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Assunção Cristas, Ministra da Agricultura

FMCG

Assunção Cristas, Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território: “A indústria é essencial para a agricultura”

Em entrevista ao Jornal Hipersuper, a Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas, admite que, “quando o Estado, através do Governo, pretende substituir-se aos empresários na sua função básica de escolher o que produzir, como o fazer e em que quantidades, é normalmente um estorvo”. Por isso, “a resposta apenas poderá ser dada pelos empresários do sector agro-alimentar”.

Victor Jorge

Assunção Cristas, Ministra da Agricultura

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Assunção Cristas, Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território: “A indústria é essencial para a agricultura”

Em entrevista ao Jornal Hipersuper, a Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas, admite que, “quando o Estado, através do Governo, pretende substituir-se aos empresários na sua função básica de escolher o que produzir, como o fazer e em que quantidades, é normalmente um estorvo”. Por isso, “a resposta apenas poderá ser dada pelos empresários do sector agro-alimentar”.

Victor Jorge
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Considerando a indústria transformadora “essencial” para a agricultura nacional, a Ministra da Agricultura, Assunção Cristas, incita as empresas portuguesas a investir lá fora, considerando que esse investimento “poderá traduzir-se na conquista desses mercados, funcionando como uma autêntica ponta de lança para futuras exportações”.

Hipersuper(H): Portugal negociou com a União Europeia a antecipação das ajudas aos agricultores, para os auxiliar a enfrentar a perda de rendimento provocada pela seca prolongada no valor de 300 milhões de euros (num total e 600 milhões). O que é que esta antecipação poderá significar para a agricultura e agro-indústria nacional?

Assunção Cristas (A.C.): O principal objectivo do pedido em causa é o de antecipar a criação de alguma liquidez para um momento tão breve quanto possível. Tratando-se de apoios comunitários, essa antecipação tem que obedecer a regras impostas pela própria comissão, pelo que não é possível concretizá-la, como seria meu desejo, imediatamente.

H: Que repercussões tem esta seca, aliada ao aumento dos combustíveis, no sector agrícola nacional, bem como na agro-indústria? É possível contabilizar os prejuízos resultantes desta seca?
A.C.: As repercussões são, infelizmente, muito grandes e todas elas negativas, embora variando de sector para sector. Aliás, e se me permite, um dos problemas que a nossa sociedade tem, por ser tão urbana, é o de não ter a noção da importância real da chuva para a agricultura. No entanto, é fácil de perceber, se pensarmos no que aconteceria se, numa indústria alimentar, fosse cortado o fornecimento de energia eléctrica, por um período longo de tempo. A fábrica parava, não haveria produção, e adulterar-se-ia aquela que estivesse em armazém. É esta, na agricultura, a importância da água. Sem água não há produção.

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Nas actuais circunstâncias de seca, para as indústrias transformadoras, nomeadamente as alimentares, a questão coloca-se mais em termos de eventual dificuldade no acesso a matérias-primas produzidas em Portugal.

Quanto à quantificação dos prejuízos, infelizmente eles só podem ser contabilizados à medida que vão ocorrendo, até ao final do ano agrícola. De todo o modo, existe um Grupo de Trabalho e uma Comissão Interministerial que estão a acompanhar em permanência a evolução da situação, e a proceder à contabilização dos respectivos efeitos.

H: Acredita que, devido a esta realidade, os preços dos produtos agrícolas possam vir a conhecer um aumento significativo e que será o consumidor final a pagar, mais uma vez, a factura?
A.C.: Isso só poderá acontecer de forma pontual. Repare que Portugal é um País importador (no sentido em que a produção não é suficiente para fazer face ao consumo interno ou, dito de outra forma, dado que importamos mais do que aquilo que exportamos) de muitas das matérias-primas que se destinam à indústria.

Nestas circunstâncias, aquilo que se passa em Portugal não afecta minimamente o que se passa no mercado mundial. Tome por exemplo o milho ou outros cereais: produza Portugal aquilo que produzir, o preço a que as indústrias em Portugal se podem abastecer, não oscilará um cêntimo que seja. Apenas nas situações muito específicas de fornecimento de frescos (hortícolas, frutas) se poderá notar algum aumento de preço. É o que poderia acontecer, por exemplo, na indústria do concentrado de tomate, em que a matéria-prima não pode ser transportada a grandes distâncias: se houvesse expectativa de uma quebra grande de produção, poderia haver alguma subida de preço como forma de forçar mais terra a produzir. Mas chamo a atenção para o facto de, nas culturas de regadio, desde que exista água para rega, não existem razões para temer quebras de produção.

H: Durante muitos anos o Ministério da Agricultura esteve muito virado para a produção primária. Hoje é cada vez mais consensual que tem de haver uma visão de fileira e que a indústria transformadora pode ter uma papel decisivo na sua dinamização e na recuperação da economia nacional. Com vê este elo de fileira?
A.C.: A indústria é essencial para a agricultura. Ou dizendo de outra forma: o elo imediatamente a seguir à agricultura é essencial para o seu bom desempenho. Em muitos casos, esse elo é a indústria, noutros casos, como o dos produtos para consumo em fresco, é a distribuição. Aliás, os grandes sucessos da agricultura portuguesa, aqueles que ficam para a história, são uma evidência disso mesmo: o tomate para concentrado, a beterraba para açúcar, a azeitona para azeite, a uva para vinho. Talvez me esteja a esquecer de algum, mas estes são exemplos cabais da importância de termos fileiras a operar em sintonia entre os diversos elos.

E isto nada tem de desprimor para a agricultura. Como em qualquer actividade, quem “manda” é o consumidor final, com quem o produtor agrícola raramente está em relação directa. Assim sendo, a indústria transformadora ou, por vezes, a distribuição, são os motores da produção de matérias-primas agrícolas, passando para estes os sinais do mercado, e desenvolvendo parcerias que podem ter diversas expressões, como por exemplo o apoio tecnológico.

Mais uma vez o refiro: exemplos como o da indústria do tomate (este mais antigo, mas ainda vivo) ou da indústria açucareira a partir de beterraba (este mais recente, mas precocemente interrompido) são exemplos de colaboração exemplares, e que garantiram a Portugal lugares de topo a nível mundial na produção das respectivas matérias-primas agrícolas.

H: Que iniciativas está o Ministério da Agricultura a desenvolver para potenciar ainda mais esta visão integrada de fileira e que medidas/parcerias pensa dirigir para a indústria transformadora?
A.C.: A iniciativa com mais visibilidade foi a criação da PARCA – Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agro-alimentar – na qual têm assento entidades representantes dos diversos elos da cadeia alimentar. Esta plataforma, na qual a FIPA participa desde a primeira hora, tem um programa de trabalho bem definido, tendo já concluído o tratamento do tópico “transparência de mercados” com importantes decisões. Segue-se o tema da equidade ao longo da cadeia (que inclui as questões da auto-regulação, da legislação e da interprofissão) e, para concluir este primeiro ano, a valorização da produção nacional.

Em paralelo com esta iniciativa, outras coisas vão acontecendo de muito positivo, de que gostaria de salientar a importância de os sectores avançarem de forma decidida para as interprofissionais. Temos excelente legislação nesta matéria, e é um domínio que nos permite ir resolvendo, caso a caso, os problemas de sectores muito específicos. Mas atenção: o seu sucesso depende da vontade dos diferentes actores, desde a produção até à distribuição e ao consumo, passando pela indústria transformadora.

H: Quais são, de facto, as culturas/produtos em que Portugal deverá apostar, de forma a, efectivamente, conseguir dinamizar o sector agro-industrial e a economia de Portugal?
A.C.: Essa é uma pergunta, permita-me a expressão, de polichinelo. E a resposta apenas poderá ser dada pelos empresários do sector agro-alimentar. É uma visão que tem que ser abandonada, essa de ser o Governo a definir o que é que deve ser produzido ou não. Nem na agricultura, nem em qualquer outro sector isso deverá acontecer. Quando o Estado, através do Governo, pretende substituir-se aos empresários na sua função básica de escolher o que produzir, como o fazer e em que quantidades, é normalmente um estorvo. Aquilo que nos compete, isso sim, é conseguirmos interpretar correctamente as estratégias das empresas, e articularmos os meios que estão à nossa disposição por forma a apoiarmos o desenvolvimento dessas estratégias.

