoração modernista lugar a paredes revestidas de azulejos azuis e brancos e balcões de mármore desgastados.

Por todo o País, os consumidores têm vindo a aderir em massa a esta nova onda que nos impele a reviver o que é tradicional e o que herdámos do passado através de um olhar inovador. E os agentes impulsionadores desta mudança, que se faz sentir do vestuário à gastronomia até à música, são curiosamente as gerações mais jovens – é quase como se uma espécie de saudade dos tempos que não viveram os motivasse a procurar experiências comuns aos seus pais e avós.

E esta nova forma de viver o popular reflete-se de tal maneira nos seus hábitos de consumo que até aquelas mobílias antigas que outrora seriam imediatamente atiradas para o lixo são hoje desejadas pelos mais novos, sendo prova disso mesmo a multiplicação de pequenos projetos que visam dar uma nova vida a relíquias e velharias.

Ora, porque a esmagadora maioria destes novos negócios alicerçados no revivalismo surgem da parte de pequenos investidores, muitos dos quais necessitaram de recorrer a um crédito para ir avante com a sua ideia, não se consegue perceber por que razão as grandes marcas ainda não souberam capitalizar esta tendência que tem vindo a transformar o mercado português.

Será que não há coragem por parte dos “big players nacionais para arriscar um pouco? Será assim tão complicado saírem da sua zona de conforto?

Ainda há uns dias era notícia que o trabalho de profissionais como o alfaiate, encadernador ou o sapateiro era coisa do passado, que estas profissões estão em vias de extinção. Será assim mesmo? Ou estamos apenas perante a necessidade premente de inovar na forma como estas atividades se apresentam ao público? Não haverá aqui uma excelente oportunidade?

Dizia-se o mesmo relativamente à profissão do barbeiro e basta olhar para a quantidade de novas barbearias retro que têm sido criadas com conceitos verdadeiramente diferenciadores para se perceber que o mercado continua a procurar este tipo de serviços…A única coisa que os consumidores exigem é que se faça uma adaptação dos conceitos da “velha guarda” à realidade de hoje.

Já agora, extravasando dos serviços para os produtos, lembram-se dos velhos discos de vinil? Foram muitos os que anunciaram a sua morte há uns anos, tendo ficado verdadeiros tesouros confinados à poeira do sótão… Pois bem, deixaram de estar obsoletos graças ao ressurgimento do interesse por este formato de consumo de música (e tudo indica que afinal é possível uma convivência pacífica entre o analógico e as plataformas digitais de “streaming”).

Os entendidos em sociologia afirmam que este revivalismo é uma consequência inevitável da tirania da velocidade tecnológica do mundo dos nossos dias, pelo que tudo o que nos remeta para o nosso imaginário coletivo do passado – onde havia tempo para nos relacionarmos de forma mais saudável e não eramos “afogados” em excesso de informação – nos é confortável e familiar.

Face a estas evidências, parece que será uma questão de tempo até que alguém com vontade e visão recrie alguns destes “velhos” negócios transformando a suposta extinção de uma atividade numa oportunidade de oferecer aos consumidores, mais do que um produto ou serviço, uma experiência única como a que muitos destes novos projetos revivalistas têm conseguido proporcionar.

A questão que se coloca é apenas: irão os grandes “players nacionais ficar a olhar com passividade para estas transformações ou irão pôr finalmente mãos à obra tornando-se protagonistas da reinvenção de alguns dos negócios que tanto poderão beneficiar do saudosismo lusitano

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