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A revitalização gourmet do setor conserveiro (com vídeo)

Por a 11 de Julho de 2018 as 12:49

A Comur abriu em 2016 duas lojas de conservas em Lisboa. Em dezembro do ano passado, a empresa criou uma loja, na Rua da Prata, em Lisboa, com uma coleção de 17 variedades de pescado. A empresa pretende alargar o público alvo lançando ainda mais produtos

 

A pequena loja na Rua da Prata, em Lisboa, é uma homenagem à indústria conserveira. O mobiliário é retro, mas com um ar moderno. Uma foto com operárias na fábrica recria o processo de fabrico. Pela loja, com mobiliário em tom azulado, distribuem-se latas de conserva com um design cuidado, moderno, mas que remete para as origens da Comur. A fábrica de conservas da Murtosa foi fundada em 1942. E a data está devidamente destacada nas latas azuladas. Na loja da Fábrica das Enguias, pela manhã, o entra e sai de turistas ainda não é de azafama. A funcionária da loja mostra as latas de enguias aos clientes que entram e perguntam em castelhano. Entram, curiosos, observam, provam. E saem. Estes não compram. Ao balcão, os clientes podem provar as enguias fritas e colocadas à mão nas latas de conserva com molho de escabeche. É o que também faz outro grupo de turistas que entra portas adentro.

Esta é uma nova forma de apresentar ao mundo a tradição da indústria portuguesa conserveira, que ao longo de várias décadas chegou a ser uma das principais atividades em algumas zonas do país. “Quando adquirimos a fábrica, quisemos revitalizar esta indústria e levar as pessoas a descobrirem uma tradição antiga e que era bastante comum em Portugal, que era a indústria das conservas. Criando este design especial nas latas, que são mais apelativas, quisemos dar a conhecer ao mundo aquilo que é nosso”, diz Liliana Garcias, gerente de loja da Fábrica das Enguias. A loja, localizada mesmo na baixa lisboeta, foi aberta em 2016. A zona está mesmo a pedir que os turistas que cirandam por aquelas ruas visitem a loja. Afinal, só por si, o espaço convida a uma entrada. “As pessoas são muito atraídas pela decoração. Mesmo que não saibam o que está aqui, vêm e mostram muito interesse em perguntar para poderem conhecer. É toda uma homenagem a esta indústria e ao trabalho destas mulheres que estão na fábrica há anos”, destaca.

Àquela hora são só turistas que visitam a loja. “Mas temos muitos clientes portugueses, muito atraídos pela tradição e pela qualidade do produto”, afirma Liliana Garcias. O feedback de estrangeiros e portugueses, diz, é “muito bom”. “É feito de forma tradicional e, portanto, são artigos difíceis de encontrar hoje em dia. Ao provarem ficam completamente rendidos”, acrescenta.

FabricadasEnguiasDo norte para Lisboa

Portugal já teve 400 fábricas de conservas. Atualmente são abaixo de 20 as existentes. A Comur quis trazer para Lisboa uma iguaria típica do norte, as enguias. A empresa modernizou o design das latas, pois no Norte mandava a tradição que o pescado fosse conservado em barricas. “A própria lata é mais fácil de transportar. [Os turistas] podem levar no avião, na bagagem de mão ou na bagagem de porão. As antigas barricas só se veem hoje mais nas feiras no norte do país. E daí ser uma homenagem à fundação da fábrica com o ano de 1942 inscrito na lata. E como as enguias são um produto mais tradicional no norte do país, quisemos trazer também isso para Lisboa, para que as pessoas possam conhecer esta iguaria”, afirma a gerente de loja.

Além da loja da Fábrica das Enguias, a Comur é proprietária em Lisboa de O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa, aberta a 3 de novembro no Rossio. Mais recentemente, em dezembro de 2017, a empresa abriu logo em frente à Fábrica das Enguias uma loja, que serviu para lançar 17 variedades de conservas. A norte do país, no Porto, há uma loja na antiga Casa Oriental. No Algarve, uma em Vilamoura. Só no norte do país é que há lojas que revendem os produtos da Comur. No Sul, a empresa só tem lojas próprias. Na nova loja, as 17 variedades são conservas exclusivas de robalo, dourada, corvina, linguado fumado, entre outras. “São conservas inéditas por terem esse tipo de pescado em conserva”, explica Liliana Garcias. A Comur, querendo revitalizar o setor conserveiro, tem a ambição de fazer chegar os seus produtos a novos públicos. “Esperemos que o negócio continue a prosperar, até porque a ideia é lançar novas coleções para abranger novos públicos. Um vegetariano, por exemplo, não come pescado. Queremos abranger um público mais diversificado e o maior número de pessoas possível. E pensar sempre em inovar”, termina.

Artigo originalmente publicado na edição de julho do Jornal Hipersuper

 

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