Em matéria agrícola, mais do que apoiar directamente a produção de um ou outro produto, compete-nos contribuir para a criação das condições estruturais que permitam êxito aos produtores, quaisquer que sejam as suas opções. E aqui há dois ou três factores transversais que considero absolutamente estruturantes para a agricultura portuguesa (e, portanto, também para a indústria que precisa de uma agricultura competitiva): apostar fortemente nas infra-estruturas de rega que permitam um uso mais generalizado e mais eficiente da água, incentivar de forma decidida a organização da produção em todos os sectores e estimular um melhor funcionamento e uma maior equidade na cadeia agro-alimentar.

H: Tema recorrente e de difícil resolução são os prazos de pagamento e preços estabelecidos por quem compra os produtos aos agricultores, nomeadamente, a distribuição moderna. No início do ano ouvimos a Ministra da Agricultura admitir, no decorrer do Congresso da APED que “a relação de poder entre distribuidores e produtores não é equilibrada”, destacando mesmo que “quem está na posição mais fraca, sente-se esmagado”. Esse sentimento de esmagamento continua?
A.C.: Que o poder negocial não é homogéneo ao longo das cadeias alimentares, é um facto indesmentível: nos patamares onde a concentração é maior, o poder negocial aumenta e, com ele, a tentação para as práticas abusivas aumenta também. Aquilo que referi no congresso da APED, refiro-o também aqui (ou no congresso da FIPA) em relação a algumas práticas da indústria para com os agricultores. Repare que o problema não é da distribuição em si mesma, nem tão pouco da indústria. O problema, repito-o, é das tentações em que as partes podem cair quando concentram muito poder.

Respondendo directamente à sua questão: sim, o sentimento de existência de práticas abusivas continua a existir. Mas também existem passos importantes de aproximação que foram dados, e que a meu ver permitirão ultrapassar de forma construtiva muitos dos obstáculos. Nestas e noutras matérias, gosto de ser muito frontal. E por isso, não quero deixar de chamar a atenção para o facto de a maior parte da produção agrícola ser escoada para a indústria e não para a distribuição. Também aqui existem problemas, em muitos sectores, que temos de nos esforçar para resolver.

H: O que é que o Ministério da Agricultura está a fazer para equilibrar a relação de poder entre distribuição e produção?
A.C.: Como há pouco lhe referi, trabalhamos com os representantes da distribuição como trabalhamos com os representantes da indústria, com o objectivo de equilibrar as relações entre todos, mas estamos particularmente preocupados, no Ministério da agricultura, com a posição frágil dos agricultores relativamente a ambos. Todo o trabalho está centralizado na PARCA, mantendo o Ministério, para além disso, as relações bilaterais que vai entendendo úteis e profícuas com as entidades representantes da indústria e da distribuição. Acreditamos que estamos a dar os passos certos, sem exacerbar as posições.

E, digo-lhe, temos encontrado vontade e motivação, tanto da indústria como da distribuição, para resolver os problemas que existem com a agricultura, o que me apraz registar.

H: Será, portanto, no âmbito da Plataforma de Acompanhamento das Relações da Cadeia Alimentar (PARCA) que serão encontradas as soluções para todas estas questões?
A.C.: Diferentes tipos de questões terão que ser resolvidas de formas diferentes. É evidente que a PARCA não é um remédio para todos os males que assolam as relações entre os agricultores e a indústria e distribuição. Mas é um fórum de onde outras vias podem emergir. Já lhe referi a importância que dou à criação de interprofissionais dinâmicas, e alguns actores deram já os primeiros passos nesse sentido, por exemplo no sector das hortofrutícolas frescas.

Como é evidente discutiremos igualmente outras vias, de que já tenho falado, como por exemplo a questão dos contratos obrigatórios e do conteúdo mínimo desses contratos. Seguindo aliás as recomendações do Grupo de Alto Nível do Leite, este é um sector onde iremos certamente avançar nesta base. No limite, e isto nem é necessário dizer, revisitaremos a legislação existente, robustecendo-a se for caso disso.

Mas não nego que será para mim uma desilusão se, neste momento particular da vida do nosso País, não for possível encontrar plataformas de acordo abrangentes para resolver parte dos problemas que existem nesta matéria. A via legislativa, sendo possível, nem sempre é a mais eficaz.

H: No âmbito da PARCA foi, também, anunciado que, a partir de Maio de 2012, os preços praticados entre a produção e a distribuição passam a ser públicos, cumprindo, assim, o seu grande objectivo para o primeiro trimestre de 2012. É esta a forma encontrada para a tal “transparência nos preços”, reforçando a ideia que a Sra. Ministra deixou durante o congresso da APED de que “precisamos de ter uma cadeia alimentar em que todos ganhem na medida do seu trabalho, dos custos que têm e do seu empenho”? Será suficiente?
A.C.: Que é uma forma, não tenho quaisquer dúvidas, pois só com esta transparência é possível ver objectivamente onde é que existem os problemas de desequilíbrio. Se as partes o quiserem, pois há informação que depende delas, as decisões tomadas pela PARCA neste domínio serão um contributo inestimável. Se será suficiente para resolver problemas, é evidente que não. A transparência é um meio de diagnóstico e não um meio de cura. Mas se tivermos a possibilidade de olhar a formação dos preços ao longo da cadeia de forma transparente, será evidente onde é que a falta de equidade está presente.

H: Tema frequentemente debatido é, também, o Código de Boas Práticas, não tendo sido possível chegar a um acordo entre as três entidades (CAP, CIP e APED). Em que pé estamos neste ponto?
A.C.: O Governo é, nessa matéria, um mero espectador. Obviamente interessado, na medida em que acredita que um Código de Boas Práticas pode ser um instrumento de enorme valia. Mas, como instrumento de auto-regulação, é um assunto da inteira responsabilidade das entidades que referiu, ou de outras que estiverem ou venham a estar envolvidas.

Tanto quanto sabemos, neste momento as partes em questão não conseguiram ainda chegar a um acordo, pelo que da parte do Governo mais não podemos fazer nessa matéria do que desejar que tal acordo venha a ser possível com a maior celeridade, pois faz muita falta ao funcionamento da cadeia agro-alimentar.

H: O secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, Carlos Oliveira, admitiu, no início do ano que o Governo está “empenhado em incentivar” a assinatura de um Código de Boas Práticas, de forma a que possa existir “maior equidade” e “maior transparência”. Contudo, deixou o aviso que se não se passar do campo das intenções à prática, o Governo terá de “ponderar mecanismos de regulação que permitam obviar as dificuldades conhecidas neste sector”? De que mecanismo de regulação estamos a falar?
A.C.: Sem querer interpretar as palavras do Senhor Secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, parece-me claro que, se não existirem acordos de auto-regulação globais levados à prática, restam duas vias possíveis. A via legislativa pura, a que atrás me referi, e a via dos acordos de auto-regulação pontuais ou sectoriais, que poderão resolver uma parte significativa dos problemas que existem com a agricultura. As interprofissionais são disso um exemplo, como também já lhe referi. De resto, e naquilo que compete ao Estado, asseguraremos sempre uma fiscalização eficaz, por forma a garantir que a legislação é cumprida.

