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Rótulos de alimentos: 40% dos portugueses não compreende informação nutricional

Por a 17 de Outubro de 2017 as 17:12
rotulo

A maioria dos portugueses (51,3%) diz ler os rótulos dos alimentos no momento de compra, no entanto, grande parte da população mostra ainda um baixo nível de compreensão da informação nutricional apresentada nos mesmos.  

“Os portugueses consideram compreender a informação que consta dos rótulos alimentares mas, na verdade, esse nível de compreensão é inferior às suas perceções”, indica o estudo “Atitudes dos consumidores portugueses face à rotulagem alimentar”, realizado pelo Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM) em parceria com uma investigadora da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. A análise foi apresentada esta segunda-feira (Dia Mundial da Alimentação), naquela Faculdade do Porto, e tem por base as respostas de 1127 consumidores responsáveis pelas compras de bens alimentares para os agregados familiares em Portugal, os quais foram consultados entre setembro de 2015 e dezembro passado.

Os consumidores nacionais consultam os rótulos alimentares sobretudo para conhecerem o prazo de validade (uma média de 4,62 dos inquiridos); para conhecerem as instruções de uso (média de 3,98); e para recolherem informação sobre certos nutrientes (média de 3,95). Os alimentos para crianças, os cereais de pequeno-almoço e as refeições pré-embaladas são os produtos a que os portugueses atribuem maior importância aos rótulos alimentares.

Enquanto 11% diz nunca ler os rótulos, quer no momento de compra quer no de consumo, 17% lê sempre os rótulos dos alimentos e 42% fá-lo de forma regular.

40% não compreende informação nutricional

Não obstante 67% dos consumidores afirmarem compreender “toda ou quase toda” a informação apresentada em diferentes rótulos nutricionais, através de uma avaliação objetiva os investigadores verificaram que “40% dos inquiridos não entendem realmente a informação nutricional básica que lhes permite fazer escolhas alimentares mais saudáveis”.

Os portugueses revelam, por exemplo, falta de conhecimento sobre os limites diários recomendados de sal e açúcar. 25% dos consumidores não tem qualquer ideia do valor máximo recomendado para o consumo diário de sal. A maioria (56%) considera que é inferior ao defendido pela Orgamização Mundial de Saúde (OMS), ou seja, abaixo das cinco gramas por dia. Daqueles, 38% refere que o máximo recomendado é de duas gramas. No que se refere ao limite diário de açúcar para um adulto, somente 6% dos inquiridos demonstrou ter conhecimento de que o limite diário de açúcar definido pela OMS para um adulto assenta em 50 gramas.

O estudo nota também que há duas principais barreiras à compreensão da informação fornecida nos rótulos alimentares no País. São elas: o formato dos rótulos e a falta de informação na frente de embalagem. A maioria dos consumidores refere ainda problemas nos rótulos que dificultam a sua consulta no ponto de venda como a “letra demasiado pequena, excesso de informação ou informação demasiado técnica e complexa e a falta de harmonização/estandardização entre produtos/marcas”.

Portugueses defendem utilização de cores nos rótulos

O estudo, encomendado pela Direção Geral de Saúde (DGS) e que conta com a Chancela da OMS, pretende contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas e ações da indústria (produtores e retalhistas) que promovam um maior conhecimento e uso efetivo da rotulagem nutricional no processo de decisão de compra de produtos alimentares. Neste sentido, o relatório abrange recomendações dos consumidores em prol de um melhor esclarecimento, tendo identificado a utilização de cores na frente da embalagem enquanto um dos elementos mais comuns, dos referidos pelos portugueses, como fundamentais para uma melhor compreensão dos rótulos, na medida em que facilita as opções de compra no ponto de venda.

Além disso, “os consumidores mais informados e interessados apelam ao uso de uma maior harmonização da rotulagem utilizada em Portugal, no sentido de aumentar a capacidade de comparabilidade de opções e melhorar a tomada de decisão de compra”.

Relativamente às medidas utilizadas, as preferências recaem em geral para dois formatos: por 100 gramas, de forma a comparar produtos no ponto de venda, e por porção para apoio no momento do consumo.

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