Colaboração entre produtores e retalhistas pode gerar poupanças anuais até 32 milhões

13 de Dezembro de 2011 por Victor Jorge

A aposta numa maior colaboração entre produtores e retalhistas nacionais ao nível dos transportes e rede de distribuição, associadas com a implementação de medidas mais sustentáveis poderá levar a uma redução entre 8% a 27% nos custos dos transportes (9 a 32 milhões de euros) e a uma diminuição nas emissões de CO2 correspondentes de mais de 8.000 toneladas, através, por exemplo, da utilização de soluções multimodais (incluindo transporte ferroviário) no eixo Lisboa-Porto, de um maior grau de colaboração entre produtores e retalhistas ou de uma utilização de viaturas com maior capacidade de carga, como por exemplo os Gigaliners.

Estas conclusões constam no estudo “A Sustentabilidade dos Transportes na Cadeia de Abastecimento” realizado pela GS1 Portugal e pela Accenture, agora divulgado.

Entre as conclusões, as duas entidades destacam o facto da cadeia de abastecimento analisada emitir anualmente cerca de 53 mil toneladas de CO2, 70% das quais geradas nos fluxos entre as fábricas e os centros de distribuição, e que mais de 50% do CO2 ser emitido pelas categorias mercearia ambiente, bebidas e os lácteos Temperatura Ambiente, reflectindo as maiores distâncias percorridas e carga transportada pelos veículos, nestas categorias.

Além disso, os fluxos entre os armazéns dos operadores logísticos e os centros de distribuição apresentam uma Taxa de Ocupação Média (T.O.M.) de 73%, ou seja, inferior em cerca de 15 pontos percentuais em relação à média global de 88%; sendo que cerca de 11% da carga transportada nos fluxos entre os armazéns dos operadores logísticos e os centros de distribuição é feita através da utilização de veículos de menor capacidade (12 a 18 toneladas de peso bruto).

O estudo destaca ainda que a categoria de lácteos Frio Positivo apresenta o menor lead-time médio de encomenda entre retalhista e produtor – cerca de 17 horas entre operadores logísticos e centros de distribuição, sendo a média global de 80 horas, e que para viagens acima dos 50 quilómetros, o custo médio por km está abaixo dos 2 euros, com uma maior dispersão deste custo para trajectos de menor distância.

Os dados do estudo da GS1 Portugal e Accenture, referem ainda que cerca de 65% da carga transportada a partir de fábricas tem origem em Portugal, facilitando, assim, a implementação de medidas colaborativas entre os diferentes agentes da cadeia de abastecimento.

Considerando que o custo total estimado dos transportes associados aos fluxos analisados foi de 116 milhões de euros, e o total de emissões de CO2 identificadas de 53 mil toneladas, o grupo de trabalho envolvido no estudo analisou dois cenários de impacto das iniciativas propostas, um cenário conservador e um outro, optimista. Os dois cenários estimados identificaram que a aposta numa maior colaboração entre os produtores e os retalhistas nacionais ao nível dos transportes e rede de distribuição e a implementação de iniciativas de aumento da multimodalidade e capacidade dos transportes poderia levar a uma redução entre 15% e 48% em emissões de CO2 e entre 8% a 27% nos custos associados aos transportes.

Entre as medidas a implementar, o grupo de trabalho destaca: a criação de “corredores” de transporte colaborativo entre retalhistas e produtores, com uma poupança potencial entre 1,5 e 2,7 milhões de euros e uma redução de emissões de CO2 que pode chegar às 137 toneladas; a implementação de medidas de consolidação de volume, com uma poupança potencial até 2,1 milhões de euros e uma redução de emissões de CO2 que pode chegar às 224 toneladas; o impulsionamento da utilização de Gigaliners e/ou veículos de maior tonelagem de peso bruto (“mega-camiões” com 18,75 a 25,25 metros de comprimentos, pesando até 60 toneladas) que permitem o transporte de mais 50% de carga num mesmo número de viagens; além da implementação de parcerias produtor/retalhista nas entregas directas a lojas pode gerar uma poupança potencial entre 2 a 5 milhões de euros, com um potencial de redução de CO2 entre 842 e 2105 toneladas.

 

     
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