H: O que poderá a agricultura e agro-indústria nacional esperar do processo de revisão da PAC (Política Agrícola Comum) para o período pós-2013? O que alteraria ou que propostas poderão ser apresentadas para benefício da tal fileira da agricultura/agro-indústria nacional?
A.C.: O que neste momento existe são as propostas da Comissão, que estão a ser alvo de processo negocial entre os diversos Estados-membros. As propostas são, de uma forma geral, e no seu espírito, positivas para Portugal. No entanto, apresentam um conjunto de questões com as quais estamos em desacordo e que podem traduzir-se em claro prejuízo para o País. Mas, resumindo a questão, diria o seguinte: para nós é importante que os dois pilares da PAC (ajudas directas ao rendimento e ajudas ao desenvolvimento rural) sejam olhadas de acordo com as suas lógicas específicas.

No caso das ajudas directas ao rendimento (o chamado 1.º pilar), onde Portugal recebe valores claramente inferiores à média comunitária, é importantíssimo que exista uma maior equidade, e que o apoio que os agricultores portugueses venham a receber seja mais próximo da média europeia. É isso que está proposto, embora de forma envergonhada e com um prazo de concretização excessivamente longo.

No caso dos apoios para o desenvolvimento rural (o chamado 2.º pilar), é essencial que Portugal, com atrasos ainda significativos no desenvolvimento e organização do espaço rural, mantenha apoios que lhe permitam, com a maior brevidade possível, alcançar níveis de desenvolvimento mais próximos daqueles que se verificam nos seus parceiros europeus.

Sem entrar em pormenores sobre o greening e a definição de agricultor activo, gostaria de chamar a atenção para três aspectos que me parecem muito importantes para nós, e que não estão vertidos de forma conveniente na proposta da Comissão: a importância que queremos dar ao regadio no 2.º pilar, a importância de fortalecimento das OPs (mais do que a criação de novas, é preciso fortalecer as que existem) e o estímulo à produção.

H: Governo e empresários, em uníssono, apresentam a exportação e internacionalização como a porta de saída para a recessão da economia nacional. O que é que o Governo e, em particular o Ministério da Agricultura, estão a fazer para potenciar o desempenho da fileira agro-industrial nos mercados externos?
A.C.: Pouco tempo após ter chegado ao Governo fui confrontada com diversos comentários sobre a ausência, para Portugal, de uma estratégia para a internacionalização do agro-alimentar. À medida que fui contactando com as diversas associações e grupos empresariais que operam neste sector, apercebi-me que, de facto, a política do Estado português, apesar de bem-intencionada, era bastante errática.

Deixe-me, no entanto, fazer uma observação importante: neste domínio, tal como no domínio da escolha daquilo que se deve ou não produzir que há pouco referi, quem tem estratégias são as empresas. Ao Estado compete interpretar essas estratégias, dar-lhes uma coerência, e colocar-se ao serviço delas. E é exactamente isso que estamos a fazer. Solicitei ao sector agrícola e alimentar, através da Associações Empresariais representativas que, até ao final do 1.º trimestre de 2012, elaborasse um documento que traduzisse os objectivos de internacionalização, as acções a empreender e os meios necessários para tal, para cada um dos sectores e mercados. Sabemos que os trabalhos estão a avançar a bom ritmo, embora com um ligeiro atraso. Espero que, no final de Abril, tal documento esteja pronto. A partir dele, poderemos articular de forma construtiva toda a nossa acção de facilitadores de implementação dessa estratégia.

Para além disso, e como é do conhecimento público, entendeu o Governo que eu, enquanto Ministra da Agricultura, passasse a integrar o Concelho Estratégico para a Internacionalização da Economia, reconhecendo a importância vital que o agro-alimentar tem para o País.

Temos, para além disso, desenvolvido actividade diversa, em perfeita articulação com a AICEP, visando a concretização de iniciativas empresariais, algumas das quais deram já origem a novos contratos de exportação. Foi o caso de uma visita à Suécia, que permitiu a celebração de um contrato de exportação de azeite e que despoletou a organização da vinda a Portugal de um conjunto de distribuidores suecos interessados nos produtos horto-frutícolas nacionais (que deverá decorrer no mês de Abril).

Foi também, e mais recentemente, a ida a Angola de uma missão empresarial (organizada pela AIP e pela AICEP), que terá certamente os seus frutos a esse nível.

Finalmente, gostaria de acentuar que a internacionalização, passando obviamente pelas exportações, deverá ir mais além. É importante que exista investimento português no estrangeiro, pois esse investimento virá sempre a traduzir-se na conquista desses mercados, funcionando como autêntico ponta de lança para futuras exportações.

 

 

 

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Sobre o autorVictor Jorge

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Sustentabilidade apresenta desafios e oportunidades para o setor das máquinas

Para reduzir a sua pegada de carbono ao longo de toda a sua cadeia de valor, os fabricantes de máquinas e equipamentos terão que aprofundar a economia circular da sua cadeia de valor sob o método cradle to cradle, aponta um relatório divulgado pela Crédito y Caución.

A maioria dos fabricantes de máquinas e equipamentos ainda não adotou a sustentabilidade como prioridade estratégica, já que o setor é diretamente responsável por apenas 0,5% das emissões globais de gases com efeito de estufa. No entanto, o último relatório divulgado pela Crédito y Caución lembra que, a grande maioria das máquinas do mundo são fabricadas com metais, cuja produção é responsável por 7% das emissões globais. Além disso, a maioria das máquinas precisará de energia para operar, muitas delas de forma intensiva.

Para reduzir a sua pegada de carbono ao longo de toda a cadeia de valor, o setor terá de aprofundar a economia circular em toda a cadeia de valor sob o método cradle to cradle, segundo o qual as máquinas são concebidas para serem reparadas, reutilizadas e, finalmente, recicladas para a produção de novas máquinas sem a necessidade de extrair novos minérios metálicos.

De acordo com o último relatório divulgado pela Crédito y Caución, o setor enfrentará três desafios urgentes nos próximos três anos relacionados com a sustentabilidade. Em primeiro lugar, a escassez de mão de obra qualificada em muitas regiões do mundo para assegurar a transição do setor para as energias limpas. Em segundo lugar, a evolução dos custos de transição e a queda da rendibilidade, num contexto de taxas de juro elevadas, o que é identificado como um desafio por analistas na Bélgica, China, Coreia do Sul, Japão, Polónia, República Checa e Taiwan. Em terceiro lugar, o aprovisionamento energético. A fiabilidade das energias renováveis e a capacidade das redes nacionais para fazer face ao aumento da procura de eletricidade é uma preocupação partilhada por grande parte do setor. Na verdade, algumas grandes empresas de máquinas estão a considerar tornar-se empresas de energia que fornecem uma gama diversificada de serviços.

Segundo Crédito y Caución, a agenda da sustentabilidade apresenta oportunidades para o setor. Máquinas de maior precisão, inteligentes e energeticamente eficientes representam uma oportunidade para a indústria. Os fabricantes de máquinas que usem energias limpas poderão beneficiar de novos mercados geográficos e setoriais e de um ativo reputacional que pode incentivar novos investimentos e a captação de novos clientes. Prevê-se que esse possa ser o caso dos fabricantes na Áustria ou da Suíça, que fazem investimentos significativos em I+D, o que poderá representar uma vantagem competitiva.

Especialmente na China, Hong Kong e Taiwan, o setor espera beneficiar da evolução da procura, expandindo-se para a fabricação de componentes para painéis solares, turbinas eólicas e outros sistemas de energia renovável. Em alguns mercados, o setor beneficiará de incentivos públicos, tais como subsídios, apoios ou benefícios fiscais para as empresas que invistam em energias limpas. Além disso, o setor pode estabelecer alianças com empresas de energia limpa, instituições de pesquisa e administrações públicas para desenvolver e implementar conjuntamente soluções inovadoras, avança ainda a Crédito y Caución.

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Cornetto Brigadeiro criado exclusivamente para o mercado português

Chegou o novo Cornetto Brigadeiro, criado exclusivamente para o nosso país. É uma das grandes apostas da Olá para o verão de 2024 e tem como cara da campanha o artista José Cid.

Chegou o novo Cornetto Brigadeiro, criado exclusivamente para o nosso país. É uma das grandes apostas da Olá para o verão de 2024 e tem como cara da campanha o artista José Cid.

