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Os argumentos comerciais para reduzir o desperdício de alimentos na cadeia de distribuição

Por a 19 de Dezembro de 2018 as 9:52

SagePor Nicole Hardin, director of product management da Sage

Qualquer pessoa que conheça a cadeia de fornecimento de produção saberá que o desperdício de alimentos não é nenhuma novidade. As empresas de comida aceitaram na maioria uma certa quantidade de desperdício como parte dos custos de um negócio, inferiorizando o problema na lista de prioridades.

Como resultado, o desperdício tornou-se num custo invisível para várias empresas da indústria, principalmente por se ter tornado numa despesa geral durante demasiado tempo. Os fabricantes de comida e de bebida trabalham num ambiente instável, prevendo semanas ou até meses de avanço, sendo necessária a adaptação às condições meteorológicas e à constante mudança das preferências do cliente.

No entanto, com a sustentabilidade no topo do plano, tanto para as entidades reguladoras como para consumidores, existe uma pressão crescente nos produtores para reduzirem o desperdício e tornarem a sua atividade mais amiga do ambiente. Mas, tornar-se ecológico não é a única preocupação – existem também diversas razões válidas de negócio para reduzir a quantidade de desperdício que está a ser gerada, incluindo redução de custos e aumento de lucro.

No entanto, a mudança não acontece por si só. É necessário que as empresas procurem perceber quais as implicações do desperdício e as oportunidades para realizar essa mudança. Assim, com isso em mente, porque devem as empresas procurar reduzir a quantidade de desperdício de alimentos na cadeia de produção e que ferramentas podem utilizar para atingir este objetivo?

Motivos de reflexão

Segundo uma pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, cerca de um terço dos alimentos produzidos para consumo humano, em todo o mundo, são desperdiçados em algum ponto da cadeia de produção, a cada ano.

Globalmente, esta situação traduz-se em aproximadamente em 1.3 mil milhões de toneladas e mais de um bilião de alimentos desperdiçados.

Mas, porque deve isto preocupar os fabricantes? Do ponto de vista financeiro, com os custos necessários para manter um negócio em crescimento contínuo, a redução do desperdício alimentar pode ter um efeito maior do que o esperado no resultado final da empresa, quer seja reduzindo os custos de compra ou permitindo que a empresa produza mais produtos finais.

De facto, melhorar a eficiência da cadeia de distribuição nas principais áreas, como produção, tratamento e armazenamento, processamento e embalagem, seria capaz de reduzir o desperdício alimentar em 700 mil milhões de dólares a nível global, o que teria um impacto financeiro direto nas empresas associadas.

Além disso, de acordo com o relatório de 2017 da Champions 12.3, mais de metade das empresas que investiram na redução do desperdício alimentar, tiveram um retorno duplo de 14 vezes ou mais no seu investimento.

Existe, ainda, o aspeto ambiental, que rapidamente se tornou mais importante tanto para as empresas como para os consumidores. Por exemplo, se o desperdício alimentar fosse um país, seria o terceiro maior emissor de gases com efeito de estufa, depois dos EUA e da China. Se isso não era já suficiente, a perda e desperdício de alimentos produzem quatro vezes mais emissões anuais de gases com efeito de estufa do que todo o setor de aviação.

Os fabricantes que têm tomado medidas para reduzir a pegada de carbono terão uma posição mais favorável para os consumidores atuais, que estão mais interessados nas questões ambientais do que as gerações anteriores – o que pode resultar num aumento de vendas e da lealdade dos clientes.

Portanto, torna-se claro o esforço para reduzir o desperdício alimentar, e a boa noticia para os defensores da sustentabilidade é que cada vez mais empresas estão a reconhecer os potenciais benefícios. O desafio para os fabricantes é, então, perceber de que forma podem fazer com que a mudança aconteça.

Passar do plano à ação

Cada vez mais supermercados e fabricantes, em todo o mundo, comprometem-se em reduzir o desperdício que acontece, pelo que certamente estão a ser tomadas medidas positivas para impulsionar a mudança em todas as etapas da cadeia de distribuição. Mas de que forma estão a cumprir esse compromisso?

Por fim, tudo se resume à redução de ineficiências e à criação de novas ideias, onde a tecnologia pode desempenhar um papel fundamental. Por exemplo, implementar ferramentas digitais para combinar melhor a oferta e a procura, controlar as perdas e o desperdício e permitir uma volatilidade de preços, poderia poupar milhões de alimentos aos fabricantes.

Mais especificamente, os fabricantes devem implementar soluções de gestão de negócio, como o software ERP, para interligar todas as áreas do negócio, permitindo que a fábrica e a cadeia de distribuição colaborem com mais eficiência. As ferramentas de gestão de negócio reúnem informações essenciais de diversos sistemas – gestão de inventários e pedidos, por exemplo – para aumentar significativamente a perceção operacional, através de uma análise de dados em tempo real.

Como resultado, os fabricantes serão capazes de identificar as áreas mais ineficientes da cadeia de fornecimento, bem como otimizar os processos e reforçar a colaboração.

Os fabricantes podem, também, recorrer às diversas startups que oferecem atualmente software de gestão de resíduos alimentares para acompanhar e monitorizar a frescura ou a utilização de soluções de IoT para monitorizar a temperatura e a localização dos contentores, em tempo real.

Seja qual for o caminho que os fabricantes escolham, é fundamental que adotem uma abordagem integrada, observando toda a cadeia de distribuição. Reduzir, com sucesso, a perda e desperdício dos alimentos está na capacidade de otimizar as diferentes etapas e garantir que todas estão interligadas.

O software será crucial para que isto aconteça, permitindo aos fabricantes modernizar os processos, melhorar a colaboração e aumentar a eficiência – tudo isto contribuirá para a redução do desperdício alimentar e, por fim, para o aumento dos lucros.

 

 

 

 

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