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Opinião: Não se perca entre IA, IoT e tudo o que é disruptivo

Por a 17 de Maio de 2018 as 12:25
JoseFonseca_SAS

JoseFonseca_SASJosé Fonseca, Data Management Expert no SAS

Lá estamos nós, de novo, a falar de tecnologia e do seu papel (indiscutivelmente) determinante na sociedade, mas na verdade é inegável o seu atual poder e valor nos mais variados domínios das nossas vidas. Seja na indústria, na agricultura ou no ambiente, no retalho, na banca ou nos seguros, as Tecnologias de Informação (TI) estão a mudar as organizações e a transformar os modelos de negócio.

É a transformação digital em força, acompanhada por conceitos que decerto já ouviu falar, desde os mais óbvios como o Big Data e a Cloud, aos mais sonantes como a Inteligência Artificial (IA) e a Internet of Things (IoT), aos menos intuitivos como o Blockchain e por aí adiante.

Vemo-nos, aliás, constantemente aliciados por mil e uma ferramentas que prometem sucesso certo num futuro próximo e lá vamos nós atrás de estatísticas e monitorizações que garantem baixos custos e aumentos de produtividade; de cidades e edifícios inteligentes que melhoram o consumo e eficiência energética; de aplicações que simplificam processos e agregam mais valor ao nosso dia a dia e, basicamente, de tudo o que é “smart” e “altamente disruptivo”.

E aqui penso que a grande questão é as organizações conseguirem distanciar-se e perceber que ou quais ferramentas vão, de facto, acrescentar valor ao seu negócio, justificando-se assim o investimento alocado. Como? Colocando, por exemplo, uma série questões antes de decidir e avançar. Estudando, a fundo, o retorno do investimento. Ouvindo a opinião de um especialista. Consultando mais do que um fornecedor. Definindo uma estratégia.

Parece-me óbvio que todos queremos continuar a crescer, a inovar, a acompanhar o mercado e aquilo que a concorrência faz. Mas façamo-lo de forma criteriosa e com a certeza do que é efetivamente estratégico e essencial.

Pensemos na IoT! Certo que já não é um fenómeno novo e há muito deixou de ser ficção cientifica, mas só agora se começa a assistir à sua proliferação em parte pela aposta das empresas de telecomunicações e os níveis de segurança atualmente existentes. Ligar produtos à internet e, de seguida, conectá-los uns aos outros pode não parecer difícil. A mestria está na tomada de decisões no momento imediatamente posterior à recolha da informação (tempo real), sem a necessidade de recolher toda a informação para “dentro de casa”, e perder tempo útil em transformar e processar a informação para lhe conseguir portar valor!

O retalho é sem dúvida uma das indústrias que mais pode beneficiar deste tipo de tecnologia, através da IoT é possível obter valor de informação que muitas das vezes é desprezada pela incapacidade de lidar com o volume, variedade e velocidade da mesma. Ao ser possível monitorizar e consolidar informação de sensores e equipamentos, os retalhistas vão ter a seu dispor ferramentas que lhes permitam otimizar o seu negócio como um todo. Existindo já casos práticos de sucesso no uso deste tipo de tecnologia que vão desde a capacidade de prever em tempo real eventuais falhas de produtos nas prateleiras ou em armazém, aproximando-nos do ideal do stock zero, ou na habilidade de prever eventuais avarias em equipamentos, permitindo-nos agendar a sua reparação ou troca, sem que tal impacte com o serviço disponibilizado.

Outros dos benefícios da IoT e da IA prendem-se com a capacidade de melhor conhecer o consumidor, os seus hábitos e o seu comportamento em loja, prestando aos clientes um serviço focado nas suas necessidades e direcionando-o da melhor forma para a sua oferta, quer sejam processos em compra na loja ou online.

Maior precisão e eficiência. Claros benefícios económicos. Redução dos custos operacionais. É isto que a IoT pode oferecer a par com a IA.

Apesar de não parecer… devido à advertência expressa no título deste artigo… sou defensor convicto de todos estes novos conceitos e tendências, defendendo, no entanto (antes de mais) um conhecimento aprofundado da utilidade e valor acrescentado de cada um, de forma a evitar tomadas de decisão que possam posteriormente traduzir-se em gastos desnecessários.

Avaliar corretamente o risco de segurança da informação e dos dados é outro aspeto que considero prioritário, contudo pela sua abrangência e atualidade deixarei para um próximo artigo.

*Texto originalmente publicado na edição impressa de maio do Jornal Hipersuper

 

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