“A inovação é uma parte fundamental da nossa estratégia. Todos os anos, os consumidores aguardam com entusiasmo pelas novidades da Olá. Este ano, estamos especialmente orgulhosos por apresentar o Cornetto Brigadeiro, um gelado desenvolvido exclusivamente para os portugueses. A nossa campanha, protagonizada pela energia contagiante do José Cid, é uma homenagem à criatividade e ao prazer de saborear algo único e apaixonante”, refere Bernardo Mello, diretor de Marketing Olá.

“Assim que provámos o novo Cornetto Brigadeiro, percebemos que é uma junção de tradição e inovação, e que o grande desafio seria exprimir por palavras esta experiência deliciosa e intensa de sabor, refletindo o espírito descontraído da marca. A simples ideia de lançar um Cornetto Brigadeiro é, em si, uma forma de transformar o comum em extraordinário. Ou seja, contado ninguém acredita. Partimos deste conceito para misturar o tradicional e o nonsense, para tentar explicar o inexplicável e mostrar que cada trinca que damos é uma verdadeira experiência de sabor”, acrescentam Carlos Pontes e Tiago Varino, diretores criativos na WYcreative.

 

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José Duarte, presidente da CAMB

José Duarte, presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB)

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“A CAMB é o garante económico da nossa região”

A Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB) está a celebrar 70 anos. A campanha de 2023-2024 terminou com a receção de 47 milhões de quilos de azeitona, mas esta quantidade poderia ser maior, se houvesse mais acesso a água. O mote perfeito para uma entrevista com José Duarte, presidente da CAMB.

A Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB) tem quatro mil associados, dos quais 1.300 são olivicultores, e aqueles que entregam a azeitona. São 20 mil os hectares de olival dentro da área da abrangência da cooperativa, dos quais 65% é tradicional de sequeiro. A cooperativa comercializa cinco azeites no mercado nacional e nos mercados externos e, mais recentemente, inovou ao lançar outra marca, exclusivamente para a exportação.
“O grande objetivo da nossa cooperativa sempre foi – e para isso é que a cooperativa foi formada – comercializar da melhor forma a produção dos seus associados, valorizar essa produção e, com isso, garantir uma sustentabilidade económica, mas também social, para os produtores”, sublinha José Duarte, nesta entrevista.

A CAMB está a celebrar 70 anos, sete décadas de trabalho com os produtores. O que mudou ao longo destas sete décadas? E, por outro lado, o que a cooperativa mantém inalterado?
O que mudou ao longo destes 70 anos foi, primeiro, a transformação que o olival teve, principalmente nos últimos 20 anos, em que houve uma modernização muito grande, muito fruto do Alqueva. Tivemos água no Alentejo e isto transformou completamente a paisagem, transformou a olivicultura. Hoje, Portugal é uma referência na olivicultura mundial pela tecnologia, pela produção de azeite de qualidade. Nós, apesar de estarmos perto da barragem do Alqueva e de não termos ainda uma área de regadio muito grande dentro da área da abrangência da cooperativa, notamos que houve essa grande transformação.
Em relação aos princípios e os valores, acho que se mantiveram desde a essência da cooperativa. O grande objetivo da nossa cooperativa sempre foi – e para isso é que a cooperativa foi formada – comercializar da melhor forma a produção dos seus associados, valorizar essa produção e, com isso, garantir uma sustentabilidade económica, mas também social, para os produtores. E acho que esses princípios, ao longo destes 70 anos se têm mantido, criarmos um ecossistema dentro da nossa região, muito à volta do azeite e da azeitona, em que praticamente todas as famílias do concelho de Moura têm alguma dependência ou alguma ligação ao olival.
E estando nós numa zona de Alentejo profundo, onde o tecido empresarial é muito fraco, a cooperativa tem, também, essa responsabilidade social. É o grande garante económico, digamos assim, da nossa região. A cooperativa tem quatro mil associados, no geral, dos quais 1.300 são olivicultores, e são aqueles que efetivamente nos entregam a azeitona. Mas, depois, há um leque de pessoas, desde os colaboradores a associados, a prestadores de serviços, a todo o comércio, que acabam, de uma maneira ou de outra, por beneficiar do facto de a cooperativa existir.

A produção média de seis mil toneladas de azeite por ano mantém-se?
Sim, mantém-se. A média dos últimos anos tem sido os 6 milhões. Na melhor campanha da cooperativa, que foi em 2021-2022, obtivemos uma produção de 10 milhões e 500 mil quilos de azeite. Foi a produção recorde.

José Duarte, presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB)

José Duarte, presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB)

A gama comercializada pela CAMB é composta por quantos azeites?
O nosso produto de excelência embalado é o Azeite de Moura DOP. Nós somos a maior e a mais antiga DOP de Portugal e estamos no mercado já há muitos anos com este azeite, que continua a ser a nossa aposta de mercado.
O Azeite Moura DOP é de uma zona certificada, que é a DOP MOURA (Denominação de Origem Protegida). Esse azeite é feito com base num caderno de especificações – em que temos de ter determinadas variedades, variedades autóctones, que estão aqui na nossa região já há muitos séculos – e que nós cumprimos. A maior parte dessa azeitona é proveniente dos nossos olivais tradicionais de sequeiro e tem, obviamente, umas características organoléticas únicas.
Lançamos também um azeite mais premium, o Lote Seleção. É fruto dos melhores lotes de azeite que temos na cooperativa. Todos os anos os nossos técnicos escolhem os melhores lotes, fazem um blend e com base nesse blend comercializamos o azeite Lote Seleção.
No caso do Seleção, é um azeite virgem extra. No Azeite Moura DOP, temos no mercado um azeite virgem extra, um virgem extra bio e também um azeite virgem.
Depois, temos uma marca centenária, o Salúquia. Já esteve nas grandes superfícies na distribuição a nível nacional. Neste momento só está aqui, a nível regional. Temos esse azeite à venda por ser uma marca que tem cem anos e que queremos manter pelo menos aqui para o nosso mercado.
Temos uma outra marca, de um azeite não DOP. É o Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos, feito com outro tipo de variedades de azeitona, que lançámos no ano passado para exportação.
Todo o azeite que nós vendemos é proveniente exclusivamente das azeitonas dos nossos associados. Nós não compramos nem azeitona, nem azeite a terceiros.

O que diferencia o azeite produzido na CAMB? Que características tem, o que diferencia do azeite de outras regiões?
O primeiro ponto é a qualidade. O nosso terroir é distinto do de muitas zonas onde existe olival mais recentemente. Não é por acaso que nós temos olival desde o tempo dos romanos, é porque nós temos características edafoclimáticas únicas e a nível organolético os nossos azeites são diferenciados também por causa disso.
E depois, obviamente, as variedades. Nós temos variedades, como é o caso do nosso DOP, onde temos a galega que dá um toque mais suave, mais aveludado, e depois temos azeites um pouco mais consistentes e mais fortes como é o caso da verdial e da cordovil. E estes blends fazem com que o nosso azeite seja diferenciado e muito apreciado pelo consumidor. Há também um saber preparar, fazer, isto é muito importante porque nós andamos no mercado já desde o século passado. E há um conhecimento que muitas vezes passa de pai para filho porque nós já cá estávamos antes desta transformação toda dos olivais.
Mesmo durante a pandemia a cooperativa não parou, nós aqui decidimos que não podia faltar azeite na casa dos portugueses. Trabalhámos com todas as condições de segurança, obviamente, mas fizemos turnos, trabalhámos 24 sobre 24 com turnos mais pequenos, e não falhámos uma única entrega, uma única encomenda que nos fizeram. E acho que da parte do consumidor também há esse reconhecimento de tudo aquilo que nós fazemos e proporcionamos ao mercado e com toda esta qualidade.

