Lucros Sonae caem 38%

14 de Março de 2012 por Victor Jorge

A Sonae registou, no exercício de 2011, uma quebra de 38% nos lucros atribuível aos accionistas, baixando de 168 para 103 milhões de euros, anuncia o grupo liderado por Paulo Azevedo em comunicado. O volume de negócios decresceu, por sua vez, 1% face ao ano anterior, atingindo os 5,738 mil milhões de euros contra os 5,845 mil milhões de há um ano.

No documento enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Sonae refere que “ao longo de 2011, a Sonae enfrentou ambientes macroeconómicos diferentes nos países onde actua”, adiantando que “os benefícios do crescimento no Brasil e do ambiente estável em outros países europeus foram atenuados pela fraca dinâmica económica nos mercados Ibéricos, onde o anúncio de novas medidas de austeridade condicionou fortemente as atitudes de consumo das famílias”.

É de resto pela contracção no consumo que Paulo Azevedo inicia o seu statement, afirmando que o ano passado ficou “indelevelmente marcado pela importante contracção do consumo privado nos mercados Ibéricos e pelas dificuldades do sistema bancário em Portugal”, salientando que, face a este contexto, a companhia foi “obrigada a focar mais a atenção na protecção da rentabilidade e na redução do endividamento, em parte, em detrimento do crescimento internacional dos nossos negócios”.

No que diz respeito ao EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações), os resultados da Sonae mostram uma quebra de 4% de 690 para 661 milhões de euros, justificando a companhia esta redução com o impacto do “investimento na internacionalização da Sonae SR, mas também pelo efeito da retracção do consumo nos mercados ibéricos, sentida especialmente ao nível das categorias não alimentares”.

Por área de negócio, destaque para a operação de distribuição alimentar da Sonae MC que, a par da sua congénere dos centros comerciais, foi a única a registar uma evolução positiva. Assim, a Sonae MC viu as vendas aumentarem 2% face ao ano de 2010, totalizando 3,327 mil milhões de euros, incorporando este valor uma evolução de cerca de 0,5% nas vendas no universo comparável de lojas, “apesar da continuação dos efeitos do ‘trading down’ levado a cabo pelos consumidores em Portugal”, salienta a Sonae, informando, igualmente, que a companhia continua a “reforçar a liderança de mercado (+1.1 p.p. de quota durante 2011), com um forte contributo do seu portfólio de marcas próprias e primeiros preços, actualmente com uma representatividade de cerca de 30% nas vendas das categorias relevantes”.

O negócio não alimentar da Sonae SR viu os seus resultados caírem 3% para 1,235 mil milhões de euros, reflectindo a evolução negativa de vendas verificada nos mercados ibéricos ao longo de 2011, apesar de um aumento de 15% da área de vendas.

As vendas do conjunto de insígnias da Sonae SR em Portugal diminuíram cerca de 13%, o que foi apenas parcialmente compensado pelo crescimento de 43% das vendas nos mercados internacionais, representando as vendas no mercado espanhol 25% do total das vendas em 2011, 5 p.p. acima do valor registado em 2010. No segmento da electrónica de consumo, a Sonae informa que a Worten conseguiu “reforçar a sua posição de liderança no mercado português e atingiu importantes progressos no que diz respeito ao objectivo de construir uma posição de relevo na globalidade do mercado ibérico”.

Por fim, a Sonae Sierra, aumentou o seu volume de negócios em 1% para 194 milhões de euros, indicando o grupo que a operação “voltou a demonstrar em 2011 a qualidade dos seus activos, ao manter uma taxa de ocupação média de 96,8% e ao registar uma consistente performance ao nível de receitas”, beneficiando, igualmente, “da crescente exposição a mercados emergentes, com destaque para o contributo da operação no Brasil”.

Quanto ao investimento efectuado pela Sonae ao longo de 2011, este totalizou os 475 milhões de euros. 15 acima do ano anterior, ficando alocados, principalmente, abertura selectiva de novas lojas de retalho em Portugal, incluindo 1 Continente Modelo e 10 novas lojas Sonae SR; alargamento da presença da rede de lojas próprias da Sonae SR em mercados internacionais, com a abertura de 44 mil novos m2 de área de venda (tendo atingindo um total de 123 lojas fora de Portugal), prosseguindo assim com o importante esforço de internacionalização dos seus principais formatos; remodelação selectiva de um conjunto de unidades de retalho, por forma a garantir que estas se mantêm como referências nas respectivas zonas de implementação; além de assegurar a atractividade dos centros comerciais actuais da Sonae Sierra e prossecução dos novos projectos de desenvolvimento situados em Itália (Le Terrazze), na Alemanha (Solingen) e no Brasil (Uberlândia, Londrina e Goiânia), representando um total de mais de 230 mil m2 de Área Bruta Locável e com aberturas previstas para o período de 2012 a 2014.

No que diz respeito às perspectivas para o actual exercício de 2012, os responsáveis da Sonae esperam a continuação da “desalavancagem do sector privado, esforços de consolidação orçamental necessários para recolocar as finanças públicas em níveis sustentáveis, reestruturação do sector bancário e as dificuldades em controlar o desemprego, no cenário macroeconómico da Península Ibéria. Além disso, “a expectável redução do rendimento disponível das famílias deverá, inevitavelmente, ter impactos negativos obre o nível de consumo privado nos mercados Ibéricos”, prevendo que à semelhança de 2011, “estes efeitos deverão ser particularmente visíveis ao nível do consumo discricionário”.

Neste contexto, a Sonae deixa a certeza de que continuará a “procurar assegurar as melhores propostas de valor para o consumidor final em cada um dos nossos negócios, o que pensamos ser a melhor forma de conseguirmos um reforço de posição competitiva a prazo”.

 

     
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