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Estudo: Empresários portugueses ignoram área da ciência

Por a 27 de Maio de 2010 as 9:50
Altec


A dificuldade nos contactos entre os cientistas e as empresas e instituições portuguesas continua a ser um entrave ao avanço de projectos científicos no nosso País.

Este é a principal conclusão de um projecto-piloto, que está a ser desenvolvido há três anos, pela ALTEC (Associação de Laserterapia e Tecnologias Afins).

Segundo o estudo, “existem em Portugal barreiras que impedem a normal relação entre a comunidade científica e as diversas empresas, que representam um entrave ao desenvolvimento e progresso de Portugal”.

A pesquisa reuniu 32 entidades (públicas e privadas) e teve como objectivo analisar a resposta das entidades à apresentação de projectos científicos.

A grande maioria das empresas/entidades não dão qualquer resposta à apreciação dos projectos (ou demoram mais de um ano em fazê-lo). Apenas duas das empresas em avaliação responderam à apresentação dos projectos em 48 horas.

A dificuldade em agendar reuniões, as múltiplas barreiras que os cientistas enfrentam até chegar à pessoa indicada, a indisponibilidade para responder ao candidato e a falta de resposta atempada ao projecto, são os principais obstáculos ao desenvolvimento cientifico no País.

“É preciso mudar a mentalidade de muitos investidores e empresários em Portugal que muitas vezes ignoram a área da ciência, deixando um enorme vazio na ideia de progresso e avanço tecnológico e científico. É preciso mostrar o caminho para um empreendedorismo que potencie as capacidades que temos nas mais diversas áreas da ciência”, sublinha o presidente da ALTEC, António Lúcio Baptista.

Para chamar a atenção do problema da falta de empreendedorismo científico em Portugal, a Associação criou o Prémio “ Open Mind”, que destaca indivíduos que demonstram ser capazes de avaliar rapidamente o interesse e viabilidade de um projecto científico.

Este ano, foi distinguido António Vieira, engenheiro e Director Executivo do CeNTI – Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes.

Um comentário

  1. João Alberto Catalão

    28 de Maio de 2010 at 11:13

    Notícia triste, mas é a realidade!

    Infelizmente “vivo” esta realidade de forma directa. Se por um lado sou docente em prestigiadas Universidades e Business Schools, por outro contacto diariamente com os empresários.

    A razão está dos dois lados, o que potencia a divergência!

    Os empresários queixam-se da Academia, classificando-a como instituições fechadas, autistas da realidade empresarial e que, por esse motivo, não entende as verdadeiras necessidades do mercado, preparando assim mal os jovens que ingressam nas suas empresas. Por outro lado, os empresários, ainda são na sua maioria, profissionais focados no fazer acontecer, com muito suor, muito envolvimento e muita paixão.

    Só uma Academia mais envolvida com a realidade empresarial e uma maioria de empresários mais mobilizados para o fazer acontecer com maior equilíbrio entre as doses de suor e de neurónios, poderão entender-se e realmente contribuirem para um país “open mind”. O passo terá que ser dado em simultâneo…

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