A campanha de 2023-2024 terminou com a receção de 47 milhões de quilos de azeitona. De quanto foi esse aumento em quilos e percentagem em relação à época anterior?
Nós viemos de uma campanha muito baixa, a campanha de 2022-2023, em que recebemos 27 milhões de quilos de azeitona, se não estou em erro. As nossas estimativas para a campanha que terminou em janeiro, eram de 40 milhões de quilos. E obtivemos 47 milhões de quilos de azeitona.
No entanto, em relação ao rendimento, tivemos, com os 47 milhões de quilos de azeitona, praticamente os mesmos quilos de azeite que estávamos à espera com os 40 milhões que tínhamos estimado.
Porque o rendimento não é um número fixo. Sofre variações em função do clima: se está mais calor, se atrasa a altura do amadurecimento do fruto ou não, ou se chove. Este ano choveu antes da campanha, o fruto ganhou água e o processo de formação de azeite parou naquela altura. E daí nós trazermos mais quilos, efetivamente, de azeitona para o lagar, mas depois quando é convertido e quando é transformado em azeite, há uma redução de azeite extraído porque efetivamente trouxemos uma grande quantidade de água. Todos os anos há variações em termos de rendimento. Por norma, estamos a falar em 15% de rendimento de azeite por azeitona. Em cada 1000 quilos de azeitona, temos 15%, ou seja, 150 quilos de azeite, em média.

A fraca campanha de 2022, por causa da pouco chuva, resultou na falta de Azeite Moura DOP nas prateleiras dos estabelecimentos comerciais, e levou a CAMB a explicar os motivos…
Na história recente da cooperativa, foi o único ano em que efetivamente nos faltou azeite. O azeite da campanha é vendido durante o ano comercial a seguir. E foi o que aconteceu na anterior campanha. Tivemos uma campanha de 27 milhões de quilos com um rendimento também normal. Satisfizemos os nossos clientes, mas avisamo-los logo no início que tínhamos tido uma campanha fraca e que só tínhamos aquela quantidade de azeite.
E nós temos hoje em dia um handicap em relação a tudo o que se está a fazer aqui no Alentejo de olivicultura moderna. Temos 20 mil hectares de olival dentro da área da abrangência da cooperativa, mas cerca de 65% desse olival é tradicional de sequeiro. E em anos de seca, como há dois anos, que afetou muito o calor na altura da floração, tivemos produções baixíssimas e obviamente que aí não conseguimos abastecer o mercado.

Está a crescer a área de implantação do olival plantado em copa (intensivo), e o plantado em sebe (superintensivo)? Estão a alterar a paisagem, por uma questão de rentabilidade?
Está-se a alterar, mas há um fator que condiciona, neste momento, essa transformação: a falta de água. No concelho de Moura, neste momento, os nossos olivicultores têm dois problemas estruturais. Um é não termos água, não temos ainda blocos de rega do Alqueva. E para se fazer a transformação, para esse tipo de olival mais moderno, mais produtivo, precisamos de água. Enquanto não tivermos, não se pode fazer essa transformação.
O outro problema tem a ver com a rede Natura 2000. Nós temos grande parte dos nossos olivais tradicionais em rede Natura 2000 e esses hão-de continuar a ser sempre olivais tradicionais de sequeiro. Isso é um fator também limitante nas nossas produções. Em termos de área, na nossa cooperativa, por exemplo, em 20 mil hectares, não temos mil hectares de olival em sebe.
Olhamos com muita esperança, para que tenhamos água do Alqueva. Foi prometido, já por dois ministros, e já foi avançada a construção de dois blocos de rega, o bloco de rega de Moura e o bloco de rega de Póvoa Amareleja. E aí, não tenhamos dúvidas, vai haver uma transformação também no olival e um aumento de produção da própria cooperativa.

José Duarte, presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB)Então pode-se dizer que é o que deve ser feito de forma mais urgente? O calor e a chuva fora de época são fatores que os agricultores não conseguem controlar. Mas o acesso à água pode ser controlado…
Sem dúvida. Há aqui duas situações. Se nós queremos combater as alterações climáticas, só o conseguimos com água. Se nós tivermos água, nós conseguimos, primeiro que tudo, fixar as pessoas. E um problema que esta região e que todo o interior do país têm, é como fixar os jovens. Temos que criar condições para que um jovem que se queira instalar na agricultura seja competitivo, tenha rentabilidade. Não pode estar na agricultura para perder dinheiro, porque senão acaba por ir para o litoral e deixa o interior. Essa é a primeira situação.
Obviamente que a construção dos blocos de rega, previstos no nosso concelho, vai criar aqui as condições ideais para transformarmos a nossa região e termos a agricultura, a par de outras valências, como o turismo, como fatores que dinamizem a região, criem emprego e consigamos segurar os jovens à região. E no nosso caso, obviamente, que vemos com urgência a questão da construção dos blocos de rega, até para sermos competitivos. Porque hoje em dia, os agricultores do concelho de Moura e Barrancos, os agricultores do olival tradicional de sequeiro, não são competitivos. E é muito fácil percebermos o porquê. Quando temos produções de dois mil quilos de azeitona por hectare versus produção de 15 mil que dá um olival moderno, estamos a ver aqui a decalagem que há entre agricultores.

É um caminho natural para a CAMB, ‘mudar’ para os olivais modernos?
Eu acho que é um caminho perfeitamente natural a partir do momento em que tenhamos água e nas zonas onde vamos ter água. Porque grande parte dos nossos 20 mil hectares vão continuar no modo em que hoje ainda estão em produção por um conjunto de condicionantes como a rede Natura e por outras onde não há rede Natura mas também não há água. Os olivicultores não podem aí fazer grandes transformações.
Agora, é evolução. E aqui é uma forma de mecanizarmos mais um setor e com resultados. Porque efetivamente a olivicultura moderna dá resultados. Vejamos os números, por exemplo, das exportações de azeite, que em 2023 atingiram o recorde mil milhões de euros, um valor superior ao do vinho, e com um produto de qualidade. E o que nós exportamos é, atrevo-me a dizer, se calhar 100% de azeites virgens entre o virgem e o virgem extra.

São inúmeros os prémios recebidos pela CAMB, em Portugal e no estrangeiro. Estes prémios são também resultado de uma atenção à sustentabilidade dos olivais?
Também. E grande parte do mérito destes prémios está nos nossos olivicultores como é óbvio. Pela forma como trabalham a terra, como cuidam dos olivais. Há uma característica única nesta região: o facto de termos olival desde o tempo dos romanos; há aqui uma paixão enraizada nos olivicultores e a forma de trabalharmos até é diferente e tentamos criar aqui, sem dúvida, uma sustentabilidade. E o tal ecossistema entre o ambiental, o económico e o social é extremamente importante. Estes prémios são o reflexo também do conjunto destes três pilares. Cada prémio que nós ganhamos é obviamente um motivo de satisfação, mas é um motivo de satisfação coletivo. Ao fim e ao cabo, quem ganha o prémio é o agricultor porque é ele que está ao longo do ano a cuidar e a tratar do seu olival.

Como é que os olivicultores trabalham a sustentabilidade? Sabendo que grande parte da produção provém de olivais tradicionais…
Esse olival tradicional por norma é um olival que está a contribuir para baixarmos as emissões de carbono. E depois, no olival tradicional toda a fauna e a flora envolvente acaba também por ser um garante dessa sustentabilidade. E o facto do agricultor cuidar e tratar esse olival é, do meu ponto de vista, o expoente máximo da sustentabilidade. Porque o dia que esse agricultor não for produtivo e não tiver sustentabilidade económica e que decida abandonar esse olival vamos ter aí sim um problema grave naquilo que é a sustentabilidade ambiental.

