
No mercado dos lacticínios, assim como em quase todos as categorias alimentares, as tendências de consumo são marcadas pelo privilégio dos produtos saudáveis. Indo ao encontro das preocupações da população com o teor de gordura que ingere. No entanto, manteigas e natas são presença constante nas dispensas nacionais.
«Portugal é um país de grandes consumidores de manteiga», descreve Cristina Vasconcelos, coordenadora de gestão de categorias da Lactogal, companhia que produz e comercializa marcas como Mimosa, Agros, Gresso, Matinal, Milhafre e Primor. O pão com manteiga continua a ser um dos “pecados” diários dos portugueses.
Apesar de já ser um mercado maduro, neste último ano as manteigas apresentaram um crescimento acima dos 3%. De acordo com a responsável, esta subida é «muito significativa», mais pelo que representa do que pelo que vale. «Evidencia o poder de captação que um produto tão tradicional como a manteiga tem quando, pela via da inovação e da sua origem natural, acompanha as principais tendências de consumo».
A manteiga tradicional continua a ser o segmento mais relevante, no entanto, as “magras” já representam mais de 30% deste mercado. Aliás, tem sido esta categoria que mais tem crescido ao longo dos últimos anos. «Desde a sua criação, com Manteiga Matinal, que cresce sustentadamente e revela ainda potencial de afirmação», explica Cristina Vasconcelos.
É neste sub-segmento que têm havido mais novidades e lançamentos: manteigas magras e fáceis de barrar. É, principalmente, nos processos de fabrico deste produto que se têm verificado um nível de inovação enorme, «no sentido de garantir um sabor natural e “a manteiga” apesar da redução dos teores de gordura», revela.
Quanto às tendências deste mercado, a coordenadora de gestão de categorias da Lactogal destaca em primeiro lugar os produtos de origem natural, como os biológicos. Em segundo lugar, que se aliem a alimentação de conveniência, como a pequenas refeições (entradas, sanduíches, lanches, etc) e, por último, têm que trazer prazer para o dia-a-dia. «A manteiga responde integralmente a estas três tendências».
No Ano Móvel Agosto/Setembro 2007 foram comercializados cerca de 9,250 milhões de quilos de manteiga, e foram gerados 51,684 milhões de euros, o que representa um crescimento de 3,5% e 1,9%, respectivamente, face ao período homólogo.
Apesar do sub-segmento manteigas com sal ter registado vendas de 9 milhões de quilos e o sem sal se ter ficado pelos 234.301, foi o segundo que mais cresceu: 15,6% (volume) e 15,7% (valor), enquanto o primeiro subiu apenas 3,2% e 1,6%, em volume e valor, respectivamente.
Natas cheias de potencial
Contrariamente às manteigas, o mercado das natas ainda não está maduro, tem uma taxa de penetração de 63% e tem apresentado crescimentos nos últimos anos. Também neste segmento dos lacticínios, produtos com menos açúcar, teor de gordura e calorias, são as grandes apostas da indústria nacional.
Neste sentido, a Lactogal lançou este ano uma novidade única no mercado Nata Mimosa Ligeira, só com 10% de gordura. Agora, «consolidar este lançamento é a prioridade», refere Cristina Vasconcelos.
As natas ultrapasteurizadas tem um peso fundamental, valendo quase 90% do mercado, de acordo com dados fornecidos pela responsável da Lactogal. No entanto, o segmento mais dinâmico é o das natas UHT, com crescimentos em volume na ordem dos 8%. Já as natas pasteurizadas têm apresentado uma tendência de decréscimo. Para tentar inverter esta situação, a Mimosa lançou uma embalagem mais prática e já tem «alguns sinais nesse sentido».
«Quase todos países da Europa, fruto da sua tradição culinária, têm níveis de consumo superiores aos de Portugal», refere a coordenadora de gestão de categorias da Lactogal. «Isto representa um enorme sinal do potencial que esta categoria, se bem trabalhada pelos seus operadores, tem a revelar». É neste sentido que a Mimosa tem apostado na promoção do consumo/utilização, «aumentando a pertinência da nata na culinária do dia-a-dia, que se quer “fácil, simples e rápida”».
UHT sobem e pasteurizadas descem
No Ano Móvel Agosto/Setembro, foram vendidas cerca de 37 milhões de embalagens de 1/5 litros de natas (+6,6% face a período homólogo), o que representou vendas na ordem dos 18,230 milhões de euros para a indústria (+4,1%).
Deste total, cerca de 33 milhões de embalagens comercializadas são natas UHT, uma subida de 8,5% face ao mesmo período do ano passado. Enquanto das natas pasteurizadas foram vendidas 3,990 milhões de embalagens de 1/5 litros, -6,7%.
Em valor, as natas UHT renderam 14,8 milhões de euros, durante este período, e as pasteurizadas cerca de 3,5 milhões, +5,9% e -2,9%, respectivamente.
Palavras Chave: Produção