A UE defende uma produção mais sustentável, com mais ênfase na estratégia ‘Farm to Fork’, com redução de pesticidas e fertilizantes. Alterar procedimentos para uma produção mais sustentável pode levar a uma quebra no rendimento agrícola e acarreta investimentos, às vezes difíceis de comportar sem apoios. Tal pode vir a acontecer no olival?
Vai, se a estratégia ‘Farm to Fork’ for para a frente da forma que foi criada. Houve recentemente um recuo, reflexo das manifestações dos agricultores. A União Europeia não vai fazer nada até junho, como é óbvio, mas depois com o novo Parlamento Europeu o ‘Farm to Fork’ vai voltar outra vez à ribalta e não sabemos de que forma. Obviamente que há uma consciencialização na parte ambiental, mas não nos podemos esquecer de uma coisa: a União Europeia faz parte de um mercado global e ao criar a estratégia ‘Farm to Fork’, estamos a colocar nos nossos agricultores um conjunto de limitações de produtos que a médio e longo prazo o que vão fazer é que tenhamos uma produção menor. Ao haver uma produção menor vai faltar produto no mercado e, das duas uma, ou subimos o preço do produto para equilibrar a balança ou então vamos comprar produtos a mercados fora da União Europeia com regulamentações próprias e que depois entram aqui com mais produto ainda do que aqueles que nos estão a restringir.
Tem que haver um pouco de bom senso e um equilíbrio também e penso que a União Europeia percebeu isso.

Por falar em preços, estes têm vindo a aumentar exponencialmente. Está relacionado com os custos na produção, ou também com um aumento do consumo?
A subida do preço do azeite tem a ver primeiro com uma questão de falta de produção. A nível mundial, viemos de duas campanhas seguidas em que houve produções baixas. E porquê? Choveu menos, fez calor em alturas chave do ciclo produtivo da oliveira, nomeadamente na floração, e isso fez com que tivéssemos produções baixas. E há um país que representa 50% da produção mundial de azeite, a nossa vizinha Espanha, que tem a maior parte do olival também em sistema tradicional de sequeiro, na zona de Jaén, e mesmo o olival de regadio naquela zona tem muitas limitações porque não tem o acesso à água.
Esta quebra de produção em dois anos levou a que não houvesse stocks a nível mundial e tivéssemos aqui uma campanha com pouco azeite e o que aconteceu foi uma subida acentuada no preço.
Mas há algo em que nós temos que pensar também. Fala-se muito que o preço está muito elevado, mas partimos de um pressuposto muito baixo: o preço do azeite há dois, três anos estava nos dois euros por quilo e dois euros por quilo está abaixo dos custos de produção do olival tradicional. Os nossos agricultores do olival tradicional há dois anos estavam a perder dinheiro porque o preço do azeite estava excessivamente baixo.
Tivemos outros fatores: um aumento da inflação a guerra na Ucrânia, a questão da mão de obra. No ano passado nesta altura tínhamos o preço praticamente a sete euros por quilo muito por fruto deste aumento de inflação e dos fatores de produção, da energia. Este aumento agora dos sete para os nove euros foi muito reflexo de não haver azeite no mercado e foi uma forma de se conseguir que se abastecesse o mercado ao longo do ano até ao início da próxima campanha.

José Duarte, presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB)Voltando aos prémios, estes abriram portas na exportação? Que percentagem representam os mercados externos?
Estes prémios ajudam a vender na exportação, mas também a nível nacional. A nossa estratégia sempre foi, desde o início, o mercado nacional até porque não tínhamos azeite para exportação pelas nossas características,: termos safra, contra-safra, termos olival tradicional com menos produtividade não nos dava para planificar. De há 10 anos para cá começamos a trabalhar o mercado de exportação, que representa mais ou menos 15% da venda da cooperativa. Obviamente que os prémios ajudam a abrir portas, é um sinal de qualidade, de notoriedade e obviamente que os nossos parceiros procuram sempre também equipas vencedoras.

A quantos mercados chegam os azeites da CAMB?
Estamos na Polónia, mercado que tem um peso importante para nós, e depois temos o chamado ‘mercado da saudade’: Alemanha, Suíça, França Bélgica, Holanda são os mercados onde estamos presentes. Entrámos nos Estados Unidos o ano passado, com a nova marca, um mercado de difícil entrada, mas o caminho, como se costuma dizer, faz-se caminhando e esperamos, ano após ano, irmos consolidando também essa esta nova marca.

Como surgiu a ideia de criar esta marca exclusiva para a exportação?
As produções da cooperativa foram aumentando ao longo dos últimos anos e ao ter mais produção só nos resta uma coisa: ou continuar no mercado dos embalados ou vender a granel. E a estratégia da cooperativa é vender embalado. Foi isso que nos levou também a criar uma nova marca e lançá-la para a exportação. Com a leitura que fazemos com base nos dados que temos, nos próximos anos vamos ter sempre produções não DOP superiores às DOP, e é mais fácil lançarmos uma marca das variedades de que vamos ter mais produção. Daí apostarmos nessa marca e apostarmos para já no mercado de exportação. Mas, quem sabe, daqui por um ano ou dois anos também apostar nessa marca em Portugal e termos duas marcas mais fortes, conceituadas e reconhecidas também pelo consumidor. Porque estamos a falar de azeites de qualidade superior mas a nível organoléctico com perfis distintos.

A Denominação de origem Protegida do azeite de Moura é a mais antiga?
É a mais antiga, desde 1994 e é composta das variedades Galega, Verdeal e Cordovil.

Tem sido difícil manter esta classificação DOP? No futuro que desafios se apresentam à continuação desta denominação?
Obviamente que há desafios e o primeiro é a produção: temos de ter produção para efetivamente conseguirmos escoar o produto com a nossa marca. Há outros desafios, como o consumidor reconhecer que ao comprar um azeite DOP está a contribuir para que se mantenha uma atividade numa região com características específicas: olival tradicional de sequeiro, com custos de produção elevados, com produções baixas – e que esteja disposto a pagar um preço obviamente superior àquilo que é o preço do mercado. Ao comprar um produto DOP, neste caso o azeite, está a comprar um produto diferenciado de variedades autóctones e que apresentam ao fim e ao cabo uma região e as suas gentes, as tradições e aquelas características.
Esse é o primeiro passo. O segundo passa pelos nossos compradores, pelos nossos parceiros também. Que percebam que quando colocamos um preço superior em relação a um azeite convencional, digamos, é porque efetivamente temos que o valorizar. E muitas vezes o que acontece é que nós não conseguimos vender esse azeite ao preço que pretendíamos por tudo aquilo que lhe falei há pouco. Porque se fôssemos colocar lá todos estes custos para dar rentabilidade ao agricultor, ainda tínhamos que subir muito mais o preço. E quando nós estamos muito acima há sempre uma certa relutância por parte dos nossos players em colocarem o azeite nas prateleiras porque não tem rotação ou porque isto ou aquilo ou porque está muito caro. Mas tem que haver essa consciência de que nós estamos a vender um produto diferenciado e que tem um consumidor fiel e isso é no meu ponto de vista também a parte mais interessante: nós temos consumidores que são fiéis à nossa marca e ao nosso produto independentemente do preço.
E há outra coisa muito importante. O Estado português deveria dar um sinal em relação às DOP e como o poderia fazer? Nos cadernos de encargos, nos concursos públicos para as cantinas para os refeitórios, alocar uma percentagem de 25%, 30% de produtos certificados – azeites queijos, massas, o que fosse, ao que é consumido. É um sinal de que estamos a valorizar o que é nosso, estamos a valorizar o que é diferente.
No plano estratégico da cooperativa está definido o aumento da capacidade de laboração do lagar, de uma forma a responder às necessidades dos sócios e à dinâmica do setor. Como está este objetivo?
Neste momento nas instalações onde estamos, a cooperativa tem capacidade para receber toda a azeitona dos sócios sem sobressaltos. Inclusivamente, depois do ano record que tivemos, de 62 milhões de quilos de azeitona, fizemos alguns investimentos para que não tivéssemos os sobressaltos que tivemos naquela campanha. E estamos perfeitamente à vontade para receber toda a produção atual dos sócios.
Com a construção dos blocos de regra e a sua conclusão, toda esta zona vai sofrer uma transformação. Nós, no nosso plano estratégico, tínhamos algumas soluções e a solução mais credível, na qual já estamos a trabalhar, é a construção de um novo lagar de raiz. É isso que nós vamos fazer dentro de dois, três, quatro anos. É um lagar pensado para crescer de uma forma estruturada e que consiga absorver as produções futuras dos nossos associados. Um lagar moderno, com toda a tecnologia de ponta.
O que nós estamos a fazer é adaptarmo-nos àquilo que o campo depois também vai fazer. Temos vindo a crescer aos poucos e a criar todas as condições para que quando haja produções e anos de muita produção, não tenhamos aqui nenhum problema a nível de receção de azeitona.
Há uma coisa que é extremamente importante e um fator de sucesso e de qualidade dos nossos azeites: o tempo de espera aqui na nossa cooperativa durante a campanha para descarregar a azeitona é muito diminuto. O nosso agricultor chega aqui e passado 30 minutos, 40 minutos no máximo, tem a sua azeitona já descarregada, está no tegão e começa a ser processada. Isso é extremamente importante para manter as qualidades da própria azeitona e depois de transformada temos uma diferenciação também estratégica. Porque é muito importante que não haja perdas de tempo entre o campo e a moenda.

De que necessitam os olivicultores, da parte do poder público, de quem gere e decide os mecanismos de apoio à agricultura?
Primeiro de tudo, que se cumpra a palavra dada. Muitas vezes em campanha ou mesmo sem estarmos em campanha fazemos anúncios que depois não cumprimos e acho que tem que haver seriedade por parte dos nossos políticos em cumprir com a palavra. Esse é o primeiro ponto. O segundo, que não se olhe só para o litoral, mas que se olhe muito também para o interior e que se pense que uma grande parte do nosso território está em vias de abandono e, que, se nada for feito, nos próximos anos criamos um problema muito grave na sustentabilidade até do próprio território. E há que, de uma vez por todas, criar condições. Não estamos a falar só da agricultura. Estamos a falar da educação, estamos a falar de saúde, estamos a falar de acessibilidades para que haja uma maior proximidade entre o interior e o litoral.
A nível da agricultura é cumprir com a palavra e principalmente olhar para uma coisa que é extremamente importante: a água. Tem que se criar uma rede nacional de água e essa rede nacional de água consiste numa coisa muito simples: aproveitarmos a água que do Norte não é aproveitada, vai para o oceano, e trazê-la para cá. E isso traz-se de inverno, não se traz de verão. Não é estar a tirar água aos agricultores e às populações do Norte. É aproveitarmos a altura da chuva, em que a água vai para o mar, e trazê-la para todo o território do interior de Portugal, não só o Alentejo. Só assim é que nós conseguimos ter um país coeso também a nível territorial porque senão vamos ter aqui grandes desigualdades. Onde há água há desenvolvimento, onde não há água não há nada.

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Bebidas

Casal Garcia celebra 85 anos com edição limitada do rótulo ‘Haja Alegria’

O lançamento de uma edição limitada do rótulo de Casal Garcia Branco e de uma campanha de comunicação, assinalam os 85 anos dos vinhos Casal Garcia.

O lançamento de uma edição limitada do rótulo de Casal Garcia Branco e de uma campanha de comunicação, assinalam os 85 anos dos vinhos Casal Garcia.

A partir da narrativa de três histórias “de alegria” os vídeos passam a mensagem de que “o espírito da amizade e alegria resolvem três situações embaraçosas”.

Paralelamente a campanha incorpora o jingle ‘Haja Alegria. Haja Casal Garcia’, reforçando a presença da marca no território da música, onde tem ativações há vários anos. Presente em vários meios digitais, TV e outdoor, a campanha destaca a gama de vinhos, sangrias e fruitzy.

Como complemento, Casal Garcia apresenta uma edição limitada do rótulo de Casal Garcia Branco. A garrafa evidencia a assinatura ‘Haja Alegria’, posicionando-a em substituição do habitual logo “e reforçando assim este incontornável código da marca”, informa.

A marca lançou ainda dois novos produtos: Casal Garcia Sangria Rosé e Casal Garcia Fruitzy Maracujá.

“Esta campanha celebra o legado de Casal Garcia. Comemoramos o marco tão especial dos 85 anos, com a criação de uma campanha publicitária que promete levar alegria a todos os consumidores. Casal Garcia é presença frequente em momentos alegres do dia-a-dia do consumidor, acompanha gerações, reinventando-se a cada novo produto,” refere Isabel Barbosa, senior brand manager de Casal Garcia.

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Retalho

Primark vai investir mais de 40 milhões de euros em Portugal

A Primark anunciou hoje que vai investir mais de 40 milhões de euros em Portugal com a abertura de quatro novas lojas em quatro cidades diferentes e a ampliação da loja do Colombo, em Lisboa. Com este investimento a Primark aumenta a presença para um total de 14 lojas em todo o país, ampliando o seu espaço comercial em mais de 30%. Serão criados 500 novos postos de trabalho, o que fará crescer o número de colaboradores da Primark Portugal para mais de 2.200 pessoas. 

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A Primark, que celebra 15 anos de presença em Portugal, tendo inaugurado a primeira loja em maio de 2009 no Centro Comercial UBBO, na Amadora, tem atualmente 10 lojas em Portugal e uma cobertura geográfica abrangente, de Braga a Loulé. O investimento de 40 milhões de euros vai permitir à marca abrir portas em quatro cidades onde ainda não estava presente: Montijo (Centro Comercial Alegro Montijo), Guimarães (Centro Comercial Espaço Guimarães), Viseu (Palácio do Gelo Shopping) e Covilhã (City Center Covilhã). Foi também anunciada a ampliação da loja Primark no Centro Colombo, em Lisboa, que abre já no dia 21 de junho com um novo visual.

Nelson Ribeiro, head of sales da Primark Portugal

“Desde que abrimos a nossa primeira loja em Portugal, há 15 anos, temos vindo a construir e a desenvolver um negócio muito forte aqui, graças aos clientes fiéis da Primark. Estamos muito orgulhosos da forma como nos acolheram e continuam a visitar-nos todos os dias, à medida que crescemos. A Primark construiu a sua marca nas nossas lojas e sabemos que uma grande parte do nosso sucesso se deve à nossa equipa empenhada de colegas que nos apoiaram em cada passo que demos e que têm sido os nossos melhores embaixadores para ajudar Portugal a apaixonar-se pela Primark. Estamos entusiasmados por continuar a crescer, investindo em mais lojas, criando ainda mais postos de trabalho e apresentando a ainda mais portugueses o nosso estilo a preços incríveis.” refere Nelson Ribeiro, head of sales da Primark Portugal.

O investimento da Primark em Portugal faz parte dos planos de crescimento ambiciosos do retalhista em mercados novos e nos já existentes, com o objetivo de alcançar o marco de 530 lojas até 2026. Em maio, a Primark entrou no seu 17º mercado com a abertura da sua primeira loja em Budapeste, na Hungria.

As novas lojas vão ser também as primeiras em Portugal a dispor de caixas self check out, a par das caixas de pagamento tradicionais.

 

 

 

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Logística

Garland obtém certificação do sistema de gestão ambiental

A empresa sublinha em comunicado que a experiência em sistemas de gestão, como ISO 9001:2015, IFS, SQAS e GMP+, foi crucial para a eficácia do processo de certificação, com o percurso a apresentar alguns desafios.

A certificação ISO 14001:2015, dos dois centros logísticos da Maia, foi atribuída após a verificação e comprovação do cumprimento de rigorosos requisitos ambientais.  Segundo a Garland, estes incluíram a implementação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) abrangente, em conformidade com a legislação ambiental aplicável, a criação de objetivos e metas ambientais mensuráveis, a realização de avaliações de impacto ambiental, o envolvimento de colaboradores e partes interessadas na gestão ambiental, bem como a monitorização e controlo dos aspetos ambientais significativos.

GarlandA empresa sublinha em comunicado que a experiência em sistemas de gestão, como ISO 9001:2015, IFS, SQAS e GMP+, foi crucial para a eficácia do processo de certificação, com o percurso a apresentar alguns desafios: desde o planeamento e preparação, passando pela melhoria e criação de novos procedimentos, sensibilização e formação dos colaboradores, até à implementação de sistemas de monitorização. A realização de uma auditoria interna permitiu identificar oportunidades de melhoria antes da auditoria externa, realizada pela LRQA, acrescenta.

“Para cumprirmos os requisitos da ISO 14001:2015, adotámos várias medidas ambientais, como a aquisição de 100% de energia proveniente de fontes renováveis e sem quaisquer emissões de CO2, a instalação de painéis fotovoltaicos com o objetivo de assegurar a totalidade das necessidades energéticas diurnas, a substituição de consumíveis em plástico por outros de materiais reutilizáveis, a gestão de resíduos com práticas de redução e reutilização. Também realizámos formação e sensibilização relativamente aos aspetos ambientais significativos, a adoção de medidas de eficiência energética em todos os equipamentos e iluminação e a implementação de estratégias de transporte sustentável com a renovação total da frota para viaturas ligeiras elétricas ou híbridas e disponibilização de postos para carregamento gratuito de veículos elétricos para os colaboradores”, referiu Hugo Caraslindas, diretor de Infraestruturas, Sustentabilidade e Operações, que acrescentou ainda que “a empresa compromete-se a cumprir rigorosamente a legislação ambiental e a promover a formação e sensibilização ambiental entre os colaboradores”.

Por forma a garantir a conformidade contínua com a certificação ISO 14001:2015, a Garland implementou um sistema de monitorização que inclui auditorias internas regulares, criação e monitorização de indicadores de desempenho, realização de análises críticas pela direção, implementação de ações corretivas e preventivas, promoção da melhoria contínua e recolha de feedback das partes interessadas.

 

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Bebidas

Herdade da Rocha lança Amphora Tinto e Branco de 2023

A Herdade da Rocha apresenta as colheitas de 2023 do ‘Amphora Tinto’ e do ‘Amphora Branco’, vinificados pelo processo tradicional, em ânforas de barro e sem controlo de temperatura, respeitando as antigas práticas.

A Herdade da Rocha apresenta as colheitas de 2023 do ‘Amphora Tinto’ e do ‘Amphora Branco’, vinificados pelo processo tradicional, em ânforas de barro e sem controlo de temperatura, respeitando as antigas práticas.

Os novos vinhos do produtor alentejano são provenientes de cepas com idade média de 1s2 anos, implantadas em solo granítico e a uma altitude entre os 260 e os 300 metros. Os Amphora tinto e branco fermentaram com as películas durante três meses, resultando na produção de 1.300 garrafas de cada referência.

Feito com uvas das castas Touriga Nacional (60%), Alicante Bouschet (30%) e Touriga Francesa (10%), o ‘Amphora Tinto’, “apresenta uma cor granada viva e exibe notas de argila e frutas negras maduras”. Na boca, “é macio e fresco, com um final marcante”, onde sobressaem “notas de fruta e as características da ânfora”, apresenta a Herdade da Rocha, produtor que integra o Grupo Terras & Terroir.

Já o ‘Amphora Branco’, elaborado a partir das castas Arinto (80%) e Alvarinho (20%), revela “uma mineralidade marcante, com uma concentração harmoniosa de fruta branca e suaves notas de argila”. Na boca” é fresco, irreverente e o seu final de boca é longo e desafiante”, indica o produtor.

Situada em Crato, junto à serra de S. Mamede, a Herdade da Rocha lançou a sua primeira colheita em 2012, dois anos antes da construção da adega com dois mil metros quadrados, decorada com grafites. O produtor que integra o Grupo Terras & Terroir desde 2022 e comercializa vinhos brancos, tintos e rosés.

A introdução das ânforas em Portugal está ligada à ocupação romana, que começou no século III a.C. As técnicas avançadas de vinificação e a utilização de ânforas para fermentação, armazenamento e transporte de vinho foram introduzida nessa altura e resistiram à queda do Império Romano, mantendo-se no Alentejo a tradição de usar ânforas.

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S.Pellegrino com edição especial para comemorar 125º aniversário

Para comemorar o 125º aniversário, a S.Pellegrino lançou uma garrafa de luxo, a edição especial comemorativa desta data. Juntamente com a garrafa de luxo, os formatos de vidro de 50 […]

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Para comemorar o 125º aniversário, a S.Pellegrino lançou uma garrafa de luxo, a edição especial comemorativa desta data.

Juntamente com a garrafa de luxo, os formatos de vidro de 50 cl e 75 cl, distribuídos no canal Horeca, também se vestem para celebrar o aniversário com um rótulo especial para engrandecer cada experiência gastronómica.

Em Portugal, a S.Pellegrino é distribuída pela Vinalda, que, em conjunto com a S.Pellegrino, está a organizar a Final Ibérica da edição 2024/2025 da S.Pellegrino Young Chef Academy Competition, em Lisboa no final do ano, na sequência da vitória do Jovem Chef português Nelson Freitas na edição de 2022/2023.

 

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Auchan Retail Portugal

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Retalho

Auchan reforça proposta de valor para colaboradores

Auchan Respect é a nova marca empregadora e pretende reforçar a proposta de valor para os atuais e futuros colaboradores, e que se traduz em quatro pilares fundamentais.

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Auchan Respect é a nova marca empregadora e pretende reforçar a proposta de valor para os atuais e futuros colaboradores, e que se traduz em quatro pilares fundamentais: a priorização do bem-estar físico e mental, a aposta no crescimento, através de diversos percursos formativos e programas de desenvolvimento, o espírito de proximidade e abertura, notório no trato informal do dia-a-dia e na relação entre todos e no modelo de gestão com base na autonomia e responsabilidade.

Este novo posicionamento da Auchan surge com a necessidade de garantir uma maior perceção e uniformização do EVP (Employee Value Proposition), tanto interna como externamente, e, assim, aumentar a atratividade junto de potenciais candidatos, para que seja possível ir ao encontro de perfis que se revejam na cultura da empresa, assim como fidelizar os atuais colaboradores, aumentando o seu orgulho pelo sentimento de pertença, refere a empresa em comunicado.

‘Esta abordagem vem reforçar a nossa diferenciação e preocupação com todos os que já fazem parte da equipa e com aqueles que ainda estão para entrar. O ‘Respect’ é o pilar orientador de todas as nossas políticas de pessoas, mas é, acima de tudo, um compromisso que assumimos por todos.” explica Clara Costa, diretora de pessoas e sustentabilidade, da Auchan Retail Portugal.

A escolha do nome surge na sequência de um trabalho de diagnóstico e mapeamento de toda a jornada do colaborador, um projeto com a duração de vários meses, onde num dos questionários implementados a mais de 500 colaboradores, o respeito surgiu como a dimensão mais reconhecida, revela ainda a Auchan Retail Portugal.

 

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João Ova Lopes assume cargo de global sponsorship manager na Heineken

João Ova Lopes é o novo global sponsorship manager da The Heineken Company, com responsabilidade sobre parcerias e patrocínios da marca de cerveja holandesa.

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João Ova Lopes é o novo global sponsorship manager da The Heineken Company, com responsabilidade sobre parcerias e patrocínios da marca de cerveja holandesa. O profissional troca Lisboa por Amsterdão, após cerca de 6 anos na Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, onde desempenhou várias funções de brand management.
Licenciado em Gestão na Católica Lisbon SBE, e com Mestrado e pós graduação em Gestão de Marketing e Marketing Digital, respetivamente, João Ova Lopes passou por empresas como a Tabaqueira (Philip Morris International) e a EDP Comercial antes de iniciar o seu percurso na área das bebidas.
Na nova função, em Amesterdão, o Marketeer irá estar responsável pela gestão de parcerias globais da marca Heineken, com principal destaque para a UEFA (Liga dos Campeões) e a Fórmula 1.

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